sexta-feira, 25 de julho de 2014

Humildade

 A Humildade


A palavra "humildade" e as suas formas (humilhado, humilhação, humildemente, humilha, etc.) é usada mais que 70 vezes pela Bíblia. O uso numeroso desta palavra pela Bíblia nos dá uma idéia da sua importância para nós.
Pode ser que a humildade signifique qualidades diferente para pessoas diferentes. Olhando no dicionário entendemos que essa virtude que nos dá o sentimento da nossa fraqueza (Aurélio) é uma qualidade boa na vida de qualquer pessoa. O humilde é comparado a uma pessoa respeitosa, reverente e submissa. Como uma pessoa pobre não pode se gloriar de grandes posses, uma pessoa humilde não se gloria de grandes qualidades.
O que significa essa palavra na Bíblia?
Examinando quais palavras são usadas por Deus na inspiração da Sua Bíblia para expressar essa qualidade de humildade, podemos aprender muito. Queremos examinar as palavras usadas tanto no Velho Testamento quanto no Novo Testamento. Assim podemos tirar as nossas próprias conclusões.
Quando essa palavra está usada no Velho Testamento pode significar:
  • Sentir-se menos em mente, ser brando; ou em circunstancia, pobre ou piedoso ! subjetivo - #6035, Strongs. Esse significado é a raiz de 6038 e 6031.
  • condescendência ("humildade" - Prov. 15:33; 18:12; 22:4), que é de ceder voluntariamente. Se um homem faz isto é chamado modéstia. Se o divino faz isto é chamado clemência (#6038, Strongs) .
  • Rebaixamento voluntário ou forçado, submissão ("humilhar-te" ! Êx. 10:3; Deut 8:2,3, 16; "humilhado" ! Deut 21:14; "humilhou" ! Deut 22:24,29; Ezequiel 22:11; "humilhai-as" Juízes 19:24; "humilhava" ! Sal. 35:13; "humilharam" ! Ezequiel 22:10; - #6031, Strongs)
  • Dobrar o joelho, conquistar ("se humilhar" ! Lev 26:41; II Cron. 7:14; "se humilha" ! I Reis 21:29; "te humilhaste" ! II Reis 22:19; "se humilharam" ! II Cron.12:6; 30:11; "se humilhavam" ! II Cron. 12:7; "humilhando-se" ! II Cron. 12:12; "se humilhou" II Cron. 32:26; 33:12,23; 36:12; "se humilhasse" ! II Cron. 33:19; "se humilhara" II Cron. 33:23; "te humilhaste" ! II Cron. 34:27 ! #3665, Strongs).
  • Aquele que sente-se menos em mente, ou em circunstancia ! objetivo - ("aflitos" ! Sal. 9:12; "humildes" ! Sal. 10:12; "mansos" ! Sal. 10:17; 34:2 ! #6041, Strongs).
  • Ser rebaixado, ser degradado ! ( "se inclina"- Sal. 113:6; "ser humilde" ! Prov. 16:19; "se abate"- Isaías 2:9; "te abaterem" ! Jó 22:29; "humilhai-vos" ! Jer. 13:18 - #8213, Strongs).
  • Se rebaixar ("humilhaste"- Daniel 5:22, # 8214, Strongs).
  • Baixeza ("humilde"- Jó 22:29 - #7807, Strongs).
  • Quebrado, contristado ("se humilharam"- Jer. 44:10 - #1792, Strongs)
  • Prostrar-se, adorar ("me inclino" ! II Sam 16:4 - #7812)
  • Ser modesto ("humildemente" ! Miquéias 6:8 - #6800)
  • Si pisar ("humilha-te" ! Prov. 6:4, #7511, Strongs)
  • Se diminuir ("se abate" ! Lam 3:20, #7743, Strongs)
  • Se agachar ("abaixa-se"- Sal. 10:10, #7817, Strongs)
Quando essa palavra é usada no Novo Testamento, pode significar:
As palavras em grego usadas para descrever a virtude de humildade são todas relacionadas umas com as outras. Examinaremos em detalhe somente duas destas palavras gregas. Os demais versículos das outras palavras gregas dariam sentido quase igual com essas palavras e, portanto, somente daremos um resumido espaço a elas.
