quinta-feira, 3 de julho de 2014

Pecadores nas Mãos de um Deus Irado - por Jonathan Edwards




Sermão pregado em 08 de Julho de 1741 em Enfield, Connecticut - EUA 
... A seu tempo, quando resvalar o seu pé” (Deuteronômio 32.35).
Nesse versículo os ímpios e incrédulos israelitas, que eram o povo visível de Deus, e que viviam debaixo de Sua graça, são ameaçados com a vingança do Senhor. Apesar de todas as obras maravilhosas que Deus operara em favor desse povo, este permanecia sem juízo e destituído de entendimento, como está escrito no versículo 28. e mesmo sob todos os cuidados do céu produziram fruto amargo e venenoso, conforme verificamos nos dois versículos anteriores.
A declaração que escolhi para meu texto, "A seu tempo, quando resvalar o seu pé", parece subentender as seguintes questões, relativas à punição e destruição que aqueles ímpios israelitas estavam sujeitos a sofrer:
1. Que eles estavam sempre expostos à destruição , assim como está sujeito a cair todo aquele que se coloca de pé, ou anda por lugares escorregadios. A maneira como serão destruídos vem aí representada pelo deslize de seus pés. A mesma citação encontramos no Sl 73.18-19, "Tu certamente os pões em lugares escorregadios, e os fazes cair na destruição".
2. Faz supor também que estavam sempre sujeitos a uma súbita e inesperada destruição, à semelhança daquele que anda por lugares escorregadios e a qualquer instante pode cair. O ímpio não consegue prever se, num momento, ficará de pé, ou se, em seguida, cairá. Quando cai, cai subitamente, sem aviso, como está escrito, também, no Sl 73.18-19, "Tu certamente os põe em lugares escorregadios, e os fazes cair na destruição. Como ficam de súbito assolados! Totalmente aniquilados de terror!"
3. Outra coisa implícita no texto é que os ímpios estão sujeitos a cair por si mesmos, sem serem derrubados pelas mãos de outrem, pois aquele que se detém ou anda por terrenos escorregadios não precisa mais do que seu próprio peso para cair por terra.
4. E também a razão pela qual ainda não caíram, e não caem, é por não haver chegado ainda o tempo determinado pelo Senhor. Pois está escrito que quando este tempo determinado, ou escolhido, chegar, seu pé irá resvalar. E então serão entregues à queda, para a qual já estão predispostos por causa do próprio peso. Deus não os susterá mais em lugares escorregadios, mas vai deixá-los sucumbir. Então, nesse exato momento, cairão em destruição, à semelhança daqueles que transitam em terrenos escorregadios, à beira de precipícios, e não conseguem se manter de pé sozinhos,caindo imediatamente e se perdendo ao serem abandonados.
Eu insistira agora num exame maior das seguintes palavras: não há nada, a não ser a boa vontade de Deus, que impeça os ímpios de caírem no inferno a qualquer momento.
Por mera boa vontade de Deus, me refiro à sua vontade soberana, ao seu livre arbítrio, o qual não é restringido por nenhuma obrigação, nem tolhido por qualquer tipo de dificuldade. Em última análise, sob qualquer aspecto, nada, exceto a vontade de Deus, tem poder para preservar os ímpios da destruição por um instante sequer.
A verdade dessa observação transparecerá nas seguintes considerações:
1. Não falta poder a Deus para lançar os ímpios no inferno a qualquer momento. A mão dos homens não é suficientemente forte quando Deus se levanta. O mais forte deles não tem poder para resistir-lhe, e ninguém consegue se livrar de suas mãos.Ele não só pode lançar os ímpios no inferno, como pode fazê-lo com a maior facilidade. Muitas vezes, uma autoridade terrena encontra grande dificuldade em dominar um rebelde, o qual acha meios de se fortalecer e se tornar mais poderoso pelo número de seguidores que alicia. Mas com Deus não é assim. Não há força que resista ao seu poder. Mesmo que as mãos se unam, e que enormes multidões de inimigos do Senhor juntem suas forças e se associem, serão todos facilmente despedaçados. São como montes de palha seca e leve diante de um furacão, ou como grande quantidade de restolho perto de chamas devoradoras. Nós achamos fácil pisar e esmagar uma lagarta que se arrasta pelo chão. Achamos fácil também cortar ou chamuscar um fio de linha fino que segura alguma coisa. Então, é simples para Deus, quando lhe apraz, lançar seus inimigos no inferno profundo. Quem somos nós, que imaginamos poder resistir Àquele ante cuja repreensão a terra treme, e perante quem as pedras tombam?
2. Eles merecem ser lançados no inferno. Assim, a justiça divina não se interpõe no caminho dos ímpios; nem faz objeção pelo fato de Deus usar seu poder para destruí-los a qualquer momento. Muito pelo contrário, a justiça fala assim da árvore que produz frutos maus: "... pode cortá-la; para que está ela ainda ocupando inutilmente a terra?" (Lc 13.7). A espada da justiça divina está o tempo todo erguida sobre suas cabeças, e somente a mão de absoluta misericórdia e a mera vontade de Deus podem detê-la.
3. Os ímpios já estão debaixo da sentença de condenação ao inferno. Eles não só merecem ser lançados ali, mas a sentença da lei de Deus, esse preceito de eterna e imutável retidão que o Senhor estabeleceu entre si mesmo e a humanidade, também se coloca contra eles, e assim os mantém. Portanto, tais homens já estão destinados ao inferno. "...o que não crê já está julgado." (Jo 3.18). Assim, todo impenitente pertence, verdadeiramente, ao inferno. Ali é o seu lugar, ele é de lá, como temos em João 8.23: "vós sois cá debaixo" e para lá é destinado. Este é o lugar que a justiçam, a Palavra de Deus e a sentença de sua lei imutável reservam para ele.
4. Assim sendo, eles são objetos da ira e da indignação de Deus, que se manifesta através dos tormentos do inferno. E a razão de não descerem ao inferno agora mesmo não é pelo fato do Senhor, em cujo poder se encontram, estar menos irado com eles no momento, ou, pelo menos, não tão encolerizado como está com aquelas miseráveis criaturas a quem ele atormenta no inferno, as quais experimentam e sofrem ali a fúria de sua indignação. Sim, Deus se acha muito mais furioso com um grande número de pessoas que está vivendo na terra agora, talvez de modo mais tranqüilo e confortável, do que com muitos daqueles que estão experimentando as chamas do inferno. Portanto, a razão porque Deus ainda não abriu a sua mão e os liquidou, não é por ele não se importar com suas iniqüidades, ou não se ofender. O Senhor não se parece com eles, embora pensem que sim. A fúria de Deus arde contra eles, sua condenação não demora. O abismo está preparado, o fogo está pronto, a fornalha incandescente está ardendo, pronta para recebê-los. As chamas vermelhas queimam. A espada luminosa foi afiada e pesa sobre suas cabeças. O inferno abriu a sua boca debaixo deles.
5. O diabo está pronto a cair sobre os ímpios, para apoderar-se deles como coisa sua, no momento em que Deus o permitir. Eles lhe pertencem, suas almas encontram-se em seu poder e sob seu domínio. As Escrituras os apresentam como propriedade de satanás (Lc 11.21). Os demônios os espreitam, estão sempre ao seu lado, à sua direita, esperando por eles como leões esfaimados e enfurecidos que vêem a presa, aguardando a hora de agarrá-la, mas são restringidos por enquanto. Se Deus retirasse sua mão, a qual os refreia, eles cairiam sobre suas pobres almas num instante. A velha serpente está pronta a dar o bote. O inferno escancara sua boca para recebê-los. E se Deus permitisse, seriam rapidamente engolidos e consumidos.
6. Nas almas dos pecadores reinam aqueles princípios diabólicos que os faria arder agora mesmo no inferno, se não fosse a restrição imposta por Deus. Existe na própria natureza carnal do homem uma potencialidade alicerçando os tormentos do inferno. Há aqueles princípios corruptos que agem de maneira poderosa sobre eles, que só dominam completamente, e que são sementes do fogo do inferno. Esses princípios são ativos e poderosos, de natureza extremamente violenta, e se não fosse a mão restringidora do Senhor sobre eles, seriam logo destruídos. Iriam arder em chamas da mesma forma que a corrupção e a rebeldia fazem arder os corações das pessoas condenadas, gerando nelas os mesmos tormentos. As almas dos ímpios são comparadas nas Escrituras com o mar agitado (Is 57.20). Por enquanto Deus controla as iniqüidades deles pelo seu imenso poder, como faz com as ondas enfurecidas do mar, dizendo: "virão até aqui, mas não prosseguirão." Mas se Deus retirasse deles seu poder refreador, seriam todos tragados por elas. O pecado é a ruína e a miséria da alma. Ele é destrutivo pela própria natureza. E se Deus o deixasse sem controle, não seria preciso mais nada para tornar as almas humanas absolutamente miseráveis. A corrupção no coração do homem é algo cheio de fúria incontrolável e sem freio. Enquanto os pecadores viverem aqui, essa fúria será como fogo reprimido pelas restrições divinas. Ao passo que, se fosse liberada, incendiaria o curso natural da vida. E como o coração é um poço de pecado, este mesmo pecado iria imediatamente transformar a alma num forno incandescente ou numa fornalha de fogo e enxofre, caso não fosse restringido.
7. O fato de não haver sinais visíveis da morte por perto, não quer dizer que haja, por um momento, sequer segurança para os ímpios. O fato do homem natural ter boa saúde, de não prever que poderia deixar este mundo num minuto por um acidente, de não haver perigo visível à sua volta, nada disso lhe ser vê de segurança. Contínuas e inúmeras experiências humanas, em todas as épocas, nos mostram que não existem provas de que o homem não esteja à beira da eternidade, ou de que seu próximo passo não venha a ser no outro mundo. Os caminhos e meios, invisíveis e imprevistos, de chegar lá são incontáveis e inconcebíveis. Os homens não convertidos caminham por cima das profundezas do inferno, sobre uma superfície frágil onde existem varias áreas quebradiças, também invisíveis, as quais não conseguirão agüentar o seu peso. As flechas da morte voam ao meio-dia sem serem vistas. O olhar mais atento não pode distingui-las. Deus tem muitas maneiras diferentes e misteriosas de tirar os homens pecadores do mundo e despachá-los para o inferno. Não há nada que faça crer que o Senhor precise de ajuda de um milagre, ou que necessite se desviar do curso natural de sua providência para destruir qualquer pecador, a qualquer momento. Desde que todos os meios para fazer os ímpios deixarem este mundo estão de tal forma nas mãos de Deus, tão absoluta e universalmente sujeitos ao seu poder e determinação, segue-se que a ida dos pecadores para o inferno, a qualquer momento, depende simplesmente da vontade de Deus – quer usando meios ou não.
8. O cuidado e a prudência dos homens naturais em preservar suas vidas, ou o cuidado de terceiros em preservá-las, não lhes dá segurança por um momento sequer. A providência divina e a experiência humana testificam isso. Existem evidências claras de que a sabedoria dos homens não lhes é segurança contra a morte. Se não fosse assim, haveria uma diferença entre a morte prematura e inesperada de homens sábios e prudentes, e dos demais. Mas, o que realmente acontece? "Como morre o homem sábio? Assim como um tolo." (Ec 2.16).
9. Todo o esforço e artimanha dos ímpios para escaparem do inferno não os livram do mesmo, nem por um momento, pois continuam a rejeitar a Cristo, e portanto permanecem ímpios. Quase todos os homens naturais que ouvem falar do inferno alimentam a ilusão de que vão escapar dele. Quanto a sua própria segurança, confiam em si mesmos. Vangloriam-se do que fizeram, do que estão fazendo e do que pretendem fazer. Cada um traça seu próprio plano, pensa em evitar a condenação, e se vangloria e que irá tramar tão bem todas as coisas que seu esquema, com certeza, não falhará. Na verdade, eles ouvem dizer que poucos se salvam, e que a maior parte dos homens que já morreram foram para o inverno; mas cada um deles se imagina capaz de planejar melhor a própria fuga, do que os outros puderam fazer. Dentro de si mesmos dizem que não pretendem ir para esse lugar de tormento, e que pretendem tomar todo o cuidado necessário, esquematizando as coisas de tal forma na ao terem possibilidade de falhar.

