domingo, 13 de julho de 2014

Os Atributos de Deus

“Assim diz o SENHOR: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte, na sua força, nem o rico, nas suas riquezas; mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o SENHOR e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o SENHOR” (Jr.9:23,24).

Introdução: A importância do conhecimento de DeusDeus pode ser conhecido verdadeiramente (Jo.17.3), ainda que não possa ser conhecido plenamente (Sl.139.6; Rm.11.33-34).

Conhecer a Deus é a tarefa primordial e mais importante no que se refere às coisas espirituais. Sem um verdadeiro conhecimento de Deus é impossível ser salvo ou servi-lo e adorá-lo verdadeiramente (Jo.4:22).
Para conhecermos a Deus é necessário que Ele se revele a nós (Mt.11:27; Rm.1:19), pois não podemos conhecê-lo com nossos próprios esforços (I Co.1:21).

Deus se revela na natureza e principalmente em Sua Palavra.

O que são os atributos de DeusOs atributos divinos são as características de Deus, a soma das quais definem quem Ele é.

Eles refletem diversos aspectos da mesma essência divina.

Os atributos de Deus

Trindade: Deus existe eternamente como três pessoas (Pai, Filho e Espírito Santo), cada pessoa é plenamente Deus, e existe só um Deus. Todos os atributos divinos aplicam-se a cada pessoa da Divindade (Mt.3:16,17; Mt.28:19; I Jo.5:7).

Independência: Deus é um ser não causado e ninguém além d’Ele próprio sustenta Seu ser. Ele não precisa de nós nem do restante da criação para nada, pois existe por si mesmo e não depende de qualquer coisa externa a si próprio para existir (Jo.5:26; At.17:28; Ap.4:11);

Eternidade: Deus não tem princípio nem fim nem sucessão de momentos no Seu próprio ser, e percebe todo o tempo com igual realismo. Ele criou o próprio tempo e, portanto, é independente dele (Ex.3:14; Sl.90:2; II Pe.3:8);

Imutabilidade: Deus é imutável no Seu ser, nas Suas perfeições, nos Seus propósitos e nas Suas promessas. Deus não pode mudar porque é eterno e perfeito (Sl.102:25-27; Ml.3:6; Tg.1:17; Sl.33:11; Nm.23:19);

Unidade: Deus não está dividido em partes, mas percebemos atributos diversos enfatizados em momentos diferentes. Não existe um atributo mais importante do que o outro (I Jo.1:5; 4:16);

Espiritualidade: Deus é espírito e, portanto, não tem corpo. Ele existe como ser que não é feito de matéria e que não tem partes, formas ou dimensões (Jo.4:24; I Tm.1:17; Ex. 20:4-6; Dt.4:15-16). As passagens que atribuem a Deus partes corporais (II Cr.16:9; Sl.91:1-4) devem ser entendidas em sentido figurado, pois são antropomórficas;

Onipresença: Deus está presente em todo lugar, estando envolvido na criação e na vida dos indivíduos (Sl.139.7-10);

Onisciência: Deus possui todo o conhecimento, o que significa que Ele conhece inclusive o futuro e os nossos pensamentos (Jó 37.16; Sl.139.1-4; Is.46.10; Rm.11.33; Hb.4.13);

Onipotência: Deus pode fazer tudo aquilo que deseja (Gn.17.1; Jó 42.2; Sl.115.3; Is.43.11-13; Mc.10.27). Ele não pode pecar ou agir contra Sua própria natureza (Tg.1.13);

Amor: Deus é amor, o que significa que Ele se doa eternamente aos outros (I Jo.4:8; Jo.17:24). Deus ama a todos, mas não da mesma forma (Mt.5:45; Rm.8:35-39; Rm.9:13);

Justiça: Deus sempre age segundo o que é justo, e Ele mesmo é o parâmetro da justiça (Dt.34:4; Gn.18:25; Is.30:18; Jr.9:24; At.17:31);

Ira: Deus odeia intensamente todo o pecado e aqueles que o praticam (Rm.1:18; 9:22-23; Jo.3:36). O cristão não deve temer a ira de Deus, visto que foi salvo dela pela justiça de Cristo (Rm.5:9);

Vontade: Deus aprova e decide executar todo ato necessário para a existência e para a atividade de si mesmo e de toda a criação. A vontade de Deus envolve as escolhas divinas do que fazer e não fazer (Mt.10:29; Ef.1:11; Ap.4:11; At.4:27-28; Tg.4:13-15). É dividida em vontade secreta e vontade revelada (Dt.29:29). A vontade revelada refere-se a tudo aquilo registrado na Bíblia, e a vontade secreta refere-se aos decretos pelos quais Deus rege o mundo e determina tudo o que irá acontecer;Santidade: Deus é santo (I Sm.2.2; Sl.99; Is.40.25; Ap.15.4) em dois aspectos: transcendência e pureza moral.

A transcendência mostra como Deus está separado e é independente do espaço e do tempo, não sendo limitado por eles (Is.57.15).

A pureza moral mostra como Deus está separado de tudo o que é pecaminoso (Lv.20.26; I Pe.1.15,16).





Bibliografia:CHEUNG, Vincent. Teologia Sistemática.Reformation Ministries International, cap.3.GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática.Editora Vida Nova, caps.11, 12, 13

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Sensíveis a nossa miséria


Tem misericórdia de nós, ó Senhor, tem piedade de nós, pois estamosextremamente cheios de desprezo.

- Salmos 123:3 -


“Cheios de desprezo” pode parecer duro para alguns. Mas esta é a maneira que a misericórdia de Deus prepara o homem, os dá uma clara percepção de sua miséria e indignidade perante Ele, e depois disso aparece em Sua misericórdia e amor para com eles. Sem a marca dessa percepção de indignidade e desprezo, o homem não está sendo conduzido pela misericórdia soberana. A misericórdia diante da percepção plena de nossa indignidade e que Deus mostra a partir de então quando o traz para casa, aos pés da cruz, para o Senhor Jesus Cristo, é a maior e mais maravilhosa exposição de misericórdia e amor de que um ser humano pode estar sujeito.


Há outras maneiras e formas em que Deus manifesta a Sua grande misericórdia e bondade para com os homens em seus muitos favores temporais. As misericórdias que Deus concedeu ao seu povo outrora: José avançando e crescendo no Egito,  a libertação dos filhos de Israel do Egito, a condução através do Mar Vermelho fazendo-as caminhar em terra seca, Seu braço forte os levando a Canaã, expulsando as nações de diante deles, ao longo de todo tempo os resgatando das mãos de seus inimigos... foram muitas as misericórdias. Mas elas são completamente diferentes do salvar o seu povo da culpa e do domínio do pecado. Deus tem que levá-lo a ver com clareza seu estado: “pois estamosextremamente cheios de desprezo.”


É com esse profundo sentimento de indignidade e desprezo que Deus prepara os homens para a mais espantosa de todas as misericórdias, tornando-os sensíveis de modo profundo de sua culpa e miséria, de modo que só a esses Ele faz conhecer de fato este grande amor em Jesus Cristo.


Quando o desígnio de Deus é mostrar a um pecador Sua misericórdia, Ele primeiro os leva a refletir sobre si mesmo ( e não o que eles com um coração irregenerado desejam) – os leva a ver uma necessidade e um estado terrível que nunca tinham visto antes em si mesmos – consideram de maneira sensata a partir daí, em que condições eles estão em seus corações diante de um Deus terrivelmente santo... Esta é a marca do coração quando Deus decide lhes manifestar grandes e notáveis misericórdias, quando Ele mostra seu favor soberano.

Esse sentimento profundo de indignidade e auto-desprezo por tudo que se viveu para a desonra de Deus, é a confirmação de que o método divino de operar começou e irá prosseguir na alma do homem. Essa é a evidência quando Deus está prestes a revelar a Sua misericórdia e amor para um eleito em Jesus Cristo.

Jonathan Edwards - “God Makes Men Sensible of Their Misery before He Reveals His Mercy and Love,”

terça-feira, 8 de julho de 2014

Os evangélicos modernos abandonaram a Bíblia Sagrada e foram lançados em trevas



Quando vos disserem: Consultai os necromantes e os adivinhos, que chilreiam e murmuram, acaso, não consultará o povo ao seu Deus? A favor dos vivos se consultarão os mortos? À lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais verão a alva. Passarão pela terra duramente oprimidos e famintos; e será que, quando tiverem fome, enfurecendo-se, amaldiçoarão ao seu rei e ao seu Deus, olhando para cima. Olharão para a terra, e eis aí angústia, escuridão e sombras de ansiedade, e serão lançados para densas trevas.” (Is 8:19-22).