  • #5011 (Strongs) Ser deprimido (abatido, enfraquecido) em circunstancias (pobreza) ou em disposição (atitude). Os seus usos pelo Novo Testamento:
Cristo é nosso exemplo primário:

Mat. 11: 29, "que sou manso e humilde de coração" (de atitude) ! Isaías 53:2,3, "Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens"; 42:3 "A cana trilhado não quebrará, nem apagará o pavio que fumega;" (Mat. 12:20)
Lucas 1 :52, "elevou os humildes" (pobres) como Maria. Apesar de sua baixa estimação pela sociedade (Luc. 1:48), Deus a usou como um maravilhoso instrumento para operar a Sua vontade para toda a humanidade que crê. Assim Deus opera ainda hoje (I Cor. 1:26-29, "não são muitos os sábios , ... poderosos, ... nobres que são chamados. Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; ... as coisas fracas para confundir as fortes; ... as coisas vis e desprezíveis, e que não são, para aniquilar as que são; para que nenhuma carne glorie perante Ele.")


Humildade É O Nosso Dever

Romanos 12:16,
"Sede unânimes entre vós;" - não é o ecumenismo que está sendo ensinado neste versículo. O que está sendo ensinado é aquela atitude demonstrada por Jesus e os demais santos bíblicos. Jesus mesmo disse: "Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas" (Mateus 7:12). A mesma verdade aprendemos com Tiago quando disse: "Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis" (Tiago 2:8). Perante os olhos de Deus todos somos igualmente pecadores, e todos precisam se arrepender de seus pecados crendo pela fé em Cristo.
Em vista disso a Bíblia diz: "...não ambicioneis coisas altas..." Romanos 12:7. Ainda em Gálatas 6:2 Paulo diz: "Levai as cargas uns dos outros ..." Em Tiago 1:27 podemos ler: "Visitar os órfãos e as viúvas na suas tribulações ...". Aprendemos então que não devemos ter pretensões superiores sobre os nossos semelhantes.
Podemos notar registrado em Mateus as preciosas lições de humildade ensinadas por Jesus aos seus discípulos: "Então Jesus, chamando-os para junto de si, disse: Bem sabeis que pelos príncipes dos gentios são estes dominados, e que os grandes exercem autoridade sobre eles. Não será assim entre vós; mas todo aquele que quiser entre vós fazer-se grande seja vosso serviçal; E, qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo; Bem como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos" (Mateus 20:25-28).
"...mas acomodai-vos às humildes..." (Romanos 12:16). Também devemos gostar da companhia dos pobres e dos que são despojados de quaisquer qualificações, Tiago 2:1-5. Em Provérbios. 3:7 podemos observar o sábio conselho de Salomão: "Não sejas sábio a teus próprios olhos; teme ao SENHOR e aparta-te do mal".

Humildade É A Obra de Deus

Em II Cor. 7:6 diz: "Mas Deus, que consola os abatidos..." Os cristãos que têm tribulações, pobreza e sentimentos de fraqueza, sem dúvida alguma usufrui da companhia do poderoso Consolador, o próprio Deus.
O sábio tem a sua sabedoria para lhe consolar.
O forte tem a sua força para lhe consolar.
O rico tem a sua riqueza para lhe consolar.
Porém, os fracos podem conhecer a beneficência, juízo e justiça do próprio Deus. Este é o consolo que o abatido pode gloriar-se (Jer. 9:23,24). Porém, não se glorie de sua pobreza, mas em Deus. A pobreza pode ser um fator convincente da sua necessidade de Deus, mas a glória deve ser dada a Deus.
Em Tiago 4:6 e em I Pedro 5:5 lemos: "Deus dá graça aos humildes" . Deus ampara os desamparados e os humildes. Os que se julgam auto-suficiente, não precisam de amparo. Deus dá ajuda em tempo oportuno aos humildes. Os que se julgam poderosos, não precisam de graça. A graça de Deus sempre está ao lado dos espiritualmente fracos e necessitados. Veja o que Jesus disse a respeito disso em Marcos 2:17 e também em Lucas 5:32 Aos que se julgam perfeitos não precisam de misericórdia. Jesus Cristo está pronto para salvar todos aqueles que estão conscientes de sua falência espiritual. Veja esta grande verdade em Hebreus 4:15,16. Quando o pecador chega a conclusão da sua precária condição espiritual diante de Deus, então só resta chegar ao trono da graça para obter a misericórdia divina. Reconhecer a sua necessidade espiritual é dadiva de Deus.