Mas os insensatos filhos dos homens iludem-se miseravelmente quanto a seus próprios planos. A confiança que depositam na própria força e sabedoria é o mesmo que confiar na fragilidade de uma sombra. A maior parte daqueles que antes viveram debaixo da dispensação da graça, e agora estão mortos, sem dúvida alguma foram para o inferno. E não é por terem sido menos espertos do que os que ainda estão vivos, nem por terem planejado as coisas de tal forma que não lhes assegurou o escape. Se pudéssemos falar com eles, um a um, e perguntar-lhes se, quando vivos, esperavam ser vítimas de tamanha miséria, sem dúvida ouviríamos todos dizer: "Não, eu nunca pensei em vir para cá. Eu tinha esquematizado as coisas de maneira bem diferente. Pensei que iria conseguir algo melhor para mim, que meu plano era adequado. Pensei em me precaver melhor, mas tudo aconteceu de maneira tão repentina. Não esperava por isso naquela época, e nem daquela maneira. Mas tudo veio como um ladrão. A morte foi mais esperta que eu. A ira de Deus foi rápida demais para mim. Oh!, maldita insensatez! Eu me gabava, e me deleitava em sonhos vãos quanto ao que faria no futuro. E justamente quando eu mais falava de paz e segurança, me sobreveio uma súbita destruição."
10. Deus não se sujeita a nenhuma obrigação, nem a nenhuma promessa de manter o homem natural fora do inferno por um momento sequer. Ele não fez absolutamente nenhuma promessa de vida eterna, ou de libertação ou proteção da morte eterna, senão àquelas que estão contidas na aliança da graça – as promessas concedidas em Cristo, no qual todas as promessas são o sim e o amém. Mas obviamente os que não são filhos da aliança da graça não têm interesse na mesma, pois não crêem em nenhuma das suas promessas, e nem têm o menor interesse no Mediador dessa aliança.
Portanto, apesar de tudo que os homens possam imaginar ou pretender sobre promessas de salvação, devido suas lutas pessoais e buscas incessantes, deixamos claro e manifesto que qualquer desses esforços ou orações que se façam em relação à religião, será inútil. A não ser que creiam em Cristo, o Senhor, de modo nenhum Deus está obrigado a conservá-los fora da condenação eterna.
Então, os homens impenitentes estão detidos nas mãos de Deus por cima do abismo do inferno. Eles merecem o lago de fogo e para ele estão destinados. Deus se acha terrivelmente irritado. Seu furor para com eles é tão grande quanto para com aqueles que já estão agora sofrendo o suplício da fúria de sua ira no inferno. Esses ímpios não fizeram absolutamente nada para abrandar ou diminuir sua cólera, portanto o Senhor não está de modo algum preso a qualquer promessa de livramento, nem por um momento sequer. O diabo espera por eles, o inferno já escancarou a sua boca para tragá-los. O fogo latente em seus corações agrava-se agora querendo explodir. E como continuam sem o menor interesse no Mediador, não existem meios, ao alcance deles, que lhes possa dar segurança. Em suma, eles não têm refúgio e nada onde se segurar. O que os retém a cada instante é a absoluta boa vontade divina e a clemência sem compromisso, sem obrigação, de um Deus enraivecido.

Aplicação
Essa mensagem pode despertar as pessoas não convertidas para o significado do perigo que estão correndo. Isso que vocês escutaram é o caso de todo aquele que não está em Cristo. Esse mundo de tormento, isto é, o lago de enxofre incandescente, está aberto debaixo de vossos pés. Ali se encontra o terrível abismo de chamas que ardem com a fúria de Deus, e o inferno com sua imensa boca escancarada. E vocês não têm onde se apoiarem, nem coisa alguma onde se segurarem. Não existe nada entre vocês e o inferno, senão o ar, e só o poder e o favor de Deus podem vos suster.

Provavelmente vocês não têm consciência dessas coisas, acham que vão conseguir se livrar do inferno, e não vêem nisso tudo a mão de Deus. E olham as coisas ao seu redor, como o bom estado de vossa saúde física, os cuidados que tomam de vossas vidas, e os meios que usam para vossa própria preservação. Mas essas coisas não representam nada. Se Deus retirasse sua mal, elas de nada valeriam para impedir-vos a queda; elas valem tanto como a brisa tênue que tenta sustentar uma pessoa no ar.

Vossas iniqüidades vos fazem pesados como chumbo, pendentes para baixo, pressionados em direção ao inferno pelo próprio peso, e se Deus permitisse que caíssem vocês afundariam imediatamente, desceriam com a maior rapidez, e mergulhariam nesse abismo sem fundo. Vossa saúde, vossos cuidados e prudência, vossos melhores planos, toda a vossa retidão, de nada valeriam para sustentar-vos e conservar-vos fora do inferno. Seria como tentar segurar uma avalancha de pedras com uma teia de aranha. Se não fosse a misericórdia de Deus, a terra não suportaria vocês por um só momento, pois são uma carga para ela. A natureza geme por causa de vocês. A criação foi obrigada a se sujeitar à escravidão, involuntariamente, por causa da vossa corrupção. Não é com prazer que o sol brilha sobre vocês, para que sua luz vos alumie para pecarem e servirem a satanás. A terra não produz de bom grado os seus frutos para satisfazer vossa luxuria. Nem está disposta a servir de palco à exibição de vossas iniqüidades. Não é voluntariamente que o ar alimenta vossos corpos, mantendo viva a chama dos vossos corpos, enquanto vocês gastam a vida servindo os inimigos de Deus. As coisas criadas por Deus são boas e foram feitas para o homem, por meio delas, servisse ao Senhor. Não é com prazer que prestam serviço a outros propósitos, e gemem quando são ultrajadas ao servirem objetivos tão contrários à sua finalidade e natureza. E a própria terra vomitaria vocês se não fosse a mão soberana d'Aquele a quem vocês tanto tem ofendido. Eis aí as nuvens negras da ira de Deus pairando agora sobre vossas cabeças carregadas por uma tempestade ameaçadora, cheia de trovões. Não fosse a mão restringidora do Senhor, elas arrebentariam imediatamente sobre vocês. A misericórdia soberana de Deus, por enquanto, refreia esse vento impetuoso, do contrário ele sobreviria com fúria, vossa destruição ocorreria repentinamente, e vocês seriam como palha dispersada pelo vento.

A ira de Deus é como grandes águas represadas que crescem mais e mais, aumentam de volume, até que encontram uma saída. Quanto mais tempo a correnteza for reprimida, mais rápido e forte será o seu fluxo ao ser liberada. É verdade que até agora ainda não houve um julgamento por vossas obras más. A enchente da vingança de Deus encontra-se represada. Mas, por outro lado, vossa culpa cresce dava dez mais, e dia a dia vocês acumulam mais e mais ira contra si mesmos. As águas estão subindo continuamente, fazendo sua força aumentar mais e mais. Nada, a não ser a misericórdia de Deus, detém as águas, as quais não querem continuar represadas e forçam uma saída. Se Deus retirasse sua mão das comportas, elas se abririam imediatamente e o mar impetuoso da fúria e da ira de Deus iria se precipitar com furor inconcebível, e cairia sobre vocês com poder onipotente. E mesmo que vossa força fosse dez mil vezes maior do que é, sim, dez mil vezes maior do que a força do mais forte e vigoroso diabo do inferno, não valeria nada para resistir ou deter a ira divina.