Uma das características mais importantes do movimento evangélico desde seus primórdios é a crença defendida pela Reforma Protestante a respeito da autoridade e suficiência da Bíblia Sagrada. Exatamente neste ponto tão fundamental os evangélicos modernos tem falhado vergonhosamente levando o movimento a uma grande crise de identidade ao ponto de ninguém mais saber o que é um evangélico. Dá-se o nome de “evangélico” a grupos e pessoas que na prática não vivem baseados nas Escrituras. Isso causa graves conseqüências tanto as pessoas que se dizem evangélicas como a sociedade em geral que não recebe boas influências do movimento. É sobre este assunto que pretendo tratar neste breve texto. Se você se diz evangélico peço que leia com atenção refletindo nas seguintes questões: Eu sou um genuíno evangélico? Provo isso tendo a Bíblia como base de minha fé e prática? Quais as conseqüências que minha “fé evangélica” tem causado a mim e a as pessoas com quem me relaciono?


O texto bíblico acima nos mostra a orientação de Deus a seu povo para que O consulte e não aos necromantes e adivinhos. E onde encontrariam a Palavra de Deus? Resposta: Em sua Lei. Se o povo não fizesse isso, mas se ao contrário consultasse os necromantes, o resultado seria que jamais iriam encontrar a luz. Em vez disso sofreriam terrivelmente e cairiam em densas trevas. Dessa forma podemos destacar dois princípios que brotam naturalmente deste texto bíblico:

1 – Aqueles que buscam a orientação de Deus em sua Sagrada Escritura terão verdadeira luz espiritual.

2 – Aqueles que abandonam a Escritura e buscam outra orientação espiritual, jamais verão a luz. Em vez disso serão lançados em trevas.

Desejo mostrar-lhe que os evangélicos de nosso tempo têm abandonado a Bíblia Sagrada como base de suas crenças e práticas e conseqüentemente têm caído em densas trevas. Posteriormente tratarei da única solução possível. Portanto, dividirei este assunto em três partes:

1 – Os evangélicos modernos têm abandonado a Bíblia e abraçado outras “luzes”.

2 – Os evangélicos modernos têm sido empurrados as trevas.

3 – O que pode ser feito diante deste problema?


1 – Os evangélicos modernos têm abandonado a Bíblia e abraçado outras “luzes”.

Posso provar esta afirmação? De fato isso é bem fácil. Darei sete evidências. Vejamos:

A – As “novas revelações” têm substituído a Bíblia Sagrada na crença e prática dos evangélicos atuais.

As maiorias dos evangélicos modernos têm crido que Deus fala hoje como falava em tempos bíblicos, ou seja, que o Espírito Santo fala diretamente a eles de forma audível, ou em visões, sonhos, ou ao coração. Crendo assim é natural que abandonem o estudo sério da Bíblia e se apeguem as “novas revelações”, pois estas são mais recentes. Dessa forma a Bíblia é abandonada e a orientação de Deus em Is 8:20 não é seguida. Tais evangélicos deixam a Lei e o Testemunho de Deus e procuram outras “luzes”.

Mas existem “novas revelações”? Afirmo que não, pois a Revelação de Deus já está completa, é a nossa Bíblia Sagrada. Dessa forma não existe mais a necessidade de acréscimos, de “novas revelações”. A Bíblia é suficiente. Veja o que diz o Apocalipse:

Eu, a todo aquele que ouve as palavras da profecia deste livro, testifico: Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará os flagelos escritos neste livro;”.( Ap 22:18).

Podemos crer que este texto não se refere apenas ao Apocalipse, mas a toda a Bíblia. Assim, todo a as “novas revelações” atuais são falsas, pois não passam de acréscimos. No entanto os evangélicos modernos preferem as ditas “revelações” e não a Bíblia Sagrada. Qualquer um pode constatar isso facilmente.

B – Os “lideres ungidos” têm substituído a Bíblia na crença e na prática dos evangélicos modernos.

Multiplicam-se no meio evangélico homens e mulheres que se dizem “chamados por Deus” para anunciarem alguma mensagem especial, ou operarem milagres, afirmando serem possuidores de um canal direto com o Altíssimo. Na prática tais homens se equiparam aos escritores da Bíblia. Isso se torna evidente ao observarmos o uso cada vez mais freqüente do título “Apóstolo”, como também do uso do título “profeta”. Antigamente os líderes alegravam-se em serem chamados de pastores, mas agora querem ser “apóstolos”. Dessa forma eles se igualam no imaginário de seus seguidores aos antigos e verdadeiros apóstolos como Pedro, João, ou Paulo. Logicamente que isso causa um abandono da Bíblia, pois as palavras destes “apóstolos” modernos são mais atraentes que o Livro Sagrado, visto que estão ao vivo diante de seus seguidores, e com seu poder de persuasão ou “milagres” dominam e escravizam suas consciências. Assim a Bíblia é abandona por estes ditos evangélicos.

Mas existem tais “líderes ungidos”, ou seja, tais “apóstolos”, ou “profetas”? Afirmo que não, pois estes ofícios eram do tempo da Revelação da Bíblia Sagrada. Ora, tendo a Bíblia sido completada tais ofícios passaram. Veja o que diz Paulo:

Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito.” (Ef 2;19-22).

Paulo diz que os apóstolos e profetas são o “fundamento” do povo de Deus, e Cristo e a”pedra principal” deste fundamento. Na construção de uma casa o fundamento vem antes das paredes e não depois. A Igreja de Cristo está sendo construída sobre o fundamento já estabelecido, ou seja, a mensagem dada pelo Espírito santo aos apóstolos e profetas dos tempos bíblicos, sendo Cristo a principal Pedra. Hoje não temos mais “apóstolos” e “profetas”, pois o fundamento já está lançado. Qualquer um que neste tempo presente se intitula “apóstolos ou “profeta” está mentindo, pois tenta lançar um novo fundamento, e se afasta de Cristo, a Pedra principal do verdadeiro fundamento já lançado. Além disso aos “apóstolos” modernos eu perguntaria: Vocês são testemunhas oculares da ressurreição de Cristo? Este é um requisito bíblico para ser apostolo, vejam:

Naqueles dias, levantou-se Pedro no meio dos irmãos (ora, compunha-se a assembléia de umas cento e vinte pessoas) e disse: Irmãos, convinha que se cumprisse a Escritura que o Espírito Santo proferiu anteriormente por boca de Davi, acerca de Judas, que foi o guia daqueles que prenderam Jesus, porque ele era contado entre nós e teve parte neste ministério. (Ora, este homem adquiriu um campo com o preço da iniqüidade; e, precipitando-se, rompeu-se pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram; e isto chegou ao conhecimento de todos os habitantes de Jerusalém, de maneira que em sua própria língua esse campo era chamado Aceldama, isto é, Campo de Sangue.) Porque está escrito no Livro dos Salmos: Fique deserta a sua morada; e não haja quem nela habite; e: Tome outro o seu encargo. É necessário, pois, que, dos homens que nos acompanharam todo o tempo que o Senhor Jesus andou entre nós, começando no batismo de João, até ao dia em que dentre nós foi levado às alturas,um destes se torne testemunha conosco da sua ressurreição. Então, propuseram dois: José, chamado Barsabás, cognominado Justo, e Matias. E, orando, disseram: Tu, Senhor, que conheces o coração de todos, revela-nos qual destes dois tens escolhido para preencher a vaga neste ministério e apostolado, do qual Judas se transviou, indo para o seu próprio lugar. E os lançaram em sortes, vindo a sorte recair sobre Matias, sendo-lhe, então, votado lugar com os onze apóstolos.” (At 1:15-26).

À luz destes fatos afirmo sobre os tais “apóstolos” modernos o que Paulo certa vez falo sobre outros ditos “apóstolos”:

Porque os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, transformando-se em apóstolos de Cristo. E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus próprios ministros se transformem em ministros de justiça; e o fim deles será conforme as suas obras.”. (II Co 11:13-15).

No entanto tais “apóstolos” e “profetas” falsos têm afastado os evangélicos atuais da Bíblia Sagrada.

C – O pragmatismo tem substituído a Bíblia na crença e na prática dos evangélicos modernos.