É aconselhável que os humildes conheçam a importância desta ajuda: não há virtude na qualidade de ser pobre e fraco. Essas condições porém revelam a necessidade da ajuda divina. Certamente que a ajuda divina vem quando o pecador em qualquer circunstância chega ao trono da graça. Diante do trono da graça os humildes e miseráveis, espiritualmente falando, devem lançar sobre Ele as suas ansiedades (I Pedro 5:7-9); aproveitar dos sábios conselhos da Palavra de Deus (Sal. 19:9-11); ser mais obediente à Palavra do Senhor com determinação e fé (Fil. 4:6-9). Essa é a ajuda que todos recebem de Deus quando O procuram.
O Exemplo de Paulo nos Ensina
Em II Cor. 10:1 encontramos o apóstolo Paulo dizendo: "...quando presente ... sou humilde". Em nenhuma ocasião Paulo se achava um bonitão ou um auto-suficiente. Depois de sua conversão a Cristo, Paulo despiu-se de todo orgulho carnal e de todas vantagens que tinha em sua vida religiosa. Antes de aceitar Cristo, Paulo usufruía de muitas vantagens e prestígios em sua vida religiosa. Veja o que ele mesmo disse: "Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo, E seja achado nele, não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé..." (Gálatas 3:7-9). Depois de convertido Paulo tinha as provações e sofrimentos que eram marcas de um discípulo sincero que fez ele sentir as suas fraquezas (II Cor. 11:23-30; Gal. 6:17).
Conforme acabamos de ver, o apóstolo Paulo poderia confiar muito na carne. Vantagens não lhe faltava. Ele era circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamin, hebreu de hebreus; segundo a lei, foi fariseu; segundo o zelo, perseguidor da igreja, segundo a justiça que há na lei, irrepreensível (Fil. 3:4-6). Todavia, no seu ministério, ele não usou sublimidade de palavras ou de sabedoria, mas, sentiu-se em fraqueza, e em temor e em grande tremor. A sua palavra, e a sua pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder (I Cor. 2:1-5). Paulo se considerava crucificado com Cristo (Gal. 2:20). A sua glória era na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual o mundo estava crucificado para ele e ele para o mundo (Gal. 6:14; I Cor. 2:2, "Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e Este crucificado."). Paulo sentia-se humilde para consigo mesmo, mas ousado com a verdade (II Cor. 10:1, "ousado para convosco").
A atitude de Paulo para com as fraquezas, as injurias, as perseguições e as angustias, é uma lição para o Cristão. Se essas fraquezas ensinam o convertido em Cristo a se aperfeiçoar no poder de Deus mediante a fé no Senhor Jesus, então ele pode sentir prazer nelas (II Cor. 12:5-10). Também o Cristão é ensinado pelo exemplo de Paulo, que, por mais usado seja no ministério, a glória toda pertence a Deus.

Temos Um Consolo

Tiago 1:9, "glorie-se o irmão abatido" (Tiago 5:6).
Por que este deve gloriar-se? Porque quando nos humilhamos somos exaltado por Deus. Vamos examinar o que Pedro disse: "Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte" (I Pedro 5:6). Quando chegamos no auge de nossa falência espiritual, sentindo a falta de prestígio social e desprezo dos homens, então deixamos de confiar plenamente na carne e voltamos a buscar as infinitas misericórdias do bondoso Deus.
Por que o humilde é exaltado? Porque ele tem a sabedoria, o amparo, a graça e a misericórdia de Deus! Esses são atributos que os orgulhosos e os auto-suficientes nunca podem conhecer.
Aprendemos então que há grandes bênçãos em nossas fraquezas e limitações. Sem dúvida alguma que há grandes vantagens ao conscientizar-nos de nossas limitações diante de Deus. O apóstolo Paulo disse: "...me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte" (II Coríntios 12:9-10). Quando os crentes sentem em si mesmos "lixos" espirituais então recorrem ao trono da graça, e o Senhor os exaltam com consolo e sabedoria que jamais a força humana poderia atingir.