O arco da ira de Deus já está preparado, e a flecha ajustada ao seu cordel. A justiça aponta a flecha para vosso coração, e estica o arco. E nada, senão a misericórdia de Deus – um Deus irado! – que não se compromete e a nada se obriga, impede que a flecha se embeba agora mesmo do vosso sangue. Assim estão todos vocês que nunca experimentaram uma transformação real em vossos corações pela ação poderosa do Espírito do Senhor em vossas almas – todos vocês que não nasceram de novo, nem foram feitos novas criaturas, ressurgindo da morte do pecado para um estado de luz, e para uma vida nova nunca experimentada antes. Por mais que vocês tenham modificado a conduta em muitas coisas, e tenham possuído simpatias religiosas, e até mantido uma forma pessoal de religião com vossas famílias e em particular, indo à casa do Senhor, sendo até severos quanto a isso, mesmo assim vocês estão nas mãos de um Deus irado. Somente sua misericórdia vos livra de ser, agora, neste momento, tragados pela destruição eterna. Por menos convencidos que vocês estejam agora quanto às verdades ouvidas, no porvir serão plenamente convencidos. Aqueles eu já se foram, e que estavam na mesma situação que a vossa, percebem que foi exatamente isso que lhes aconteceu, pois a destruição caiu de repente sobre muitos deles, quando menos esperavam, e quando mais afirmavam vier em paz e segurança. Agora eles vêem que aquelas coisas nas quais puseram sua confiança para obter paz e segurança eram nada mais que uma brisa ligeira e sombras vazias.

O Deus que vos mantém acima do abismo do inferno vos abomina; ele está terrivelmente irritado e seu furor contra vocês queima como fogo. Ele vê vocês como apenas dignos de serem lançados no fogo. E seus olhos são tão puros que não podem tolerar tal visão. Vocês são dez mil vezes mais abomináveis a seus olhos do que é a mais odiosa das serpentes venenosas para olhos humanos. Vocês o têm ofendido infinitamente mais do que qualquer rebelde obstinado ofenderia a um governante. No entanto, nada, a não ser a sua mão, pode impedir-vos de cair no fogo a qualquer momento. O fato de vocês não terem ido para o inferno a noite passada e de terem tido permissão para acordar ainda aqui neste mundo, depois de terem fechado os olhos ontem para dormir, atribui-se ao mesmo favor. Não existe outra razão porque vocês não foram lançados no inferno ao se levantarem pela manhã, a não ser o fato da mão de Deus ter-vos sustentado. E não existe outra razão porque vocês não caiam no inferno neste exato momento.

Oh!, pecador, pense no perigo terrível que se encontra! É sobre uma grande fornalha de furor, sobre um abismo imenso e sem fim, cheio do fogo da ira, que você está pendurado, seguro pela mão de Deus, cujo furor acha-se tão inflamado contra você, como contra muitas pessoas já condenadas no inferno. Você está suspenso por uma linha tênue, com as chamas da cólera divina lampejando à tua volta, prontas para atearem fogo e queimar-te por inteiro. E você continua sem interesse no Mediador, sem nada onde se agarrar para poder se salvar, nada que possa afastar as chamas da cólera divina, nada de teu próprio, nada que tenha feito ou possa vir a fazer, para persuadir o Senhor a poupar tua vida por um minuto sequer. Considere, então, mais detidamente, vários aspectos dessa cólera que te ameaça com tão grande perigo.