Reproduzirei neste ponto parte do meu texto “Cuidado com o pragmatismo”. O que vem a ser pragmatismo? É a opinião que afirma que a verdade está do lado do que é prático, do que é útil, ou seja, o que vale a pena é o que funciona. Se uma coisa funciona então está correta. Se algo dá certo, então a conclusão é que este deve ser o caminho a seguir. Mas será que isto existe no meio “evangélico”? Afirmo que sim e é algo muito fácil de provar. Ora, podemos fazer algumas perguntas: O que determina normalmente o trabalho evangelístico das igrejas? O que motiva e orienta o planejamento dos cultos? O que impulsiona os pregadores na escolha dos temas de suas mensagens e do conteúdo das mesmas? O que determina as doutrinas ensinadas nas igrejas? O que determina, enfim, todas as estratégias para atrair e manter as pessoas nas congregações? Se formos bastante honestos, creio que na maioria dos casos a resposta a estas perguntas será: O que funciona, o que dá certo, o que produz resultados. Ora, isto é pragmatismo. Tal idéia também está na vida cotidiana dos evangélicos modernos. Para perguntas como estas: “Como devo ganhar dinheiro?”, “Como devo trabalhar?”, “Qual emprego ou profissão devo escolher?” as respostas são normalmente pragmáticas e não bíblicas. Dessa forma a Bíblia é substituída pelo pragmatismo, no evangelismo, no culto, na doutrina, e na vida diária dos evangélicos.

Fica bem nítido que o pragmatismo no evangelismo e culto afasta as igrejas da Bíblia, e tira Deus do centro, pois coloca o gosto do homem acima das Escrituras. Nesse caso, Deus e sua Palavra ficam em segundo plano e os desejos humanos em primeiro. É triste notar que os métodos evangelísticos e os cultos não têm sido bíblicos. São semelhantes a shows de televisão. Ve-se teatro, musicais, coreografias, piadas e todo o tipo de entretenimento. Procura-se alegrar as pessoas, fazer que se divirtam. Outras vezes promete-se milagres em cada culto. Tudo isso é feito com o intuito pragmático de encher o locar de reuniões, mas ninguém pergunte se é bíblico. Isso acontece porque a muito a Bíblia foi abandonada e o pragmatismo tomou seu lugar no coração dos evangélicos.

Mas em especial a pregação é afetada por este pragmatismo. Neste caso a pergunta não é “Qual a mensagem que a Bíblia nos orienta a pregarmos aos pecadores?”, mas, “Qual a mensagem que mais agrada aos pecadores chama mais a atenção?”. Observamos que os temas bíblicos como: Deus, o pecado, a salvação em Cristo, o novo nascimento, o arrependimento e a fé, a Justificação, a Ira de Deus, o Céu e o inferno; não são pregados com tanta intensidade como já foram em outras épocas da História da Igreja. Levados pelo pragmatismo muitos argumentam que estes temas são ofensivos e afastariam as pessoas dos cultos. Devido a este pensamento tais pregadores preferem pregar temas como: cura divina, prosperidade material, soluções de problemas familiares e emocionais. Segundo estes pregadores, estes são temas que provocam o interesse das pessoas e as mantém freqüentando os cultos. E de fato muitas vezes eles têm grande sucesso, com seus locais de reuniões sempre cheios. Todavia aqui também fica claro que a Bíblia não é a prioridade para este pregador pragmático, mas sim o que agrada aos ouvintes.

Mas será que os apóstolos eram pragmáticos como os evangélicos de hoje? Vejamos:

Em Listra, costumava estar assentado certo homem aleijado, paralítico desde o seu nascimento, o qual jamais pudera andar. Esse homem ouviu falar Paulo, que, fixando nele os olhos e vendo que possuía fé para ser curado, disse-lhe em alta voz: Apruma-te direito sobre os pés! Ele saltou e andava. Quando as multidões viram o que Paulo fizera, gritaram em língua licaônica, dizendo: Os deuses, em forma de homens, baixaram até nós. A Barnabé chamavam Júpiter, e a Paulo, Mercúrio, porque era este o principal portador da palavra. O sacerdote de Júpiter, cujo templo estava em frente da cidade, trazendo para junto das portas touros e grinaldas, queria sacrificar juntamente com as multidões. Porém, ouvindo isto, os apóstolos Barnabé e Paulo, rasgando as suas vestes, saltaram para o meio da multidão, clamando: Senhores, por que fazeis isto? Nós também somos homens como vós, sujeitos aos mesmos sentimentos, e vos anunciamos o evangelho para que destas coisas vãs vos convertais ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que há neles; o qual, nas gerações passadas, permitiu que todos os povos andassem nos seus próprios caminhos; contudo, não se deixou ficar sem testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos do céu chuvas e estações frutíferas, enchendo o vosso coração de fartura e de alegria. Dizendo isto, foi ainda com dificuldade que impediram as multidões de lhes oferecerem sacrifício”. (At 14:8-18).

Neste texto Paulo é usado por Deus na cura de um coxo de nascença. A multidão vê o fato e entende que ele e seu companheiro Barnabé eram deuses. Ora, Paulo tinha diante de si uma multidão que estava em suas mãos. Se ele aceitasse o que dizia, continuaria controlando a todas aquelas pessoas. O fato é que muitos pragmáticos modernos aceitariam a insinuação dessa multidão e tentariam agradá-la. Não é verdade? Diriam: “vamos dar o que eles querem e assim eles ficarão conosco. Se eles dizem que somos deuses, que assim seja. Depois explicaremos as outras coisas”. Paulo fez isso? Não, não e não! Paulo não seguiu a cultura e a religiosidade falsa daquelas pessoas com a desculpa de manter a audiência. Ele não tentou agradá-las ensinando o que elas queriam ouvir. Ele era um pregador da Verdade de Deus segundo as Escrituras, ou seja, o Evangelho. O Evangelho é uma mensagem que traz os homens e mulheres de volta para Deus e os livra de falsos deuses. Porém aquelas pessoas queriam adorá-los como deuses. A isso Paulo diz: “não”, “somos homens como vocês”, “voltem-se para o Deus Vivo, o Criador”. Paulo chamou aquelas pessoas para Deus. Isto é o Evangelho. É uma volta para Deus em Cristo. É deixar falsos deuses. Paulo não era um pragmático. Paulo não se aproveitou do engano, da ignorância, da tolice da multidão. Não! Em vez disso ele procurou instruí-los, procurou mostrar a eles a Verdade das Escrituras. Eles precisavam voltar-se para Deus. No verso 15 Paulo afirma que as crenças daquelas pessoas eram vãs. Eram crenças inúteis sem nenhum sentido e propósito. Todas aquelas crenças as estavam mantendo longe do Verdadeiro Deus. Toda aquela crença era loucura. Adoravam o que não era deus, enquanto o Deus verdadeiro não era adorado. E o fim de tudo aquilo era a perdição eterna. Não! Paulo não poderia deixar aquelas pessoas no engano, e com isso usurpar a glória que só pertence a Deus, e levá-las como conseqüência a perdição. Paulo sabia que só Deus deve ser glorificado e também queria a salvação daquelas pessoas. Então ele as contraria a diz: “Voltem-se para Deus!”. Nisso tudo Paulo segue as Escrituras e não o que “funciona”. No entanto os evangélicos modernos têm seguido o pragmatismo e não a Verdade Bíblica.

D – O Subjetivismo tem substituído a Bíblia na crença e na prática dos evangélicos modernos.

Subjetivismo refere-se ao que nós gostamos. É um fato que o os gostos dos evangélicos modernos têm determinado o que eles crêem e o que praticam e a Bíblia tem sido menosprezada para que tais gostos sejam satisfeitos. Posso dar um exemplo bem evidente deste fato. Na chamada “musica gospel” é o gosto do grande público evangélico que determina as letras. Canta-se sobre “vitória”, “cura”, “prosperidade”. No entanto tais temas são desvinculados do genuíno ensino bíblico e o próprio conteúdo das Escrituras não é cantado. Permita-me que especifique melhor o que quero dizer. A Bíblia claramente ordena que cantemos os salmos. Veja:

Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração.” (Cl 3:16).

Por que, então, a “música gospel” não canta os 150 salmos da Bíblia, mas prefere temas sem real apoio da Escritura Sagrada? É porque a música gospel é baseada no gosto dos evangélicos, ou seja, no subjetivismo, e não nas Escrituras. Mas este é só um exemplo. Na verdade o subjetivismo está atrelado ao pragmatismo, assunto que já abordei no ponto anterior, pois o que vale é satisfazer os gostos do grande público evangélico e não a Verdade bíblica. Como no pragmatismo, o subjetivismo também é levado a vida cotidiana dos evangélicos substituindo a Bíblia nas práticas e decisões diárias. Tudo isso mostra que a Bíblia tem sido abandonada e o que vale é o que cada um gosta de crer ou fazer. Mas os nossos gostos provêm de nosso coração e a Bíblia alerta sobre o perigo do engano que está no mesmo. Veja:

Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?”. (Jr 17:9).