Como está a sua atitude de si mesmo? Necessita do amparo divino? O que Ele oferece é um maior conhecimento de Si mesmo. Isso basta?
Uma outro palavra grega que queremos estudar é:
  • Baixeza de mente, modéstia - #5012, Strongs. Os seus usos pelo Novo Testamento:
Humilde Como Paulo
Atos 20:19, "Servindo ao Senhor com toda a humildade". Exemplos de uma vida humilde na vida do apóstolo Paulo:
Atos 13:6-12 - confronto com Elimas, o mágico em Chipre
Atos 13:45-47, 50-52 - confronto com judeus invejosos - Antioquia
Atos 14:2-7 - confronto com judeus invejosos ! Icônio
Atos 14:19,20 - confronto com judeus invejosos ! Listra Paulo não se exaltou, mas teve a ousadia em obedecer a Palavra de Deus e cumprir a sua vocação fielmente. Aprendemos que "servindo ao Senhor com toda a humildade" não significa que é errado apontar e confrontar o erro. A humildade nunca deve ser confundida com a frouxidão. O servo de Deus que serve "ao Senhor com toda a humildade" pode expor o erro. Paulo corajosamente confrontou o erro e exemplificou grande ousadia em seu ministério, mas, mesmo assim testemunhou-se serviu "ao Senhor com toda a humildade
Os servos de Deus vivem nos dias de hoje com este grande dilema. Muitos confundem humildade com a falta de coragem de expor publicamente o erro da humanidade. Há até mesmo nos dias de hoje pastores light Os membros das igrejas exigem dos pregadores pregações light. Light, segundo o dicionário Aurélio, significa moderado, não radical. Porém o Senhor Jesus numa calorosa pregação, Ele repetidas vezes chamou os fariseus e os escribas de hipócritas. Veja o capítulo 23 de Mateus. Jesus não foi light em suas pregações. E ninguém pode negar que Jesus era humilde e manso de coração, Mateus 11:29.
Humildade É O Dever do Cristão
Efés. 4:1,2 ! "Andar digno da vocação ... com toda a humildade". A nossa vocação, tanto a sua chamada quanto o seu desempenho, não é pelas qualidades superiores do homem ou pelas espertezas da sabedoria humana (I Cor. 2:4,5, "A minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana"; II Cor. 3:5, "a nossa capacidade vem de Deus; Efés. 3:7, "dom da graça de Deus ... segundo a operação do Seu poder"; II Cor. 4:4-6, "não nos pregamos a nós mesmos"). Devemos usar tudo que Deus nos dá para a sua glória lembrando-nos no mesmo instante que sempre temos pecado e fraquezas (Romanos 7:24; Col. 2:6).
Para andar com modéstia, não é necessário negar nossos talentos ou nossos dons. A humildade não deve negar a existência de uma capacidade nem o seu uso. Modéstia não pode transformar a timidez em uma virtude. Devemos ser obedientes de alma e de todo o coração! Todavia um dos segredos da humildade é reconhecer os talentos e dons nos outros, Fil. 2:1-8. Mesmo obedecendo a Palavra de Deus, usando as qualidades que Deus tem nos dado, não faz que somos mais do que os outros, I Pedro 3:8, "afáveis"; 5:5.
Na realidade, somente podemos ser obedientes com uma atitude correta para com as nossas capacidades e as dos outros, se somos guiados pelo Espírito Santo (Col. 3:12-13). Será observado que essas qualidades com quais devemos andar dignos da nossa vocação, com toda a humildade, são aquelas qualidades listadas em Gálatas 5:22, ou seja, o fruto do Espírito Santo.
A humildade verdadeira não é uma atitude produzida pela filosofia humana, mas pela influência do Espírito Santo na vida Cristã. Portanto não procure ter as qualidades do Espírito Santo sem ter o próprio Espírito. É necessário conhecer Cristo como seu Salvador para conhecer o Espírito Santo na sua vida. Se conhece Cristo, já tem o Espírito Santo (Romanos 8:9). Se já conhece Cristo, cresce na graça e verá que as qualidades de Cristo serão manifestas na sua vida, inclusive essa qualidade de modéstia. Se não conhece Cristo, roga a Deus que Ele seja misericordioso para salvar mais um pecador.