1. A quem pertence essa ira? É a ira do Deus infinito. Se fosse somente a ira humana, mesmo a do governante mais poderoso, comparativamente seria considerada como coisa pequena. A ira dos reis é bastante temida, principalmente dos monarcas absolutos, que possuem os bens e as vidas de seus súditos inteiramente sob o seu poder, para serem usados quando bem entenderem. "Como o bramido do leão é o terror do rei; o que lhe provoca a ira peca contra a sua própria vida." (Pv 20.2). O súdito que enfurece este tipo de governante arbitrário, sofre os maiores tormentos que se possa conceber, ou que o poder humano possa infligir. Porém, os maiores principados da terra, em toda a sua grandeza, majestade e poder, mesmo revestidos de seus grandes terrores, não são mais do que vermes débeis e desprezíveis que rastejam no pó, quando comparados com o grande e todo-poderoso criador e rei dos céus e da terra. Mesmo quando estão enraivecidos e sua fúria chega ao máximo, é muito pouco o que podem fazer. Os reis da terra são, perante Deus, como gafanhotos. Valem menos que nada. Tanto o seu amor quanto o seu ódio são desprezíveis. A ira do grande Rei dos reis é muito mais terrível do que a deles, tal como é maior a sua majestade. "Digo-vos, pois, amigos meus: não temais os que matam o corpo e, depois disso, nada mais podem fazer. Eu, porém, vos mostrarei a quem deveis temer: temei aquele que depois de matar, tem poder para lançar no inferno. Sim, digo-vos, a esse deveis temer". (Lc 12.4-5).
2. É à ferocidade de sua ira que vocês estão expostos. Lemos, com freqüência, sobre a ira de Deus, como por exemplo em Is 58.18. "Segundo as obras deles, assim retribuirá; furor aos seus adversários." E também em Is 66.15 "Porque, eis que o Senhor virá em fogo, e os seus carros como um torvelinho, para tornar a sua ira em furor, e a sua repreensão em chamas de fogo." E assim é em muitos outros lugares da Bíblia. Lemos também em ap 19.15: "... o lagar do vinho do furor da ira do Deus todo-poderoso." Essas palavras são incrivelmente aterradoras. Se estivesse escrito apenas a "ira de Deus", isso já nos faria supor algo bastante temível. Mas está escrito "o furor da ira de Deus", ou seja, a fúria de Deus, o furor de Jeová! Oh!, quão terrível deve ser esse furor! Quem pode exprimir ou conceber o que essas palavras contêm? Mas não é apenas isso que está escrito, e sim "o furor da ira do Deus Todo-Poderoso." Essas palavras dão a entender que uma grande manifestação de seu poder onipotente vai acontecer. Através dela ele infligirá aos homens todo o furor de sua ira. Assim como os homens costumam manifestar sua própria força através do furor de sua ira, a onipotência divina irá, da mesma forma, se enfurecer e se manifestar. Então, qual será a conseqüência de tudo isso? O que será do pobre verme que vier a sofrer todo este mal? Que mão serão tão fortes, e que coração conseguirá suportar tanto furor? A que terrível, inexprimível, inconcebível abismo de miséria irá chegar a pobre criatura humana que será vítima disso tudo!
Pensem bem, vocês que estão aqui agora, e que permanecem em estado pecaminoso. O fato de Deus vir a efetivar o furor da sua ira, torna implícito que ele infligirá esse castigo sem compaixão. Quando Deus olhar a indescritível aflição do vosso estado, e vir como vossos tormentos são absolutamente desproporcionais à vossa força, e como vossas pobres almas estão esmagadas, imersas em trevas eternas, não terá compaixão de vocês, não ira deter a execução de sua ira, ou, de forma alguma, tornar mais leve sua mão. Nessa hora Deus não usará de misericórdia para com vocês, nem conterá seu vento impetuoso. Ele não terá consideração para com o vosso bem estar, e nem irá evitar que vocês sofram. Na verdade, fará com que sofram na medida exata que sua rigorosa justiça vier a requerer. Nada será modificado só pelo fato de ser difícil para vocês suportarem. "Pelo que também eu os tratarei com furor; os meus olhos não pouparão, nem terei piedade. Ainda que me gritem aos ouvidos em alta voz, nem assim os ouvirei." (Ez 8.18). Deus está pronto, agora, a usar de compaixão com vocês. Hoje é o dia da misericórdia. Vocês podem clamar neste instante, e ter esperanças de alcançar sua graça. Mas quando o dia da misericórdia passar, vosso lamento, o pranto mais doloroso, os gritos, serão em vão. No que diz respeito ao vosso bem estar, vocês estarão completamente perdidos e alienados de Deus. O Senhor não terá outra opção senão a de entregar-vos ao sofrimento e à miséria. E vocês continuarão não tendo outra perspectiva, pois serão vasos de ira, preparados para a destruição. Não haverá outro uso qualquer para tais vasos, senão o de enchê-los da ira de Deus. Quando clamarem ao Senhor, ele estará tão longe de consolar-vos que, inclusive, está escrito a este respeito que Deus irá, simplesmente, 'rir e zombar' de vocês (Pv 1.25-26).
Vejam quão terríveis são estas palavras do grande Senhor: "O lagar eu o pisei sozinho, e dos povos nenhum homem se achava comigo; pisei as uvas na minha ira; no meu furor as esmaguei, e o seu sangue me salpicou as vestes e me manchou o traje todo." (Is 63.3). É quase impossível se conceber palavras que tragam em si uma manifestação maior destas três coisas: desprezo, ódio e fúria de indignação. Se clamarem a Deus por consolo, ele estará longe de querer vir consolar-vos, ou de querer demonstrar-vos interesse ou favor. Ao contrario, o Senhor simplesmente irá esmagar-vos sob seus pés. E apesar de saber que, ao pisotear-vos, vocês não poderão suportar o peso de sua onipotência, ainda assim ele não vai se importar, e irá esmagar-vos debaixo de seus pés, sem piedade, espremendo o vosso sangue e fazendo com que o mesmo espirre longe, manchando suas vestes, maculando seu traje. Ele não só irá odiar-vos, como devotará a vós o maior desprezo. Lugar algum será considerado próprio para vocês, a não ser debaixo de seus pés, para serem pisados como a lama das ruas.
3. A miséria a que vocês estão sujeitos é aquela que Deus vos infligirá, a fim de demonstrar a força da ira do Senhor, Deus tem em seu coração a intenção de mostrar aos anjos e aos homens, não só a excelência do seu amor, como a severidade de seu furor. Às vezes os governantes da terra resolvem mostrar a força de sua ira através de castigos extremos que mandam infligir sobre aqueles que os enfurecem. Nabucodonosor, o poderoso e arrogante rei do império dos caldeus, demonstrou seu furor quando, ao se irritar com Sadraque, Mesaque e Abdenego, ordenou que se acendesse a fornalha de fogo ardente sete vezes mais do que o normal. Como era de se esperar, a fornalha foi aquecida intensamente, até atingir o mais alto grau que poderia produzir. O grande Deus também quer revelar a sua ira, e exaltar sua tremenda majestade e grandioso poder através dos sofrimentos desmedidos de seus amigos. "Que diremos, pois, se Deus querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos da ira, preparados para a perdição." (Romanos 9.22). E visto que esse é o seu desígnio e o que ele determinou, ou seja, mostrar quão terrível e ilimitada é a ira, a fúria e a indignação do Senhor, ele o mostrará realmente. Será realizado algo horrendo, muito terrível. Quando o grande e furioso Deus tiver se levantado e executado sua terrível vingança sobre o mísero pecador, e o desgraçado estiver sofrendo o peso e o poder infinito de sua indignação, então Deus chamará o universo inteiro para contemplar a imensa majestade e o tremendo poder que nele existe. "Os povos serão queimados como se queima a cal, como espinhos cortados arderão no fogo." "Ouvi vós os que estais longe, o que tenho feito; e vós, que estais perto, reconhecei o meu poder. Os pecadores em Sião se assombram, o tremor se apodera dos ímpios; e eles perguntam: quem dentre nós habitará com o fogo devorador? Quem dentre nós habitará com chamas eternas?" (Isaías 33.12-14).
Assim será com vocês que não são convertidos, se permanecerem neste estado. O poder infinito, a majestade e a grandiosidade do Deus onipotente serão exaltados em vocês através da inexprimível força dos tormentos que vos sobrevirão. Vocês serão atormentados na presença dos santos anjos e na presença do Cordeiro. E quando estiverem nesse estado de sofrimento, os gloriosos habitantes do céu sairão para contemplar esse espetáculo horrendo, e verão como é a fúria do Todo-poderoso. E quando virem todas essas coisas, se prostrarão e adorarão seu grande poder e majestade. "E será que de uma lua nova à outra, e de um sábado a outro, virá toda a carne a adorar perante mim, diz o Senhor. Eles sairão, e verão os cadáveres dos homens que prevaricaram contra mim; porque o seu verme nunca morrerá, nem o seu fogo se apagará; e eles serão um horror para toda a carne." (Isaías 66.23-24).
4. É uma ira eterna. Já seria algo terrível sobre o furor e a cólera do Deus Todo-poderoso por um momento. Mas vocês terão de sofrê-la por toda a eternidade. Essa intensa e horrenda miséria não terá fim. Ao olhar para o futuro, vocês verão à frente uma interminável eternidade, de duração infinita, que irá devorar vossos pensamentos e assombrar vossas almas. E vocês irão se desesperar, com certeza, por não conseguirem nenhum livramento, termo, alívio ou descanso para tanta dor. Saberão também, que terão de sofrer até à última gota por longos séculos, por milhões e milhões de anos, lutando e pelejando contra essa vingança inclemente e todo-poderosa. Então, depois de passar por tudo isso, quando tantos séculos vos tiverem consumido, saberão que tudo não passa apenas de uma gota d'água quando comparado ao que ainda resta. Portanto, vosso castigo será, com certeza, infinito. Oh!, quem poderia exprimir o estado de uma alma em tais circunstâncias? Tudo o que pudermos dizer sobre o assunto, vai nos dar, apenas, uma débil e frágil visão da realidade. Ela é inexprimível, inconcebível, pois "Quem conhece o poder da ira de Deus?"
Que horrendo é o estado daqueles que diariamente, a cada hora, se encontram em perigo de sofrer tamanha ira e infinita miséria! Mas esse é o caso sinistro de toda alma que ainda não nasceu de novo, por mais moral, austera, sóbria e religiosa que seja. Queira Deus vocês pensassem em todas essas coisas, sejam jovens ou velhos. Há razões de sobra para acreditar que muitos daqueles que ouviram o evangelho certamente estarão expostos a esse tormento por toda a eternidade. Não sabemos quem são eles, nem o que pensam. Pode ser que estejam tranqüilos agora, escutando esta mensagem sem se perturbarem muito, e que estejam até se gabando de que, no caso deles, conseguirão escapar. Se soubéssemos que dentre os nossos conhecidos existe uma pessoa, uma só, sujeita a sofrer tal tormento como seria doloroso para nós encarar o assunto. Se conhecêssemos essa pessoa, sempre que a víssemos uma tal visão seria terrível para nós. Iríamos todos levantar grande choro, e prantear por sua causa. Mas, infelizmente, em vez de uma pessoa só, é provável que muitos se lembrem destas exortações somente no inferno! E inúmeras pessoas podem estar no inferno em breve tempo, antes mesmo do ano terminar. E aqueles que estão agora com saúde, tranqüilos e seguros, podem chegar lá antes do amanhecer. Todos os que dentre vocês continuarem até o fim em estado natural pecaminoso, e que conseguirem ficar fora do inferno por mais tempo, estarão lá também em breve. Sua condenação não tardará; virá de súbito, e provavelmente para muitos de vocês, de maneira repentina. Vocês têm toda razão em se admirarem de não estar ainda no inferno. É ocaso, por exemplo, de alguns conhecidos seus, que não mereciam o inferno mais do que vocês e que antes aparentavam ter possibilidade de estarem vivos agora tanto quanto vocês. Para o caso deles já não há esperança. Estão clamando lá em extrema penúria e perfeito desespero. Mas aqui estão vocês, na terra dos vivos, cercados pelos meios de graça, tendo a grande oportunidade de obter a salvação. O que não dariam aquelas pobres almas condenadas, desesperadas, pela oportunidade de viver mais um só dia, como que vocês desfrutam neste momento!
E agora vocês têm uma excelente ocasião. Hoje é o dia em que Cristo abre as portas da misericórdia de par em par, e se coloca de pé clamando e chamando em alta voz aos pobres pecadores. Este é o dia em que muitos estão se reunindo a ele, se apressando em chegar ao reino de Deus. Inúmeros estão vindo diariamente do norte, sul, leste e oeste. Muitos que estavam até bem pouco tempo nas mesmas condições miseráveis que vocês estão felizes agora, com os corações cheios de amor por Aquele que os amou primeiro, e os lavou de seus pecados com seu próprio sangue, regozijando-se na esperança de ver a glória de Deus. Como é terrível ser deixado para trás num dia assim! Ver os outros se banqueteando, enquanto vocês estão penando e se definhando! Ver os outros se regozijando e cantando com alegria no coração, enquanto vocês só têm motivos para prantear por causa do sofrimento de seus corações, e de lamentar por causa das aflições e vossas almas! Como podem vocês descansar por um momento sequer em tal estado de alma? Será que vossas almas não são tão preciosas como as almas daqueles que, dia a dia, estão se juntando ao rebanho de Cristo?
Não existem, porventura, muitos que, apesar de estarem há longo tempo neste mundo, até hoje não nasceram de novo, e por isso são estranhos à comunidade de Israel, e nada têm feito durante a vida, a não ser acumular ira sobre ira para o dia do castigo? Oh! senhores, o caso de vocês é, sem dúvida, extremamente perigoso. A dureza de vossos corações e a vossa culpa são imensas. Acaso vocês não vêem como geralmente pessoas de vossa idade são deixadas para trás na dispensação da misericórdia de Deus? Vocês precisam refletir e despertar de vosso sono, pois jamais poderão suportar a fúria e a ira do Deus infinito. E vocês que são rapazes e moças, irão negligenciar este tempo precioso que desfrutam agora, quando tantos outros jovens de vossa idade estão renunciando às futilidades da juventude e acorrendo céleres a Cristo? Vocês têm neste momento uma oportunidade, mas se a desprezarem, sucederá o mesmo que agora está acontecendo com todos aqueles que gastaram em pecado os dias mais preciosos de sua mocidade, chegando a uma terrível situação de cegueira e insensibilidade. E vocês crianças, que não se converteram ainda, não sabem que estão indo para o inferno onde sofrerão a horrenda ira daquele Deus que agora está encolerizado contra vocês dia e noite? Será que vocês ficarão felizes em ser filhos do diabo, quando tantas outras já se converteram e se tornaram filhos santos e alegres do Rei dos reis?
Queira Deus todos aqueles que ainda estão fora de Cristo, pendentes sobre o abismo do inferno, quer sejam senhoras e senhores idosos, ou pessoas de meia idade, quer jovens ou crianças, que possam dar ouvidos agora aos chamados da Palavra e da providência de Deus. Este ano aceitável do Senhor que é um dia de grandes misericórdias para alguns, sem dúvida será um dia de extremo castigo para outros. Quando negligenciam suas almas os corações dos homens se endurece, e a sua culpa aumenta rapidamente. Podem estar certos, porém, que agora será como foi nos dias de João Batista. O machado está posto à raiz das árvores; e toda árvore que não produz fruto, deve ser cortada e lançada no fogo.
Portanto, todo aquele que está fora de Cristo, desperte e fuja da ira vindoura. A ira do Deus Todo-poderoso paira agora sobre todos os pecadores. Que cada um fuja de Sodoma: " Livra-te, salva a tua vida; não olhes para trás, nem pares em toda a campina; foge para o monte, para que não pereças ."
E assim, conhecendo o temor do Senhor, persuadimos aos homens”. “De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus”. (II Coríntios 5.11-20; 6.2). “Buscai o Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo os seus pensamentos; converta-se ao Senhor, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar” . (Isaías 55.6-7). Amém.


Sermão traduzido e publicado pela Editora PES . Não distribua sem a devida autorização da editora. Contribua para que novas preciosidades sejam traduzidas: adquira já o seu exemplar! Clique aqui.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Santidade ao Senhor!

Paulo se dirige a pessoas vivas e aqui, como é costume em suas cartas, ele as saúda como "santos".

 A Palavra "santos" significa "separado", e sua raiz no hebraico é a mesma das palavras "santificado" e "sagrado".

 No momento em que nascemos de novo, Deus nos separa do mundo (ou seja, ele nos santifica) para si. 