O coração é enganoso porque lá está o pecado. Veja:

Há no coração do ímpio a voz da transgressão; não há temor de Deus diante de seus olhos. Porque a transgressão o lisonjeia a seus olhos e lhe diz que a sua iniqüidade não há de ser descoberta, nem detestada.”. (Sl 36:1,2).

Por isso não devemos ser orientados por nossos gostos independentes da Escritura, mas ao contrário, devemos nos encher dela (Cl 3:16). No entanto o subjetivismo tem substituído a Bíblia no meio evangélico moderno.

E – A cultura tem substituído a Bíblia na crença e na prática dos evangélicos modernos.

Cultura refere-se aos valores e costumes de uma sociedade. É bem evidente que a cultura tem substituído a Bíblia na crença e prática dos evangélicos modernos. Posso facilmente exemplificar com relação ao feminismo. A Bíblia afirma que as mulheres devem ser submissas a seus maridos. Veja:

As mulheres sejam submissas ao seu próprio marido, como ao Senhor; porque o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo o salvador do corpo.”. (Ef 5:22, 23).

No entanto, qualquer um que afirmar esta verdade bíblica no meio evangélico encontrará forte posição. Por quê? Porque a cultura feminista fala mais alto que a Bíblia. Assim vemos que a Bíblia foi substituída pela cultura. Este, porém, é só um exemplo. O fato é que a cultura, muito mais que a Bíblia, tem determinado os valores, as crenças, e todo o modo de vestir, falar, andar, trabalhar, descansar, namorar, casar, cultuar, enfim, todos os costumes. Parece que para os evangélicos modernos quanto mais parecidos forem com a sociedade em geral melhor será. Mas veja o que a Bíblia diz deste tempo presente:

Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”. (Rm 12:1,2).

Assim não devemos nos conformar, mas renovar a mente. Evidentemente isso só é possível quando temos a Escritura na mente. Mas os evangélicos modernos preferem se conformar aos costumes ou crenças da maioria sem avaliar se possuem alguma base nas Escrituras.

F – A falsa ciência tem substituído a Bíblia na crença e na prática dos evangélicos modernos.

Chamo de “falsa ciência” qualquer conceito dito científico que contrarie um ensino das Escrituras. Um exemplo disso é a “teoria da evolução”. Observamos que os evangélicos modernos muitas vezes seguem mais a tais falsas ciências que a Bíblia Sagrada. Por exemplo, muitas vezes os evangélicos ouvem teorias psicológicas sobre criação de filhos que não levam em conta a natureza pecaminosa das crianças conforme ensinada na Bíblia. Também é nítido que muitos evangélicos não têm seguido a seguinte recomendação bíblica:

Estes, pois, são os mandamentos, os estatutos e os juízos que mandou o SENHOR, teu Deus, se te ensinassem, para que os cumprisses na terra a que passas para a possuir; para que temas ao SENHOR, teu Deus, e guardes todos os seus estatutos e mandamentos que eu te ordeno, tu, e teu filho, e o filho de teu filho, todos os dias da tua vida; e que teus dias sejam prolongados. Ouve, pois, ó Israel, e atenta em os cumprires, para que bem te suceda, e muito te multipliques na terra que mana leite e mel, como te disse o SENHOR, Deus de teus pais. Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR. Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força. Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te.” (Dt 6:1-7).

O fato é que a maioria dos pais evangélicos não conhecem profundamente os mandamentos bíblicos. Como, então, ensinaram a seus filhos? Mas muitas vezes os mesmo estão atentos a teorias psicológicas sobre criação de filhos não dando o devido valor a Bíblia. Assim mostram que têm substituído as Escrituras por uma falsa ciência.

Lembremos, porém, que a Verdade, a sabedoria,e o conhecimento genuíno vem de Deus em sua Palavra (Pv 7:1-5), e a verdadeira ciência sempre concordará com a Escritura. Mas os evangélicos modernos se dispõe mais a ouvir a “ciência” em vez da Bíblia.

G – A experiência tem substituído a Bíblia na crença e na prática dos evangélicos modernos.

Os evangélicos têm colocado a experiências pessoais ou de outros como a base de suas crenças e praticas. A respeito disso me refiro a fatos ocorridos a alguns crentes, em geral tidos como miraculosos, que são interpretados como uma Revelação de Deus. O que tem acontecido muitas vezes é que mesmo que um ensino não possa ser baseado na Bíblia, muita gente não se importa com isso desde que seja algo que tenha experimentado. Assim para muitas pessoas o que vale como guia da verdade são suas experiências e não a Bíblia. Elas dizem: “eu experimentei, então creio”, e repito, dizem isso mesmo que a Bíblia diga o contrário. Para eles o que vale é a experiência. Muitos destes ao serem pressionados a provar suas experiências biblicamente, usam a Escritura a seu bel-prazer, ou seja, em vez de deixarem a Bíblia falar, impõe a ela as suas próprias idéias, torcem as Escrituras, irreverentemente fazem a Bíblia dizer o que não diz, forçam textos bíblicos interpretando-os mau. Esse é um erro blasfemo que muitos pregadores e membros de igrejas têm sido culpados de praticar. Tudo isso só mostra um desprezo a Bíblia e uma exaltação das experiências. Portanto, concluo que tais experiências e suas falsas interpretações têm afastados muitos evangélicos da Bíblia.

Devemos lembrar o que nos ensina Dt 13:1-5. Veja:

Quando profeta ou sonhador se levantar no meio de ti e te anunciar um sinal ou prodígio, e suceder o tal sinal ou prodígio de que te houver falado, e disser: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los, não ouvirás as palavras desse profeta ou sonhador; porquanto o SENHOR, vosso Deus, vos prova, para saber se amais o SENHOR, vosso Deus, de todo o vosso coração e de toda a vossa alma. Andareis após o SENHOR, vosso Deus, e a ele temereis; guardareis os seus mandamentos, ouvireis a sua voz, a ele servireis e a ele vos achegareis. Esse profeta ou sonhador será morto, pois pregou rebeldia contra o SENHOR, vosso Deus, que vos tirou da terra do Egito e vos resgatou da casa da servidão, para vos apartar do caminho que vos ordenou o SENHOR, vosso Deus, para andardes nele. Assim, eliminarás o mal do meio de ti.” (Dt 13:1-5).

O texto deixa claro que o Senhor pode provar as pessoas permitindo o aparecimento de falsos profetas e “milagres”. Olhemos mais de perto o que nos diz o texto:

A – O falso profeta diz que ocorrerá alguma coisa extraordinária.

B – Tal coisa de fato acontece.

C – O conteúdo da mensagem do falso profeta é que o povo adore a deuses falsos e não ao Senhor.

D – O texto deixa claro que tudo isso é um teste que vem de Deus. Este teste mostra quem de fato ama a Deus.

E – Quem ama ao Senhor não se deixará iludir pelo sinal ou prodígio, não será levado por isso a adorar um deus falso. Quem ama ao Senhor ouvirá a Palavra do Senhor, a sua voz, e não a palavra do falso profeta, mesmo diante do mais extraordinário sinal que tal falso profeta possa operar. Quem ama ao Senhor estará firmado na Palavra de Deus na Escritura e não em experiências extraordinárias.

Fica claro que sinais, milagres e maravilhas não são prova da Verdade de Deus, não são prova de que isso vem de Deus, que é algo que Deus se agrada. Não, não e não! Experiências, por mais que sejam extraordinárias e milagrosas não provam que um ensino é verdadeiro. Vejam que a mensagem do profeta foi um convite à idolatria. O milagre aconteceu, mas a mensagem era contrária a Deus. Observem também, que neste texto a única garantia que temos da Verdade que vem de Deus é a sua Palavra. Diz: “e os seus mandamentos guardareis e sua voz ouvireis. Em outras palavras: Não olhem para os sinais, milagres e experiências, mas sim, ouçam a Palavra, ouçam as Escrituras, ouçam a Bíblia. E quem não se deixará iludir por experiências e ficará firme na Palavra? A resposta clara é: Quem ama ao Senhor. Esse tal não seguirá o falso profeta em seu caminho de idolatria. Infelizmente os evangélicos modernos têm seguido mais as experiências que a Bíblia. A Escritura tem sido abandonado e o que têm valido são as experiências “milagrosas”.

Continua...

Pode ser copiado e distribuído livremente, desde que indicada a fonte, a autoria, e o conteúdo não seja modificado!

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domingo, 6 de julho de 2014

O que estamos fazendo?

"Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus". Romanos 3:23

O pecado deveria nos incomodar, nos entristecer e nos fazer sentir vergonha.
Pecamos contra um Deus santo e puro.

Pecamos, pecamos e pecamos sem medida, sem freio.