Existem Cuidados sobre O Assunto
Colossenses 2:8-23 ! v. 18, "pretexto de humildade". Existe uma humildade que não é verdadeira, que é usada para fins não lícitos. Essa falsa humildade é fruto das filosofias e vãs sutilezas segundo os rudimentos do mundo. Os pretextos da falsa humildade procuram melhorar o homem para que ele possa merecer a salvação ou possa melhorar a sua posição diante de Deus. A humildade falsa segue as regras do homem ou da religião e não Cristo (v. 8). A intenção dessa humildade voluntária, ou seja, aquela filosofia que tem a sua origem na vontade do homem, é de fazer aparecer os atributos de Cristo sem ter o próprio Cristo. Os pretextos de humildade têm o propósito de impressionar Deus. Os pretextos de humildade não levam ninguém a ser salvo pois podem faltar o principal: a nova natureza ou a genuína conversão em Cristo. Se tiver a nova natureza, já não é necessário melhorar a posição em Cristo, pois, para com Deus, estar em Cristo basta. Verdadeiramente, os pretextos de humildade são somente para a satisfação da própria glória do homem (v. 18, "carnal compreensão"; v. 23, "satisfação da carne").
Uns exemplos de como os pretextos são somente da carnal compreensão ou a satisfação da carne, são as vidas austeras dedicadas às privações nos mosteiros e nos conventos, a severa auto flagelação durante a páscoa nas ilhas Filipinas, as duras penitências dos católicos, as proibições de usar cores vivas na vestimenta, abstinência de eletricidade nos lares, privações de motores e máquinas na vida dos Amish, e as longas listas de várias regras e rígidas proibições do neo-pentecostalismo, etc. Nenhumas dessas atividades, por mais sinceras que sejam, jamais levam alguém a ser mais como Cristo na obediência das Escrituras.
É necessário ter Cristo para ser salvo e para agradar Deus na adoração verdadeira. Em Cristo habita corporalmente toda a plenitude da divindade e não nas filosofias segundo os homem (v. 9). O pecador é salvo por Cristo, e assim, não falta nada para agradar Deus. Portanto os salvos não precisam das vãs sutilezas do homem (v. 10). É desnecessário toda e qualquer obra do homem para a salvação. A obra vicária de Cristo basta para a salvação e também para a vida cristã. Portanto, não necessitamos qualquer obra oriunda da tradição dos homens para estes fins (v. 11). O poder de Deus transforma a vida dos salvos para ser o que deve ser pública e espiritualmente sem a adição de qualquer melhora que a compreensão do homem possa sugerir (v. 12,13).
O necessário é Cristo. Foi Cristo quem riscou a cédula (nota promissória), na qual constava toda a dívida do pecador descrita pela lei de Moisés. Moisés pela lei descreveu a imensa dívida que o pecador tinha para com Deus. O homem conspurcado ou enlameado em seus pecados jamais poderia saldar esta dívida. Jesus Cristo anulou este documento que constava a dívida do homem, (v. 14). Cristo, sozinho, e somente Ele, despojou todos os principados e potestades e deles triunfou pelo Seu próprio poder, não necessitando alguma ajuda do homem para completar a vitória (v. 15). Deus fica plenamente satisfeito pelos que estão em Cristo; e as filosofias, as tradições, as cerimônias, os rituais e as privações segundo os rudimentos do mundo em nada podem melhorar o que já é perfeito.
Não é por comer ou deixar de comer; por beber ou deixar beber; por participar ou deixar de participar de uma festa especial; por cultuar ou deixar de cultuar a lua nova ou por guardar ou não o sábado que faz o cristão ter os atributos corretos (v. 16). O essencial é estar em Cristo para agradar a Deus. Quando o cristão está em Cristo o Espírito Santo o transforma à Sua imagem (Col. 3:10). Sendo assim, o crente não precisa de nenhuma regra como: não toques, não proves, não manuseias (Col. 2:21).
Se o homem depende das obras de humildade para ser salvo ou para agradar a Deus, certamente é um grande ignorante que está seguindo a sua carnal compreensão e não está ligado à Cristo. Cristo é O único cabeça pelo qual o pecador chega a Deus (Col. 2:18-19; João 14:6).