Ao se dirigir à igreja de Corinto, Paulo escreveu:

"...aos santificados em Cristo Jesus, chamados santos, com todos os que em todo o lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Coríntios 1:2).

Portanto, santo não é quem viveu uma vida "santa", mas é um pecador perdoado que invocou o nome de Jesus e foi tornado justo pela graça de Deus.

Que Deus nos ajude a compreender essas verdades!

https://www.facebook.com/pages/Fundamentado-na-Palavra/530259797053298?fref=nf

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Ele quer misericórdia. ..

Senhor Jesus ordenou aos fariseus e escribas que aprendessem o significado da ordem:

-‘Misericórdia quero, e não sacrifício Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício” ( Mt 9:13 ), certamente porque aqueles homens doutos da religião judaica desconheciam o significado da ordem divina.

Os escribas e fariseus eram homens versados na lei mosaica e estudavam os salmos e os profetas. Inclusive consideravam o povo como malditos porque nada conheciam da lei ( Jo 7:49 ).

Mas, adespeito de todo conhecimento que julgavam ter, Jeus mandou que fossem e aprendessem o significado da Escritura que diz:‘Misericordia quero, e não sacrifícios’ ( Os 6:6 ).

Se os doutores à época desconheciam o verdadeiro significado do exigido por Deus, será que o homem do nosso tempo conseguiu aprender o que Jesus ordenou?

Qual é a misericórdia que Deus exige?

É suficiente ir aos dicionários e pesquisar o sentido do termo ‘misericórdia’?

O que dizem os dicionários?É comum ouvir que ‘misericórdia’ diz de uma virtude, ou um sentimento que leva os homens a se compadecerem da miséria alheia.

Termos como: piedade, compaixão, amor, caridade, etc., são traduzidos por misericórdia e comumente utilizados para fazer referencia ao sentimento despertado diante da infelicidade do outro.

O significado bíblico de misericória encontra-se no evento em que Samuel repreende o rei Saul, portanto se faz necessário rever todas as nuances da história que narra o exterminio dos amalequitas.

Quando o povo de Israel foi tirado do Egito, os Amaleuquitas sairam ao campo de batalha contra Israel, e Deus fez o seguinte juramento: 

“Escreve isto para memória num livro, e relata-o aos ouvidos de Josué; que eu totalmente hei de riscar a memória de Amaleque de debaixo dos céus” ( Ex 17:14 ).

Por se acharem justos é que Jesus conta a parábola das cem ovelhas, demonstrando que a ‘ovelha perdida’ são aqueles que reconhecem a sua real condição e, por isso, Jesus veio em busca delas, e as ‘noventa e nove ovelhas no deserto’ referem-se àqueles que são justos aos seus próprios olhos, pois presumem que não estão perdidas e que não necessitam de arrependimento “Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que pornoventa e nove justos que não necessitam de arrependimento” ( Lc 15:7 ).

 Para aprenderem o que significa ‘misericórdia quero’, os escribas e fariseus teriam que ler Oseias 6, onde vem expresso o convite para se converterem ao Senhor, pois foi Deus quem os despedaçou e feriu, mas caso arrependessem, Deus haveria de sará-los “VINDE, e tornemos ao SENHOR, porque ele despedaçou, e nos sarará; feriu, e nos atará a ferida.

Depois de dois dias nos dará a vida; ao terceiro dia nos ressuscitará, e viveremos diante dele” ( Os 6:1 ; Dt 28:63 ). 

http://www.estudobiblico.org/licoes-biblicas/analise-biblica/parabola/750-o-significado-biblico-de-misericordia-quero-e-nao-sacrificio

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Deus é totalmente Digno! 

Este deveria ser nosso pensamento ao acordar e ao dormir, porque tudo é pra Ele e por ele.

Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém. Romanos 11:36

Toda honra ao Senhor Deus de Israel!

Porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo. 1 Pedro 1:16

Não é fácil viver em santidade, não é fácil abrir mão das coisas que nossa carne deseja, no entanto, vale a pena todo o esforço para permanecer fiel aos mandamentos de Deus.

Ele preparou um lugar lindo, para onde vão todos os que confiam Nele e O obedecem. 

Persevere em oração e comunhão, tudo que você pode chegar a conquistar neste mundo não se compara com as coisas que Deus tem reservado para nós nos céus!