É verdade, que nunca chegaremos a perfeição e somos realmente pecadores, infelizmente esta é a nossoacondição desde Adão e Eva, mas, porque somos tão imorais? Porque o que nos envergonhava quando nos convertemos hoje já não incomoda? Precisamos vigiar!


E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus. Romanos 12:2

Como filhos obedientes, não vos conformando com as concupiscências que antes havia em vossa ignorância; 1 Pedro 1:14"

Não devemos servir a Deus e obedecê-lo por medo do inferno, mas para reconhecer sua grandeza e misericordia sobre nós.

Jesus pagou o preço, o que cabe a cada um de nós é reconhecer o valor do Seu sacrificio e nos empenhar em conhecer e divulgar este amor.

Peça a ajuda a Ele, mas se arrependa e comece uma nova vida ao lado de Seu Sa;vador: JESUS!

Deus te abençoe!

Fique com a paz e a graça do Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo!

O Papel das Mulheres no Livro de Juízes

Hoje vamos estudar o livro de Juízes e acho importante entender o contexto de um livro antes de começar a estudá-lo. Por isso, antes de mais nada, gostaria de mostrar como Juízes se encaixa na história de Israel. 
  •  Gênesis - todos conhecem o cativeiro do Egito iniciado no final do livro de Gênesis.
  •  Êxodo - os israelitas deixam o Egito e Deus lhes dá os 10 Mandamentos.
  •  Levítico trata dos pormenores da Lei.
  •  Em Números espera-se que os israelitas entrem na terra prometida e tomem posse dela, mas eles ficam amedrontados devido ao relato de 10 espias e não confiam em Deus; por isso, Deus os manda para o deserto até que todos os adultos pereçam, exceto Josué e Calebe.
  •  Em Deuteronômio Deus leva os israelitas de volta ao Monte Sinai, confirma Sua Aliança com eles e promete abençoá-los se eles O seguirem, e amaldiçoá-los se O deixarem.
  •  No livro de Josué eles iniciam a conquista da terra prometida. Josué conduz a nação até o final de sua vida, e é aí que começa o livro de Juízes - com a morte de Josué.
Precisamos entender que o povo não foi capaz de tomar posse integral da terra prometida sob a liderança de Josué, mesmo após a sua morte. Por que será?
Juízes 1:19 dá os motivos para tal sob a perspectiva dos israelitas.
"Esteve o SENHOR com Judá, e este despovoou as montanhas; porém não expulsou os moradores do vale, porquanto tinham carros de ferro.”
Será que esta foi a verdadeira razão pela qual os israelitas não conseguiram expulsar seus inimigos? Será que carros de ferro impediram Deus de lançar os egípcios no Mar Vermelho? O restante dos capítulos 1 e 2 contam como Israel fracassou em sua missão.
Em Juízes 2:2-3 e 20-23 o fracasso dos israelitas é mostrado sob a perspectiva de Deus.
"Subiu o Anjo do SENHOR de Gilgal a Boquim e disse: Do Egito vos fiz subir e vos trouxe à terra que, sob juramento, havia prometido a vossos pais. Eu disse: nunca invalidarei a minha aliança convosco. Vós, porém, não fareis aliança com os moradores desta terra; antes, derribareis os seus altares; contudo, não obedecestes à minha voz. Que é isso que fizestes? Pelo que também eu disse: não os expulsarei de diante de vós; antes, vos serão por adversários, e os seus deuses vos serão laços.”
Portanto, vemos que as verdadeiras razões para o fracasso de Israel foram desobediência e falta de fé em Deus.
Juízes 3:5-6 resume como os israelitas se saíram no teste.
"Habitando, pois, os filhos de Israel no meio dos cananeus, dos heteus, e amorreus, e ferezeus, e heveus, e jebuseus, tomaram de suas filhas para si por mulheres e deram as suas próprias aos filhos deles; e rendiam culto a seus deuses.”
Princípio: Quem anda com más companhias certamente pegará seus maus costumes.

SUMÁRIO

Assim, Juízes fala sobre a convivência das tribos de Israel com seus inimigos e sobre a opressão exercida por estes, um após outro. Quando as coisas ficavam realmente ruins, Deus levantava um juiz que conduzia uma campanha militar e derrotava um determinado inimigo, havendo paz durante alguns anos. E aí o ciclo recomeçava. Basicamente, vemos seis desses ciclos ao longo do livro. A cada um deles as coisas ficavam um pouco pior. Era como descer uma escada em espiral.

Abordando Juízes Como Literatura

Geralmente abrimos a Bíblia para procurar proposições teológicas ou estudar algum personagem, como Elias, José ou Gideão, e ignoramos suas partes históricas ou narrativas. No entanto, podemos aprender muitas coisas dessas partes. Uma coisa bastante útil é examiná-la como obra literária, não apenas como um livro repleto de afirmações teológicas. Com certeza a leitura se tornará mais agradável e, mais importante, nos ajudará a descobrir quais pontos o autor está tentando ressaltar.
Um dos aspectos literários que devemos procurar é a repetição de frases. Veremos isso em Juízes. Outra coisa é analisar como o autor lida com o papel dos personagens. Creio que um estudo desses homens e mulheres irá nos mostrar coisas muito importantes. Creio também que o livro revele (de forma negativa) a importância de uma liderança competente para o povo de Deus. Embora vários juízes ou líderes tenham sido levantados por Deus para obterem vitórias militares, muitos fracassaram lamentavelmente em outros aspectos. A despeito de seu sucesso militar, o clima espiritual de Israel se tornava cada vez pior, enquanto violência e anarquia assolavam o país. Os últimos capítulos do livro incluem uma sórdida narrativa de idolatria, estupro coletivo, guerra civil e seqüestro. As palavras finais são bastante sombrias: "Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada um fazia o que achava mais reto." (21:25; 17:6; 18:1; 19:1). Este cenário prepara o terreno para a ascensão de Samuel e Davi, por meio dos quais Deus restauraria a imagem da fidelidade pactual e da ordem social de Israel.
Não é possível ler Juízes sem perceber que as mulheres aparecem em vários pontos estratégicos da narrativa. Elas assumem uma variedade de papéis: de heroínas e sedutoras a vítimas inocentes. A alteração de seus papéis ao longo do livro contribui amplamente para o retrato da desintegração social de Israel, a qual atinge seu ponto máximo em I Samuel 1, com a figura oprimida de Ana, por meio de quem o Senhor reverte a decadência descrita em Juízes e retoma a liderança ideal apresentada no início do livro.
Nosso estudo analisará a relação entre os personagens masculinos e femininos do livro e procurará explicar:
  •  como a alteração dos papéis femininos é o fator-chave para uma avaliação mais abrangente da liderança masculina de Israel durante esse período.
  •  como a história de duas dessas mulheres estabelece, de forma singular, o cenário para o aparecimento de Ana.
Dividi o livro em algumas seções. Uma das coisas que me ajudou a fazer essa divisão foi a repetição da frase "Os filhos de Israel fizeram o que era mau perante o SENHOR...", que antecede:
  •  3:7 - a apresentação de Otoniel
  •  3:12 - a apresentação de Eúde
  •  4:1 - a história de Débora e Baraque
  •  6:1 - a história de Gideão
  •  10:6 - a apresentação de Jefté
  •  13:1 - a história de Sansão
Ocorre ainda que, se dividirmos o livro de acordo com o papel desempenhado pelas mulheres, as divisões praticamente coincidem com as frases introdutórias:
  •  1-3 - Guerreiro conquista esposa e pai abençoa a filha
  •  4-5 - Mulher corajosa atrai soldado inimigo para a morte
  •  6-9 - Uma mulher livra Israel das mãos de inimigo com sede de poder
  •  10-12 - Soldado israelita vence batalha, mas traz maldição sobre sua filha
  •  13-16 - Mulher inimiga atrai soldado israelita para a morte
  •  17-21 - Mulheres israelitas são oprimidas por seus conterrâneos

Guerreiro conquista esposa e pai abençoa a filha (Juízes 1-3)

Na primeira parte do capítulo um vemos que Josué morre e que os israelitas continuam a tomar posse da terra prometida. No final do capítulo três lemos sobre as façanhas de Otoniel, Eúde e Sangar. Estes juízes corajosamente libertaram Israel da opressão de seus inimigos. Embora suas histórias sejam breves, o autor retrata homens de coragem e ousadia militar.
Vamos estudá-los com mais detalhes.

OTONIEL

Otoniel aparece pela primeira vez em 1:13, quando toma parte numa campanha militar liderada por Calebe.
Em 1:13 ele é mostrado como um guerreiro divinamente capacitado, cuja eficiência militar é quase prosaica. Quando Calebe oferece sua filha àquele que capturar Quiriate-Sefer, o verso 13 simplesmente diz: "Tomou-a, pois, Otniel...”
O verso 1:14 da sua Bíblia provavelmente diz que Acsa persuade Otoniel a pedir um campo ao pai dela; mas esta não é uma boa tradução do hebraico. A expressão "a ele" não está no original. A NVI chega a traduzir como "ela foi até Otoniel". Os tradutores tomaram muita liberdade com o texto, como não costumam fazer.
A tradução mais apropriada seria "Sucedeu, então, que vindo ela, persuadiu-o (seu pai) pedindo-lhe um campo." (Primeiro está escrito o que vai acontecer e só depois vem a ação...) "e ela apeou do jumento; então, Calebe lhe perguntou: Que desejas?”
Estou gastando tempo na correção desta tradução porque acho importante entender que Otoniel não é nenhum fraco ou ganancioso, que está pedindo uma esmola a seu sogro. Pelo contrário, Acsa é quem pede o dote ao pai dela.
E é aqui que quero mostrar a primeira divisão do livro, que acentua o caráter guerreiro de Otoniel e a bênção de um pai para sua filha.

A BÊNÇÃO PATERNA

Pode parecer, a princípio, que Calebe não está tratando muito bem sua filha, por oferecê-la como prêmio por bravura. Contudo, precisamos reconhecer que seu desafio aos soldados israelitas garantiria que ela se casasse com um homem forte e corajoso, o qual, sem dúvida, seria o líder e provedor de sua família. Creio também poder concluir que, se este guerreiro tomou uma cidade, foi porque tem tinha fé em Deus. Esta sempre foi a única maneira dos israelitas vencerem uma batalha. Assim, eram boas as chances de Calebe estar providenciando um homem de Deus para Acsa. Por isso, concluo que ele encontrou um bom marido para ela.
O presente de Calebe também ilustra o cuidado protetor que os pais devem ter para com suas esposas e filhas.
Digo isto porque, mais adiante, veremos um pai que faz uma promessa semelhante, mas com trágicas conseqüências para sua filha (10-12:7). Também veremos que a decadência moral dos homens de Israel chega a ponto de eles afligirem suas próprias mulheres e não cuidarem delas.
Acsa é um belo exemplo de donzela conquistada por bravura. Seu papel fará um contrate muito grande com o papel das mulheres do final do livro. É como num filme do Rei Arthur. No entanto, esta história foi escrita muito tempo antes dos Cavaleiros da Távola Redonda. Quando assistir a um filme do Rei Arthur novamente, você dirá: "Ei, é como na história da Bíblia.”
Assim, temos um guerreiro exemplar, líder corajoso, e uma mulher que se beneficia de sua liderança.

O LÍDER IDEAL

Primeiramente, gostaria de dizer que não há muitas coisas escritas sobre Otoniel. Mas isto é normal quando se deseja retratar alguém como modelo ou exemplo para outras pessoas. O autor não quer que saibamos tudo a respeito do personagem, principalmente seus defeitos e fraquezas. Ele é um personagem-modelo.
Para o autor de Juízes, Otoniel representa o guerreiro ideal, que segue os passos de Josué, derrota corajosamente o inimigo e toma posse da terra que Deus deu a Seu povo.
Após lermos sobre Otoniel no capítulo 1, vemos que o trabalho feito pelos israelitas para se livrarem de seus inimigos foi lamentável.
Em 3:7-11 leremos mais sobre suas façanhas, quando ele derrotar Cusã-Risataim. Repito, não há muita coisa escrita sobre ele ou sobre como derrotou o inimigo. Simplesmente está escrito que ele libertou a nação. Infelizmente, nenhum guerreiro israelita chegaria ao padrão estabelecido por Otoniel até Davi emergir centenas de anos depois.

EÚDE 3:12-30

A história de Eúde é uma narrativa sangrenta de como um guerreiro valente e sagaz ludibria seu inimigo. Para nós, a história poderia ser repulsiva, mas, para o público israelita, ela é cômica e inspiradora. Eúde é outro exemplo de guerreiro valente que confia em Deus (cf. 3:28) e derrota um dos inimigos da nação.

SANGAR 3:31

Pouco é dito sobre Sangar, por isso, não podemos tirar muitas conclusões a seu respeito. No entanto, uma vez que ele está relacionado com Otoniel e Eúde, creio que pode ser visto sob uma luz favorável.
Em resumo, os três primeiros capítulos de Juízes, embora não sejam totalmente positivos em sua avaliação do início da história de Israel, mostram um quadro razoavelmente bom de seus heróis e de uma mulher que inspira grandes feitos e é abençoada por seu pai.

Mulher corajosa atrai soldado inimigo para a morte (Juízes 4-5)

Antes de mais nada percebemos que, nessa época, Israel é liderado por uma mulher. Isto poderia levantar uma pergunta entre os leitores: o que faz uma mulher na liderança da nação? As coisas deviam estar bem ruins. E estavam. Não havia homens corajosos o suficiente para liderar. Veja a resposta de Baraque à ordem de Débora no verso 8: "Se fores comigo, irei; porém, se não fores comigo, não irei." Ele parece uma criancinha conversando com sua mãe. A resposta de Débora no verso 9 demonstra que a atitude de Baraque era totalmente descabida. A honra pela vitória não seria dele, mas de uma mulher.
Vemos que Baraque realmente derrota o inimigo, mas Sísera, o comandante do exército do rei Jabim, escapa e busca abrigo na tenda de um aliado. Aqui Jael entra na história. A despeito da lealdade de seu marido a Sísera, ela é leal a Israel. Por isso, convida Sísera a entrar em sua tenda, dá leite a ele e coloca-o na cama, pois ele está exausto por ter fugido o dia todo; depois, enquanto ele está dormindo, ela crava uma estaca em sua cabeça.
No capítulo 5 há uma extensa canção de celebração. Nessa canção, Jael recebe louvor especial por ter derrotado Sísera. A canção poderia ter sido em honra a Baraque.
Ainda no capítulo 5, a partir do verso 28, ficamos conhecendo a mãe de Sísera. Ela está olhando pela janela, à espera de seu filho. Ela presume que ele esteja demorando porque derrotou o inimigo e está raptando uma mulher ou duas. A ironia é que ele está sendo morto por uma mulher.
O que aprendemos desta história?
  •  Baraque desfruta o sucesso, mas não demonstra a coragem de seus predecessores. Ele pediu apoio militar a uma mulher.
  •  As palavras de Débora são cumpridas: uma mulher recebe a honra pela morte de Sísera.
  •  O papel de guerreiro ideal apresentado no capítulo 3 é desempenhado por uma mulher. Jael é corajosa, toma decisões importantes e sua bravura nos faz lembrar de Eúde, o matador solitário que se valeu de um engodo para dar cabo de um inimigo sem que ninguém percebesse (3:12-30).
  •  Como Sangar, ela usa uma arma incomum. Ele usou uma aguilhada de bois. Ela, uma estaca de sua tenda.
  •  Como Sangar, ela não faz parte do povo de Israel.
No final dessa história, vemos que Israel dá um passo atrás em termos de liderança masculina. Felizmente, duas mulheres se mostram à altura da situação, para compensar a fraqueza dos homens.

Uma mulher livra Israel das mãos de inimigo com sede de poder (Juízes 6-9)