A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome.Apocalipse 3:12


“Porque para Deus somos o bom perfume de Cristo, nos que se salvam e nos que se perdem. Para estes certamente cheiro de morte para morte; mas para aqueles cheiro de vida para vida. E para estas coisas quem é idôneo?” 2 Coríntios 2:15-16
Estas são palavras de Paulo expressas em próprio nome e em nome dos apóstolos. São verdadeiras no que concerne a todos aqueles que são eleitos pelo Espírito, preparados e enviados a vinha para pregar o Evangelho de Deus. Sempre admirei o versículo 14 deste capítulo, especialmente quando recordo os lábios que as pronunciarão: “E graças a Deus, que sempre nos faz triunfar em Cristo, e por meio de nós manifesta em todo o lugar a fragrância do seu conhecimento”.
 Imaginemos a Paulo, já um ancião, nos dizendo: “Cinco vezes recebi dos judeus quarenta açoites menos um”, que depois foi arrastado como morto, o homem dos grandes sofrimentos, que havia passado através de mares de perseguições; pensemos quando disse, no fim de sua carreira ministerial: “Mas graças a Deus, que faz que sempre nos triunfemos em Cristo!” Triunfar quando se naufragou, triunfar apesar de ter sido flagelado, triunfar havendo sido torturado, triunfar ao ser apedrejado, triunfar em meio ao escárnio do mundo! Triunfar ao ser expulso de uma cidade e ter que sacudir o pó dos seus pés! Triunfar em todo momento em Cristo Jesus!
 Agora, se alguns dos ministros de nossa época falassem desse modo, não daríamos muita importância as suas palavras, pois gozam do aplauso do mundo. Sempre podem ir em paz para suas casas. Alguns crentes os admiram, e não possuem inimigos declarados; contra eles nem sequer um cão moveria sua língua, tudo é seguro e agradável. Se dizem, “Mas graças a Deus, que sempre nos conduz vitoriosamente em Cristo”, não nos comovem; mas se alguém como Paulo fala, tão pisoteado, tão torturado e tão afligido, podemos considerá-lo um herói. Aqui está um homem que tinha verdadeira fé em Deus e no caráter divino de sua missão.
 E quão doce é, meus irmãos, o consolo que Paulo aplicava a seu próprio coração no meio de todas as suas calamidades. Dizia que, apesar de tudo, Deus “por nosso intermédio exala em todo lugar a fragrância do seu conhecimento.” Ah! Com este pensamento um ministro pode dormir tranquilo em seu leito: “Deus manifesta em todo lugar a fragrância de seu conhecimento.” Com isso, pode fechar seus olhos quando acabar sua carreira e abri-los no céu: “Deus, através de mim, manifestou em todo lugar a fragrância de seu conhecimento”.
 Sigam, pois, as palavras do meu texto, que vou expor dividindo-o em três partes. Nossa primeira observação será que, ainda que o Evangelho seja uma “boa fragrância” em todo lugar, produz, contudo, efeitos diferentes em pessoas diferentes: “Para estes somos cheiros de morte, para aqueles fragrância de vida.” Nossa segunda observação será que os ministros do Evangelho não são responsáveis pelo seu sucesso, porque está escrito: “Para Deus somos fragrância do seu conhecimento entre os que estão sendo salvos e os que estão perecendo.” E em terceiro lugar, a carga do ministro do Evangelho não é leve, o seu dever é muito pesado. O Apóstolo mesmo disse, “e para estas coisas quem é idôneo?”.
 I. Nossa primeira observação é que O EVANGELHO PRODUZ EFEITOS DIFERENTES. Pode parecer incrível, mas é estranhamente certo que há poucas coisas boas no mundo das que não se desprendam algum mal. Observemos como brilha o sol, seus raios amolecem a cera e endurecem a argila; no trópico fazem com que a vegetação seja extremamente exuberante, e que amadureçam os mais ricos e escolhidos frutos e se deem as flores mais belas, mas quem não sabe que naqueles lugares prosperam os piores repteis e as mais venenosas serpentes da terra?
 Assim acontece com o Evangelho. Embora seja o sol da justiça para o mundo, ainda que seja o melhor presente de Deus e nada pode ser comparado a imensidão dos benefícios que concede a raça humana, apesar de tudo, devemos confessar que, às vezes, é “cheiro de morte para morte.” Mas não devemos culpar disso o Evangelho; a culpa não é da verdade de Deus, mas daqueles que não aceitam recebê-la. É “cheiro de vida para vida” para todo aquele que a ouve com um coração aberto para recebê-la. E é somente “morte para morte”, para o homem que odeia a verdade, que a difama, que zomba dela, e tenta opor-se ao seu avanço. Em primeiro lugar, pois, vamos falar desse caráter.
 1. O Evangelho é para alguns homens, “cheiro de morte para morte.” Agora, isto depende em grande parte do que é o Evangelho; porque há algumas coisas chamadas “Evangelho”, que são “cheiro de morte para morte” para todos aqueles que as ouvem. O pregador John Berridge dizia que pregou a moralidade até que não houvesse um só homem moral; porque o modo mais seguro de prejudicar a moralidade é a pregação legalista. A pregação das boas obras e a exortação aos homens à santidade como meio de salvação são muito admiradas na teoria, mas na prática se demonstram, não somente que são ineficazes, mas, e isso é o pior, que às vezes se convertem em “cheiro de morte para morte”.
 Assim tem sido comprovado; e creio que mesmo o grande Chalmers confessou que durante anos e anos antes de conhecer ao Senhor, não pregou outra coisa a não ser moralidade e preceitos, mas nunca viu a nenhum beberrão convertido pelo mero feito de lhe mostrar os males da embriaguez. Nem viu a nenhum blasfemo que deixasse de blasfemar porque lhe dissera quão odioso era seu pecado. Quando começou a pregar o amor de Jesus, quando pregou o Evangelho como é em Cristo, em toda sua claridade, plenitude e poder, e a doutrina que “pela graça somos salvos por meio da fé; e isto não vem de nós, pois é dom de Deus” foi quando conheceu o sucesso. Quando pregou a salvação pela fé, multidões de beberrões jogaram fora seus copos e os blasfemos freiaram suas línguas, os ladrões se fizeram honrados, e os injustos e ímpios se inclinaram para o cetro de Jesus.
 Mas devem reconhecer como lhes disse antes, que ainda que o Evangelho produza geralmente o melhor dos efeitos em quase todos aqueles que o ouvem, seja afastando-os do pecado ou fazendo-lhes abraçar a Cristo, e isto é, contudo, um feito grande e solene, e sobre o qual dificilmente sei como falar nesta manhã que, para muitos homens, a pregação do Evangelho de Cristo é “morte para morte”, e ao invés de produzir bem produz mal.
 E o primeiro sentido é o seguinte: Muitos homens se endurecem em seus pecados ao ouvirem o Evangelho. Oh, que verdade mais terrível e solene é que, de todos os pecadores, alguns pecadores do santuário são os piores. Aqueles que podem mergulhar no pecado, e tem consciência mais tranquila e o coração mais duro, se encontram na própria casa de Deus. Eu sei bem que um ministro fiel servirá de estímulo aos homens, e as advertências severas de um Boanerges muitas vezes lhes fazem estremecer. Igualmente, estou consciente que a Palavra de Deus faz as vezes que seu sangue se coagule em suas veias; mas sei também – porque os tenho visto – que há muitos que convertem a graça de Deus em libertinagem, e até mesmo fazem da verdade de Deus um pretexto para o diabo, e profanam a graça de Deus para justificar seu pecado. A tais homens eu encontrei entre aqueles que ouvem as doutrinas da graça em toda sua plenitude. São os que afirmam: “Sou eleito, por isso posso blasfemar, sou um dos que foram escolhidos por Deus antes da fundação do mundo, assim posso viver da maneira que quiser”.
 Tenho visto um homem que, em cima de uma mesa de bar e segurando uma garrafa em sua mão, dizia: “Companheiros! Eu posso fazer e dizer mais que qualquer de vocês, eu sou um desses que estão redimidos pelo precioso sangue de Jesus”; e em seguida bebeu sua garrafa de cerveja e começou a cantar diante dos demais, enquanto cantava canções vis e blasfemas.  Aqui está um homem para quem o Evangelho é “cheiro de morte para morte”. Ouve a verdade, mas a perverte; toma aquilo que está posto por Deus para o seu bem e o utiliza para suicidar-se. A faca que foi lhe dada para abrir os segredos do Evangelho, volta-se contra seu próprio coração. A mais pura de todas as verdades e a mais elevada de todas as moralidades é convertida para encobrir seus vícios, e faz dela um andaime que o ajuda a construir o edifício de suas maldades e pecados.
 Há alguém aqui como esse homem, que gosta de ouvir o Evangelho, como vocês o chamam, e não obstante viva impuramente? Que podem dizer que são filhos de Deus, e apesar disso se comportam como vassalos que servem a Satanás? Saibam bem que vocês são mentirosos e hipócritas, porque a verdade não está de maneira alguma em vocês. “Qualquer que é nascido de Deus, não peca.” Aos eleitos de Deus não lhes permitirá cair permanentemente em pecado; eles nunca “converterão a graça de Deus em libertinagem”, mas em tudo o que depende deles, se esforçarão para permanecerem perto de Jesus. Tenham isto por seguro: “Pelos seus frutos os conhecereis.” “Assim também, toda árvore boa dá bons frutos, mas a árvore podre dá maus frutos. A árvore boa não pode dar frutos ruins, nem a árvore ruim pode dar frutos bons.” No entanto, essas pessoas estão continuamente pervertendo o Evangelho em maldade. Pecam com arrogância pelo mero feito de ouvirem o que eles consideram serem desculpas para seus vícios.
 Não encontro outra coisa debaixo do céu, que possa extraviar tanto os homens, como um Evangelho distorcido. Uma verdade distorcidada é, geralmente, pior que uma doutrina que todos sabem ser falsa.  Igual que o fogo, um dos elementos mais úteis pode causar o mais intenso incêndio, assim é o Evangelho, que é o melhor que possuímos, pode converter-se na mais vil das causas. Este é um sentido na qual o Evangelho é “cheiro de morte para morte.”
 ii. Mas há algo mais. É um feito que o Evangelho de Jesus Cristo aumentará a condenaçãode alguns homens no dia do juízo final. De novo me espanto ao dizer, porque é um pensamento extremamente horrível para aventurar-se a falar dele; que o Evangelho de Cristo vai fazer do Inferno para alguns homens um lugar ainda mais terrível do que poderia ter sido. Todos os homens seriam lançados no inferno se não fosse o Evangelho. A graça de Deus irá redimir “uma grande multidão, da qual não se pode contar”; guardará um exército incontável que será salvo pelo Senhor com salvação eterna; mas, ao mesmo tempo, aqueles que a rejeitam lhes fará mais terrível a condenação. E aqui está o porquê:
 Primeiramente, porque os homens pecam contra uma luz superior, e a luz que possuímos é uma excelente medida para nossa culpa. O que um nômade pode fazer sem que para ele seja delito, para mim pode ser o maior dos pecados, pois estou melhor instruído; e o que alguém pode fazer em Londres com impunidade – me refiro a um pecado contra Deus que não seja excessivamente grande – poderia me parecer a maior das transgressões, porque desde minha juventude fui instruído na piedade. O Evangelho vem sobre os homems como a luz do céu. Que errante deve andar o que se extravia na luz! Se o cego cai em uma vala, podemos nos compadecer, mas se um homem com a luz em seus olhos se joga do precipício e perde sua alma, não é impossível a compaixão?
 “Como merecem o inferno mais profundo
Aqueles que menosprezam os gozos do céu!
Que cadeias de vingança deverão sentir
Os que burlam do amor soberano!”
Repito-lhes que a condenação de todos vocês aumentará, a menos que encontrem a Jesucristo o Salvador; porque ter a luz e não haver andado por meio dela será a essência mesma da condenação. Este será o vírus da culpa: “que a luz vem ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque suas obras eram más.”
 A condenação de vocês será também maior se vocês se opõem ao Evangelho. Se Deus tem um plano de misericórdia e o homem se levanta contra Ele, não será grande o seu pecado? Não foi imensa a culpa que caiu sobre homens como Pilatos, Herodes e os judeus? Oh! Quem pode imaginar a condenação daqueles que gritaram: “Crucifica-o! Crucifica-o!” E que lugar do fogo do inferno arderá com força suficiente para o homem que difama o ministro de Deus, para o que fala mal do seu povo, que odeia a verdade, e que, se pudesse, apagaria da terra todo rastro de piedade? Queira Deus ajudar o blasfemo e ao infiel! Deus salve suas almas, se me dessem a escolher entre todos os homens, jamais escolheria ser como um desses.
 Vocês pensam, senhores, que Deus não levará em conta o que os homens dizem: Um maldisse a Cristo, chamando-o de charlatão. Outro declarou – sabendo que mentia – que o Evangelho é falso. Um terceiro tem proclamado suas máximas licenciosas, e depois apontou à palavra de Deus dizendo: “Há coisas piores nela!” E outro tem insultado os ministros de Deus ridicularizando suas imperfeições. Creem que Deus esquecerá de tudo isso no último dia? Quando seus inimigos se apresentem diante Dele, Ele os tomará pela mão  e dirá: “Outro dia chamaste meu servo de cão, e guspiste sobre ele, e por isso pensa que te darei o céu?” Não; se o pecado não foi lavado pelo sangue de Cristo, dirás: “Vá embora, maldito, ao inferno de que zombava!; abandona o céu que você desprezava, e aprenda que, mesmo que você disse que não havia Deus, esta destra te ensinará enternamente a lição que há sim um Deus, porque aquele que não me descobriu por minhas obras de benevolência, saberá de mim por meus feitos de vingança; assim pois te digo: Aparta-te!” Aqueles que tem se oposto a verdade de Deus, o castigo lhes será aumentado. Agora, não é esta uma visão solene de que o Evangelho é para muitos “cheiro de morte para morte”?
iii. Consideraremos ainda outro sentido. Creio que o Evangelho faz alguns seres deste mundo mais desgraçados do que pudessem ter sido. O bêbado poderia beber e se alegrar em sua embriaguez com maior alegria, se não ouvisse: “Todos os bêbados têm a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre.” Quão jovialmente o transgressor do Domingo excitaria durante todo o dia se a Bíblia não dissesse: “Lembra-te do dia de sábado para o santificar!” E quão felizmente poderia lançar-se em sua carreira louca o libertino e o licencioso se não estivesse dito: “E aos homens está ordenando morrer uma vez, e depois vem o juízo!” Mas a verdade coloca amargura em suas copas; os avisos de Deus congela a corrente de sua alma. O Evangelho é como o esqueleto na festa egípcia: ainda que durante o dia riem dele, pela noite tremem como folhas de álamo branco, e quando as sombras do entardecer caem sobre eles, se estremecem ao menor sussurro. Diante do pensamento de sua condição futura, sua alegria se torna em tristeza, e a imortalidade, ao invés de ser um presente para ele, é , só de pensar nisso, o tormento de sua existência. As doces palavras de amor da misericórdia não são para eles mais harmoniosas que o estrondo do trovão, pois sabem que a menosprezam. Sim, tenho conhecido alguns que foram tão desagraciados por causa do Evangelho, recusando-se a abandonar seus pecados, estando a ponto de se suicidarem. Oh! Que pensamento terrível! O Evangelho é “cheiro de morte para morte” para quantos que estão aqui hoje assim? Quem está ouvindo agora a palavra de Deus para ser condenado por ela? Quem sairá daqui para ser endurecido pela voz da verdade? Assim será para todo homem que não crê nela; porque para aqueles que a recebem é “cheiro de vida para vida”, mas para os incrédulos é uma maldição, e “cheiro de morte para morte.”
 2. Mas, bendito seja Deus, o Evangelho tem um segundo poder. Além de ser “morte para morte”, é “cheiro de vida para vida” Ah meus irmãos, alguns de nós, poderíamos falar, se isso nos foi entregue esta manhã, do Evangelho de “cheiro de vida” para nós. Olhemos novamente para trás, naquela hora em que estávamos “mortos em delitos e pecados.” Em vão todos os trovões do Sinai, em vão os avisos dos atalaias: dormíamos num sono moral de nossas culpas, e nem um anjo poderia nos despertar. E contemplemos também, com alegria, aquela hora em que entramos pela primeira vez dentro dos muros de um santuário e, para nossa salvação, ouvimos a voz da misericórdia.
 Com alguns de vocês isso ocorreu a poucas semanas. Eu sei onde estão e quem são; faz poucas semanas ou alguns meses, tambem vocês estavam longe de Deus, mas tem sido levados a amá-lo. Lembre meu irmão cristão, aquele momento em que o Evangelho foi para você “cheiro de vida”, quando o separou dos seus pecados, renunciou a suas concupisciências, e se voltando para Palavra de Deus, a recebeu de todo o coração. Ah, aquela hora, a mais doce de todas! Nada pode se comparar a ela. Conheci uma pessoa que durante quarenta ou cinquenta anos havia permanecido completamente surda; uma manhã, sentada na porta de sua casa, enquanto passavam alguns veículos diante dela, creu ter ouvido uma música melodiosa. Não era música, era somente o ruído das carruagens. Seu ouvido se abriu repentinamente, e aquele som comum lhe pareceu como música celestial, porque era a primeira vez que ouvia em tantos anos. De forma semelhante, a primeira vez que nossos ouvidos se abriram para ouvir as palavras de amor, a segurança de nosso perdão, ouvimos a palavra como nunca havíamos ouvido antes até então; nunca nos pareceu tão doce, e talvez, ainda sobre estes momentos, olhamos para trás e dizemos:
 “Que horas de paz eu desfrutei, então!
Quão doce é sua memória, todavia!”
Quando pela primeira vez foi “cheiro de vida” para nossas almas. Assim, pois, meus amados, se alguma vez foi “cheiro de vida”, sempre o será; porque não está escrito que seja cheiro de vida para morte, mas “cheiro de vida para vida.” Ao chegar a este ponto, devo dirigir outro golpe aos meus antagonistas os arminianos; não posso remediá-lo. Eles argumentam que, às vezes, o Evangelho é cheiro de vida para morte. Dizem-nos que um homem pode receber vida espiritual, e não obstante, morrer eternamente; quer dizer, pode ser perdoado e, depois, castigado; pode ser justificado de todo pecado, e, no entanto, suas transgressões podem ser carregadas de novo sobre suas costas. Dizem que um homem pode ter nascido de Deus, e não obstante morrer, pode ser amado por Deus, e apesar disso, Deus pode odiá-lo amanhã.
 Oh! Não posso suportar o falar de tais doutrinas cheias de mentiras; que creiam nelas os que querem. Pois a meu respeito, creio tão profundamente no amor imutável de Jesus,que suponho se um crente estivesse no inferno, o mesmo Cristo não estaria muito tempo no céu sem gritar: “Ao resgate! Ao resgate!” Oh, se Jesus Cristo estivesse na glória e de sua coroa faltasse uma de suas pedras preciosas, qual Satánas a possuisse no inferno, este diria: “Olhe, Príncipe da luz e da glória, tenho em meu poder uma de suas joias!” E segurando-lhe no alto, gritaria:” Você deu a sua vida por este homem, mas não tem poder suficiente para salvar a si mesmo; Você o amou uma vez, mas onde está seu amor? De nada lhe serve porque depois você o odiou!” E como riria malevolamente daquele herdeiro do céu, dizendo: “Este homem foi redimido; Jesus Cristo o comprou com seu sangue.” E o jogando nas profundezas do inferno com grandes gargalhadas diria: “Toma redimido”! Olhe como posso roubar o Filho de Deus!”. E com alegria maligna continuaria repetindo: “Este homem foi perdoado, contemplem a justiça de Deus! É castigado depois de haver recebido perdão. Cristo sofreu por seus pecados e, não obstante, eu o possuo; porque Deus o tem castigado duas vezes!” Vocês creem que se poderá dizer isso alguma vez? Ah! Não. É “cheiro de vida para vida” e, não cheiro de morte para morte.
 Sigam com esse evangelho indigino; preguem onde queiram; mas meu Senhor disse: “Eu dou as minhas ovelhas a vida eterna.” Vocês dão as suas ovelhas vida temporal, e elas a perdem, mas Jesus disse: “Eu lhes dou a VIDA ETERNA, e elas jamais perecerão; ninguém as poderá arrancar da minha mão”.  Quando falo deste tema, geralmente fico cheio de fervor, porque creio que há poucas doutrinas tão importantes como da perseverança dos santos; porque se um dos filhos de Deus vier a perecer, ou se soubesse que isso pudesse acontecesser , chegaria a conclusão imediata que eu poderia ser um deles, e suponho que a cada um de vocês passaria o mesmo, e neste caso, onde estão a alegria e a felicidade do Evangelho?
 De novo repito que o evangelho arminiano é uma concha sem conteúdo; uma árvore sem fruto; que permaneçam com ele aqueles que lhe agrada. Não discutiremos com eles. Deixem que continue pregando. Deixem que sigam dizendo aos pobres pecadores que, se creem em Jesus, serão condenados depois de tudo; que Jesus Cristo os perdoará e que, apesar disso, o Pai os enviará para o inferno. Sigam pregando o Evangelho de vocês, porque quem o escutará? E se alguém der ouvidos, lhe serve de algo ouvi-lo? Digo-lhes que não, porque se depois de me converter, estou no mesmo lugar onde me converti, de nada me serve ter sido convertido. Mas aqueles a quem Ele ama, os ama até o fim.
 “Uma vez em Cristo, nEle para sempre;
Nada poderá me separar de Seu amor.”
 É “cheiro de vida para vida.” Não somente “vida para vida” nesse mundo, mas “vida para vida” eternamente. Todo o que possua a vida, receberá a vindoura: “graça e glória de Jeová. Não deixará de fazer o bem aqueles que andam em integridade.” Me vejo obrigado a deixar esse ponto, mas se meu Senhor o toma em suas mãos e fizer destas palavras “cheiro de vida para vida” nessa manhã, me alegrarei de tê-las pronunciado.
 II. Nossa segunda afirmação é que O MINISTRO NÃO É RESPONSÁVEL POR SEUS ÉXITOS. É responsável do que prega e de su vida e ações, mas não é responsável das demais coisas. Se eu prego a Palavra de Deus, mas nenhuma alma se salve, o Rei me dirá apesar de tudo: “Bem está, servo bom e fiel!” Se não deixo de pregar, e ninguém quer escutar, Ele dirá: “Você lutou o bom combate, recebe tua coroa”. Ouçam as palavras do texto: “Porque para Deus somos o bom perfume de Cristo, nos que se salvam e nos que se perdem”.
 Isto será visto claramento se lhes digo como o ministro do Evangelho é nomeado na Bíblia. Às vezes é chamado embaixador. Agora, qual é a responsabilidade do embaixador? É enviado a um país como um agente diplomático, leva os termos de paz em conferências, usa todo seu talento para servir ao seu senhor, intenta demonstrar que a guerra vai contra os interesses de difirentes países, se esforça para promover a paz, mas os outros reis a rejeitam com arrogância. Quando retorna para seu país, seu senhor lhe pergunta: “Por que não promovestes a paz?” “Porque”, contesta o embaixador, “lhes expus as condições e não quiseram ouvi-las.” “Bem”, dirá aquele, “cumpristes o teu dever, não vou lhe culpar se a guerra continua.”