Em seguida temos a história de Gideão. Quase todos nós já ouvimos falar sobre ele. Ele é muito conhecido por ter derrotado o exército midianita com apenas 300 homens.
No entanto, Gideão é um pouco confuso. Ele é cheio de dúvidas e de medos. Ao longo de sua história ele questiona a Deus e O coloca à prova. (O teste com o novelo de lã é famoso.) Mas Deus é paciente com ele e o usa para destruir o inimigo. Sua história nos encoraja e nos dá esperança de que Deus também nos use, a despeito de nossas dúvidas e fraquezas.
Mas eu gostaria de examinar a vida de Gideão da maneira como estamos estudando até agora: sob o ponto de vista do declínio da liderança masculina de Israel.
  •  Como Baraque, Gideão também hesita ao ser chamado para entrar em ação. Se Baraque responde a Débora com um “Se..." Em 6:17, Gideão responde com um "SE” gigante. O mesmo acontece em 6:36. Não é de se estranhar que, em 7:10, Deus lhe diga: "Se ainda temes atacar, desce tu com teu moço Pura ao arraial...”
  •  Quando o povo pede que ele se torne rei, ele não aceita, e acho que isso foi uma coisa positiva. Contudo, em 8:27, sua atitude muda completamente e ele faz uma estola sacerdotal. Essa estola era uma espécie de manto usado pelo sumo-sacerdote, da qual pendia um saquinho com o Urim e o Tumim, utilizados para determinar a vontade de Deus. A estola de Gideão é utilizada, então, na prática ilegal de adivinhação, ou seja, transforma-se em objeto de idolatria. Por isso, ele contribui para o declínio espiritual da nação.
  •  Gideão teve muitas esposas e uma concubina, as quais lhe deram 70 filhos e um outro de nome Abimeleque. A família tem muitas brigas e Abimeleque acaba matando todos os seus irmãos e investindo a si mesmo no poder. Ele, na verdade, não tem nenhum direito à herança, pois sua mãe é uma concubina. Por isso, ele vai aterrorizar o interior do país.
A esta altura dos acontecimentos, mais uma mulher de importância entra na história. Quando Abimeleque está em Tebes, uma mulher atira uma pedra de moinho em sua cabeça (9:53). O texto deixa claro que foi ela mesma quem "atirou" a pedra, o que sugere um ato heróico de grande esforço e a coloca no papel de guerreiro.
Minha pergunta é: "Se todos os homens e mulheres da cidade estavam na torre, por que uma mulher é quem toma a iniciativa de matar Abimeleque?" Acho que isso demonstra que os homens eram uns molengas. Eles não tinham iniciativa. Por isso, na história da morte de Abimeleque, uma vez mais uma mulher salva Israel (ironicamente, novamente com um golpe fatal na cabeça usando uma arma incomum, cf. 5:26 com 9:53). Só que, desta vez, o inimigo é um israelita. Gooding escreve:
"As coisas realmente se agravaram quando a sujeição de Israel passou a ser a alguém de seu próprio povo, o qual, em vez de libertar a nação, instalou a si mesmo como ditador, mantendo o poder pela força.”
Por isso, o que vimos até aqui é uma mudança no papel das mulheres: de musa inspiradora de bravos guerreiros a libertadora de Israel da opressão de um de seus próprios cidadãos.
Vemos que a liderança de Israel está se desintegrando. Otoniel, Eúde e Sangar foram guerreiros sábios e corajosos. Baraque já não foi tão corajoso. Gideão não foi nem tão corajoso nem tão sábio. Agora, veremos outro líder que também não foi tão corajoso e ainda foi muito tolo.

Soldado israelita vence batalha, mas traz maldição sobre sua filha (Juízes 10-12)

Temos nossa frase introdutória em 10:6 e depois, em 11:1, Jefté é apresentado. Logo no início ficamos sabendo que ele é um "guerreiro valente", mas filho de uma prostituta. Nesse sentido, ele é parecido com Abimeleque.
Os meios-irmãos de Jefté, filhos legítimos de seu pai, expulsam-no da cidade e ele começa a associar-se a "homens levianos". Assim, aprendendo a sobreviver e a defender-se "nas ruas", ele fica mais forte. Quando as coisas realmente ficam feias para Israel, os anciãos pedem que ele volte, concordando em deixá-lo conduzir a nação, caso ele os ajude.
Em 11:29, vemos que o Espírito de Deus vem em seu auxílio, mas ele não confia em Deus como deveria e acaba fazendo uma promessa muito precipitada. Da mesma forma que Baraque e Gideão, ele usa um grande "SE” antes da batalha. A expressão exata de seu voto indica que ele pretende oferecer um sacrifício humano, não animal, mas espera que seja alguém do sexo masculino. (Podemos tirar esta conclusão por ele ter usado um termo masculino.) Ele tem somente um descendente, uma filha, por isso, provavelmente, estava pensando em algum servo.
Fica comprovado que o voto foi tolo e precipitado, pois, ao retornar para casa, vitorioso, a primeira pessoa que ele encontra é sua filha. Creio que ele manteve seu voto e a sacrificou. Não há nenhuma razão para pensarmos que ele a tenha enviado para o templo para uma vida de serviço a Deus. O tributo prestado a ela todos os anos (11:40) parece mais viável no caso de ela estar morta, não viva.
Em contraste com Calebe, que trouxe bênção para sua filha, a loucura de Jefté trouxe maldição para a sua.
Finalmente, em 12:4, vemos que Jefté se envolve numa guerra civil contra os efraimitas. Em contraste com Eúde, que toma os vaus do Jordão contra o exército gentio, Jefté luta contra seus compatriotas israelitas.
Uma vez mais a crise na liderança de Israel é evidente. A inversão de papéis das principais personagens femininas chama a atenção para esse fato. Agora, uma mulher torna-se vítima da falta de fé e sabedoria de seu próprio pai.

Mulher inimiga atrai soldado israelita para a morte (Juízes 13-16)

A seguir, temos a história de Sansão. Ele parece ter todas as qualidades necessárias a um grande líder.
  •  Sua concepção é sobrenatural, indicando que Deus tem um propósito especial para ele.
  •  Como Otoniel, ele é divinamente capacitado, é destemido e não hesita em atacar os inimigos do Senhor.
  •  Como Eúde, ele é esperto. Ama enigmas.
  •  Como Sangar, é capaz de matar centenas de inimigos, mesmo com uma arma incomum. Se bem me lembro, a arma escolhida foi uma queixada de jumento. Creio que o uso de armas não convencionais ao longo do livro de Juízes demonstra que é Deus quem dá a vitória.
Entretanto, não precisamos ir muito longe para ver a fraqueza de Sansão pelas mulheres. Ele se casa com uma mulher de Timna. Está escrito que Deus aprovou o casamento (14:4). Isto tanto pode significar que Deus tenha colocado o desejo no coração de Sansão, quanto pode indicar que este desejo seria utilizado por Deus, sem aprovação do casamento. Sansão também se envolve com uma prostituta em Gaza e com Dalila, outra prostituta filistéia que veio a ser sua ruína.
Em 14:2 está escrito que Sansão "viu" uma mulher em Timna (14:2) e, em 16:2, que “viu" uma prostituta em Gaza. Isto soa um tanto irônico, pois, quando ele é capturado pelos filisteus, estes vazam seus olhos, e assim ele não poderá “ver" mais nenhuma mulher.
Uma vez que estamos analisando Juízes como história, precisamos reconhecer que, em contraste com Jael, que atraiu um general inimigo para a morte, Dalila, uma inimiga, atrai para a morte o maior de todos os guerreiros de Israel. Sansão agora está no papel de Sísera. Deus permite que ele se vingue, mas ele também acaba morrendo.
A morte de Sansão no templo filisteu torna completo o ciclo descendente da liderança de Israel. A falta de fé abriu caminho para a falta de sabedoria. Nenhum outro líder individual aparece no livro. Os capítulos finais descrevem um período de anarquia que supera a desordem provocada anteriormente por Abimeleque.

Mulheres israelitas são oprimidas por seus conterrâneos (Juízes 17-21)

Sem liderança espiritual efetiva, o povo de Israel (como todos os seres humanos), com sua propensão à rebeldia, abandona o Senhor. A idolatria e a guerra civil tomam conta da nação.
Nesta seção do livro as mulheres desempenham papéis importantes como vítimas de sua época. No capítulo 19, um levita, viajando com sua concubina (concubina? perguntaria o leitor), decide ser mais seguro passar a noite em território israelita do que em território jebuseu. Novamente, mais ironia. Ele estava errado. Teria sido mais seguro permanecer em território jebuseu. Um grupo de israelitas vai ao lugar onde ele está hospedado, a fim de ter relações sexuais com ele. (O paralelo com Sodoma e Gomorra deve ser óbvio.) Ele manda a concubina em seu lugar e eles abusam dela a noite toda, deixando-a à beira da morte.
Quando o levita pede aos benjamitas que lhe entreguem os criminosos, eles se recusam. Por isso, ele divide o corpo da mulher morta em 12 partes e envia os pedaços às demais tribos de Israel, pedindo seu auxílio; e a guerra civil explode. Os benjamitas são quase exterminados. Cidades, mulheres e crianças são destruídas e somente 600 homens conseguem escapar. A fim de que a tribo não seja extinta, as outras tribos destroem a cidade de Jabes-Gileade, que não tinha tomado parte na guerra civil, providenciando desta forma 400 jovens virgens para os benjamitas sobreviventes. Para completar o número de jovens necessárias, as tribos enviam os benjamitas a Siló para que raptem mais 200 mulheres durante a festa da colheita.
É irônico e deplorável que a nação tenha chegado tão baixo. Embora os israelitas supostamente tenham abominado a atitude dos benjamitas em relação à concubina do levita, eles acabaram fazendo a mesma coisa, só que em escala maciça.