 Em outras partes, o ministro do Evangelho é um pescador. Como é natural, um pescador não é responsável pela quantidade de peixes que pesca, mas sim pela maneira como pesca. Isto é uma benção para alguns ministros, porque nunca pescaram nada, e nem sequer atrairam algum peixe próximo de suas redes. Passam todas suas vidas pescando com ganchos elegantes e anzóis de ouro e prata, sempre utilizaram frases elaboradas e belas, mas apesar de tudo o peixe não mordeu a isca, mas nós, que somos de uma classe mais rude temos colocado o anzol na boca de muitas centenas. Não obstante, se armamos a rede do Evangelho no local apropriado, ainda que não pesquemos nada, o Senhor não achará em nós falta alguma. Nos perguntará: “Pescador, cumpriste teu trabalho? Lançastes a rede ao mar em tempos de tormenta?” “Sim, meu Senhor, assim o fiz.” “E o que tens pescado?” “Somente um ou dois peixes.” “Bem, poderia ter-lhe mandado multidões se assim fosse a minha vontade, a culpa não é sua.  Em minha soberania, dou ou nego segundo minha boa vontade, mas no que diz respeito a você, tem feito um bom trabalho, por isso aqui está sua recompensa.”
 Algumas vezes o ministro é chamado de semeador. E nenhum agricultor faz o semeador ser responsável pela colheita, toda sua responsabilidade consiste em semear e em semar a semente adequada. Se a planta em boa terra então é bem-aventurado, mas se cai no meio do caminho e as aves do céu a comem, quem culpará o semeador? Poderia prevenir-se? Não, ele cumpriu com seu dever, espalhou as sementes amplamente e ali as deixou. De quem é a culpa? Do semeador, é claro que não. Desta forma, meus amados, se um ministro for para o céu somente com um punhado sobre seus ombros, seu Senhor lhe dirá: “Segador, uma vez fostes semeador”! Onde recolhestes teu fruto? “Senhor, eu semeei sobre a rocha, e não cresceu, somente um grão numa manhã de domingo foi levado pelo o vento de um lado para o outro, até que caiu em um coração preparado. E este é meu único fruto” “Aleluia!”, ressoaram os seres angelicais, “um fruto entre as rochas é para Deus mais valiosa do que milhares em uma boa terra, e este semador sentará tão perto do trono quanto aquele que vem inclinado com seus muitos frutos, provenientes de uma terra fértil.” Creio que, se há graus na glória, não será proporcional ao nosso sucesso, mas a qualidade de nossos esforços.
 Se procedemos corretamente, e se com todo nosso coração nos esforçamos para cumprir com nossos deveres de ministros, ainda que não vejamos jamais nenhum resultado, receberemos a coroa. Mas quanto mais feliz é o homem de quem se dirá no céu: “Brilha eternamente, porque foi sábio e ganhastes muitas almas para a justiça.” Sempre tem sido para mim a maior alegria crer que quando entrar no céu,contemplarei em dias futuros suas portas abertas, e por elas verei entrar um querubim voando que, olhando para minha face, passará sorridente diante do trono de Deus, e depois de haver se inclinado diante Dele, e uma vez prestada a homenagem e adoração, virá apertar minha mão, ainda que não nos conheçamos, e se haverão lágrimas no céu, então, chorarei ao ouvi-lo dizer: “Irmão, dos teus lábios ouvi a palavra, tua voz me admoestou pela primeira vez do meu pecado, e eis-me aqui contigo, o instrumento da minha salvação.” E enquanto as portas permanecerem abertas, uma após outras almas redimidas chegarão, e por cada uma dessas, uma estrela, uma joia preciosa na coroa da glória, por cada uma delas outra honra e outra nota no hino de louvor. “Bem aventurados os que morrem no Senhor, sim, disse o Espírito, pois suas obras os seguem”.
 O que será de alguns bons cristãos, dos que estão aqui no Exeter Hall nesse momento, se o valor das coroas no céu se mede pelo número de almas que tenham salvado? Alguns de vocês possuirão uma coroa no céu sem nenhuma estrela. Há pouco tempo li algo a respeito: Um homem no céu com uma coroa sem nenhuma estrela. Não salvou nem um sequer! Desfrutava no céu de felicidade completa porque havia sido salvo pela Misericórdia divina, mas, oh! Estar no céu sem nenhuma estrela! Mãe, o que você diria se estivesse no céu sem alguns de teus filhos para decorar seus templos com uma estrela? Ministro! Que diria, sendo um orador refinado, que não possui uma estrela sequer? Escritor! Pareceria-te bem ter escrito tão gloriasamente como Milton, e então se encontrar no céu sem nenhuma estrela? Temo que prestamos muito pouca atenção a isso. Os homens escrevem enormes livros e tomos, para vê-los um dia em bibliotecas, e para que seus nomes sejam famosos para sempre. Mas quão poucos se preocupam de ganhar estrelas no céu! Esforça-te, filho de Deus, esforça-te, porque se desejas servir a Deus, o pão que se lança sobre as águas não se perderá para sempre. Se jogares a semente entre as patas do boi ou asno, obterá uma colheita gloriosa no dia em que Ele venha reunir seus escolhidos. O ministro não é responsável por seu êxito.
 III. E em último lugar, PREGAR O EVANGELHO É UMA TAREFA ELEVADA E SOLENE. O ministério tem sido frequentemente rebaixado a uma profissão. Nestes dias se faz ministros de homens que foram bons capitães do mar, ou serviram muito bem para estar atrás de um mostrador, mas que nunca estiveram preparados para o púlpito. São escolhidos pelos homens, sobrecarregados de literatura, educados até certo nível, vestidos adequadamente, e o mundo lhes chama ministros. Desejo que Deus lhes faça triunfar, porque como dizia Joseph Irons: “Deus esteja com muitos deles, ainda que seja somente para reprimir-lhes a língua.” Os ministros feitos por homens não possuem utilidade nesse mundo, e quanto antes nos livrarmos deles, melhor. Aqui está sua maneira de proceder: preparam seus manuscritos detalhadamente, os leem no domingo com a maior doçura, em voz baixa e desta forma o povo fica satisfeito. Mas esse não é modo de pregar de Deus. Se assim fosse, me sinto capaz de pregar para sempre. Posso comprar sermões manuscritos por alguns centavos, quer dizer, que já foram pregados cerca de cinquenta vezes, e se os utilizo pela primeira vez valem um pouco mais. Mas essa não é a maneira. Pregar a Palavra de Deus não é como alguns creem, um simples jogo de crianças, um negócio ou profissão que qualquer um pode exercer. Um homem deve sentir, em primeiro lugar, que têm um chamado solene; depois, deve saber querealmente possuí o Espírito de Deus e que quando fala existe uma influência sobre ele que o capacita para pregar como Deus quer que ele pregue. De outra forma deve abandonar o púlpito imediatamente, porque não tem nenhum direito de estar nele ainda que a igreja seja sua propriedade. Não foi chamado para anunciar a verdade de Deus, e Deus lhe disse: “O que você tem para falar das minhas leis”?
 Mas vocês dizem: “Que dificuldade existe na pregação do Evangelho de Deus?” Bem, deve ser algo duro, porque Paulo disse: “E para estas coisas, quem é suficiente?” Primeiro, antes de tudo, deixe-me dizer que é difícil, porque assim é feito para que não distorçam por preconceitos próprios a pregação da Palavra. Quando se tem de falar com severidade, o coração nos diz: “Não o faças. Se falar desta maneira julgarás a ti mesmo”; e então existe a tentação de não fazê-lo. Outra prova é que tememos desagradar o membro rico de nossa congregação. Desta forma, pensamos: “Se digo isto e outro, fulano e ciclano se ofenderão; aquele outro não aprova esta doutrina, será melhor eu abandoná-la.” Talvez suceda que recebamos o aplauso das multidões e não queremos dizer nada desagrável, porque se hoje gritam: “Hosana”, amanhã gritarão: “Crucifica-o! Crucifica-o!”. Todas estas coisas se passam no coração de um ministro.  Ele é um homem como vocês, e possui sentimentos. Também, está apontada nele a faca aguda da critíca e as setas daqueles que odeiam o ministro e seu Senhor, e, às vezes, não pode evitar sentir a ferida. Possivelmente colocará sua armadura e gritará: “Não me importam as critícas de vocês”, mas houve épocas em que os arqueiros afligiram penosamente até mesmo José. Então se encontra outro perigo, o de querer defender-se, porque quem procede assim comete uma grande loucura. O que deixe seus críticos sozinhos e, como à águia, que não faz caso do cantarolar do pardal ou o leão que não se molesta em sufocar o gemido do chacal, é um homem e será honrado. Mas o perigo está em que queiramos deixar estabelecida nossa reputação de justos. E, oh! Quem é suficiente para digir o navio livrando-se destas rochas perigosas? “Para estas coisas”, meus irmãos, “quem é suficiente?” Para levantar-se e anunciar, domingo após domingo e dia após dia,“as insondáveis riquezas de Cristo”.
 Ao chegar a este ponto, e para terminar, farei a seguinte conclusão, se o Evangelho é “cheiro de vida para vida”, e a labuta do ministro é um trabalho solene, quanto bem fará para todos os amantes da verdade orar por todos aqueles que a pregam, para que sejam “suficientes para estas coisas”. Perder minha devocional, como tenho lhes dito muitas vezes, é a pior coisa que pode me acontecer. Não ter ninguém que ore por mim me colocaria numa situação terrível. “Talvez”, disse um bom poeta, “o dia em que o mundo perecer será aquele em que não está embelezado com uma oração”; e talvez, o dia em que o ministro se apartou da verdade foi aquele que sua congregação deixou de orar por ele, e quando não se elevou uma só voz suplicando graça a seu favor. Estou seguro de que assim deve suceder comigo. Dê-me o numeroso exército de homens que tive o orgulho e a glória de ver em minha casa antes de vir para este local; dê-me aquela gente dedicada à oração, que nas tardes da segunda-feira se reúnem em grandes multidões para pedir a Deus que derrame sua benção sobre eles, e venceremos até o mesmo inferno apesar de toda a oposição. Nossos perigos não são nada, se temos orações. Porque ainda que aumente minha congregação; ainda que se formem gente nobre e educada; e ainda que eu possua influencia e entendimento, se não tenho uma igreja que ore tudo me sairá mal. Meus irmãos! Perderei alguma vez suas orações? Cessarão alguma vez suas súplicas? Nosso trabalho nesse grande lugar está quase terminado, e felizmente voltaremos ao nosso mui amado santuário. Cessarão então, por acaso, vossas orações? Temo que esta manhã não pronuninciaram tantas petições como deveriam; temo que não houve uma devoção tão ardente como seria necessária. Eu não senti o poder maravilhoso que experimento algumas vezes. Não os culpo por isso, mas não quero nunca que se diga: “Aquele povo que foi tão fervoroso, se tornou frio.” Não deixem que a frieza penetre em Sothwark, se há de estar em alguma parte, que seja bem longe daqui, no Fim do Leste; não a levemos com nós. “Contendamos eficazemente pela fé que uma vez foi dada aos santos”; e sabendo dos perigos em que se encontra o portador do estandarte, suplico que se reúnam ao seu redor, porque fará males no exército.
“Se o porta-bandeira cai, como bem pode cair.
Porque tudo é de se esperar, nessa luta mortal”.
Levantem-se amigos! Empunhem o estandarte e mantenham-o no alto até que chegue o dia que nos encontraremos no último baluarte conquistado dos dominios do infeerno, e todos cantem: “Aleluia! Aleluia! Aleluia! Aleluia! Porque reina o Senhor nosso Deus Todo-poderoso!” Até lá, continuemos lutando.
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ORE PARA QUE O ESPIRITO SANTO USE ESSE SERMÃO PARA TRAZER UM CONHECIMENTO SALVIFÍCO DE JESUS CRISTO E PARA EDIFICAÇÃO DA IGREJA