Sumário

O declínio moral de Israel está completo. No começo do livro, as mulheres inspiravam os homens a grandes feitos; depois, passaram a desempenhar o papel de libertadoras - primeiro de inimigos externos e então de inimigos internos. Agora são violentadas, raptadas e massacradas por seus próprios compatriotas. Compare o final do livro com a história de Sísera. No início, a ameaça vinha de fora. Se fossem os homens de Sísera que tivessem vencido a batalha, seriam eles que violentariam as mulheres israelitas. Agora, no entanto, vemos que o declínio na liderança masculina é tão grande que são os próprios israelitas que afligem suas próprias mulheres.

Aplicação

Como tudo isto se aplica a nós?
  •  Creio que as coisas que vimos nos mostram como é importante ter fé em Deus e iniciativa para agir. Lembramos de Otoniel, que era forte na fé, em contraste com Gideão e Baraque, que não eram.
  •  Também vimos que Deus pode usar homens que são fracos na fé (Gideão).
  •  Uma das mensagens de Juízes é que uma só pessoa pode fazer toda a diferença. A Bíblia tem muita gente, mas há vezes em que Deus usa pessoas individuais para realizar Sua vontade.
  •  A questão da liderança masculina talvez seja o ponto principal do livro.
Com freqüência as pessoas usam o livro de Juízes para provar que liderança feminina é bíblica. No entanto, creio que estas histórias mostram que os homens eram fracos e não estavam fazendo o que deveriam. Débora, Jael e a mulher que matou Abimeleque foram grandes mulheres. Não consigo encontrar nelas nenhum defeito. Contudo, tudo o vimos demonstra que aquela era uma sociedade decadente. Quando surgem oportunidades para a liderança feminina, na verdade, é sinal de que alguma coisa está errada.
Liderança masculina também é um grande problema em nossos dias. Para muitas pessoas é quase um palavrão. Alguns poucos cristãos conservadores, "duros na queda", ainda concordam com ela, mas não muitos. Não é politicamente correta. No entanto, podemos ver que este é um problema comum em toda a Bíblia.
Tudo começou com Adão. Ele não exercia sua liderança quando comeu o fruto. Ele seguia o exemplo de Eva. Sei que a maioria de nós já ouviu a explicação de Gênesis 3:16 sobre o desejo da mulher de governar sobre o seu marido, mas que Deus queria que a liderança fosse do homem. A inclinação natural do homem é esquivar-se e deixar de tomar a iniciativa. Deus fez-nos assim para que a única maneira de sermos bem sucedidos como líderes seja andando pela fé e confiando Nele para nos segurar quando cairmos ou falharmos. E nós cairemos. Tomaremos decisões erradas. E esta é a razão pela qual não queremos assumir a liderança. Temos medo. Quando os homens falham nesse sentido, geralmente as mulheres interferem e fazem o que é preciso. Normalmente elas também fazem um bom trabalho, mas este não é o ideal de Deus, e o resultado final é a ruína.
Qual é a maior razão para não assumirmos a liderança? - O medo - medo do fracasso. Pense em todas as passagens de Juízes onde o herói disse: "Se..." (Baraque, Gideão, Jefté...) Eles tinham medo do fracasso.
Creio que um dos pontos principais do livro seja que os homens precisam tomar a iniciativa e ser líderes. Um dos sinais de uma sociedade decadente é a falta de liderança masculina. Os homens precisam ter fé em Deus e agir com sabedoria. Quando eles não lideram, existe uma grande probabilidade das mulheres interferirem. Elas farão um bom trabalho, mas não conseguirão remar contra a maré e, no final, a sociedade descerá a ladeira tão depressa que se tornará vítima de todos os tipos de atrocidades.
Será que isto tem algo a ver com a nossa sociedade? Creio que nos aproximamos rapidamente de um período tal como este que acabamos de ler.
Para ler mais sobre este assunto, dê uma olhada no estudo "Por que os Homem Não Falam".

Preparando o Caminho para Ana e Samuel

Juízes não é um livro do mais agradáveis. Se alguém fizesse um filme minucioso sobre ele, a classificação teria que ser "R" ("restricted": proibido para menores de 18 anos), devido à violência e à perversão sexual. Todavia, Juízes foi colocado na Bíblia com um propósito. Ele nos mostra como as coisas ruins entraram em Israel antes da chegada de Davi. Vamos dar mais uma olhada no gráfico do Velho Testamento, que mostra como Juízes se encaixa na história de Israel.
Embora tenhamos traçado o declínio da sociedade israelita de acordo com o papel desempenhado pelas mulheres, o autor de Juízes também começou a elaborar um outro tema para apresentar a seus leitores. A pista está numa frase que aparece no início de cada seção: "Havia um (certo) homem de...”
Esta frase é apenas encontrada em Juízes (duas vezes), Rute (uma vez) e I e II Samuel. Acho que é esta uma boa pista de que foi Samuel quem escreveu Juízes e Rute também.
Há ainda outras duas mulheres sobre as quais não falamos: a mãe de Sansão e a mãe de Mica. Elas não se encaixam no cenário anterior, mas desempenham um papel importante no desenrolar do outro tema. Estas senhoras servem como realce na história para a introdução de Ana e seu filho.
Juízes 13:2 diz: "Havia um homem de Zorá...", cuja esposa era estéril e o Anjo do Senhor apareceu a ela e lhe disse que ela teria um filho a quem dedicaria ao serviço do Senhor, e ela teve Sansão. Como vimos, Sansão foi um grande guerreiro, mas não um grande líder. Sua vida foi um desastre. Por isso, a história da mãe de Sansão serve para realçar a história de Ana, apresentada em I Samuel.
Juízes 17:1 diz: "Havia um homem da região montanhosa...” Outra mãe é apresentada. A história da mãe de Mica também serve como realce para a história de Ana. Quando Mica admite ter roubado os 1100 ciclos de prata, sua mãe o abençoa (quando deveria tê-lo repreendido). Ela consagra ao Senhor o dinheiro devolvido e incumbe o filho de manter uma imagem de escultura e um ídolo de fundição feitos com parte da prata. Este ídolo acaba sendo usado pelos danitas para estabelecer o culto religioso em Laís (18:30-31). Uma vez mais vemos um personagem induzindo a nação em erro.
Rute 1:1 diz: “Nos dias em que julgavam os juízes, houve fome na terra; e um homem de Belém de Judá saiu a habitar na terra de Moabe..." Esta frase é semelhante às frases encontradas em Juízes e o autor está prestes a nos apresentar Rute, a heroína da história. Novamente temos uma mulher como personagem de destaque. Rute se sobressai como uma luz resplandecente em meio às trevas do período dos juízes. Ela é exemplo de fidelidade, amor e lealdade - ideal de Deus para aqueles que são Seus. No entanto, quem cumpre esse ideal é uma mulher de fora, que não faz parte do povo de Deus.
Então, chegamos a I Samuel.
I Samuel 1:1 diz: "Houve um homem de Ramataim-Zofim...”
Ana é apresentada. Ela é estéril como a mãe de Sansão. Ela ora a Deus pedindo um filho e faz um voto de que o dedicará ao serviço do Senhor. Vemos que ela promete que jamais uma navalha passará sobre a cabeça dele. A frase introdutória "Houve um homem de...” deve relembrar ao leitor que isto se refere à história de Sansão. Com certeza, o voto sobre o cabelo também. Deus ouve a oração de Ana, Samuel nasce e ela o dedica ao Senhor. No capítulo 10, Deus usa Samuel para constituir um rei em Israel. Você deve se lembrar que o último comentário de Juízes foi: "Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada um fazia o que achava mais reto." Deus muda essa situação em I Samuel. Esta é outra pista literária de que o livro de Juízes nos prepara para a chegada do rei Davi. 
Assim, parece claro para mim que Juízes, Rute e Samuel foram escritos pelo mesmo autor. Em Juízes, ele mostra o declínio da nação. Em Rute, que é uma mulher estrangeira que exemplifica a fidelidade do amor de Deus. E depois, em I Samuel, a ascensão da nação de volta à grandeza pela liderança de Davi. A história de Davi e Golias faz-nos relembrar a história dos primeiros juízes - Otoniel, Eúde e Sangar. Davi também não usou uma arma incomum na luta contra o gigante Golias?
Fico impressionado com a seqüência dos livros de Juízes, Rute e I Samuel, e com a habilidade do autor em fazer a ligação entre eles.
Mas não devemos ficar apenas impressionados. Os homens devem se convencer de sua responsabilidade de confiar em Deus e tomar a liderança. E as mulheres, da futilidade de interferir e tomar as rédeas quando os homens não assumem seu papel.



https://bible.org/node/17802