É muito mais fácil praticar pretextos de humildade, elaborar doutrinas e preceitos dos homens (v. 22), do que submeter-se a Cristo para a salvação e para servi-lo com uma adoração pública e sincera. Para ser salvo é necessário conhecer Cristo mediante o arrependimento e fé nele. Para agradar Deus na adoração correta é preciso conhecer bem as doutrinas da Palavra de Deus. É necessário ser ligado à cabeça e crescer nEle. Só assim crescerá em aumento de Deus (v. 19; Efésios 4:11-16). Sem esse crescimento, só haverá no homem as aparências de sabedoria que agradam apenas a carne.
O cristão não será julgado pelos seus pretextos de humildade, mas pela própria Palavra de Deus. O pecador deve conhecer Cristo como Salvador e Senhor para agradar Deus e assim terá a Sua salvação. Certamente Deus se agradará do pecador que entrega totalmente a sua vida a Cristo, fazendo uma renúncia completa e irrestrita de tudo o que tem. Jesus mesmo disse: "Assim, pois, qualquer de vós, que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo" (Lucas 14:33).
Você está em Cristo? A humildade é importante na vida cristã, mas de nenhuma maneira nos salva. A humildade somente manifesta as qualidades de Cristo naqueles que já estão nEle e que estão sendo transformados mais e mais à sua imagem. A humildade é o resultado de estar em Cristo e não a causa da salvação ou crescimento na santificação. Em outras palavras, quando se está em Cristo como Único e Exclusivo Salvador, então inevitalmente a humildade e santificação serão as suas marcas.
Vamos examinar brevemente as outras palavras gregas usadas para ensinar sobre o humildade no Novo Testamento.
  • Baixeza de condições (capacidades) e coração (atitude de si) - #5013. Os seus usos pelo Novo Testamento:
Mat. 18:4, "humilde"; 23:8-12, "humilhado" Aprendemos que as regras do reino de Deus é diferente das regras do mundo (I João 2:16) ;
Luc. 3:5, "se aplanarão". Deus pode abaixar o que se exalta (Daniel 4:37);
Luc. 14:11, "humilhado"; 18:14, "humilhado". Aprendemos que o regimento no reino de Deus é diferente do que o do mundo, I João 2:16;
II Cor. 11:7, "humilhando-me a mim mesmo". Aprendemos que trabalhar sem salário é humilhante. A igreja tem obrigação de fazer o que é digno, até em dobro, para com aquele chamado que trabalha entre ela (I Tim 5:17). O servo de Deus é pronto para humilhar-se (trabalhar sem receber), mas a posição dos que são ensinados por ele, não devem permitir que isso aconteça (Gal. 6:6);
II Cor. 12:21, "me humilhe". O fruto da obra é o gozo e a coroa do obreiro (Fil. 4:1). O obreiro se entristeça por não ter o fruto esperado;
Em Filipenses 2:8 a Bíblia diz que Jesus "humilhou-Se". Em Atos 8:33 Lucas cita o profeta Isaías 53:8 onde diz que Jesus foi tirado da terra. Isto é, Jesus foi morto pelos homens maus. Jesus se humilhou como nenhum outro ser no universo. Ele, como o Jeová Todo-Poderoso, se cansou, João 4:6; Jesus sendo o Onipotente Deus não sabia o dia de sua volta aqui na terra, Marcos 13:32; Jesus Cristo sendo o Onipresente Deus, João 3:13 não estava presente na morte de Lázaro; o Divino conheceu fome, sede, choro e morte. Se o supremo Jesus, sendo o próprio Deus Divino se fez pecado por nós, então nós devemos agüentar resignadamente as fraquezas dos irmãos (Efés 4:32)!;
Fil. 4:12, "abatido". Paulo sofreu em sua carne a mais amarga experiência do abatimento. Ele foi desprezado, Atos 14; tinha um espinho na carne, II Cor. 12:7-9; foi escandalizado, II Cor. 11:29; conheceu fome, Atos 20:34.
Tiago 4:10, "Humilhai-vos". É difícil nos humilhar, nos arrepender e ter vergonha do erro, mas essa atitude funciona; I Pedro 5:6, "Humilhai-vos".
  • Baixeza em posição (baixa estimação diante dos outros) ou em sentimento (meigo) ! #5014, Strongs. Os seus usos pelo Novo Testamento:
Lucas 1:48, "na baixeza"; Atos 8:33, "humilhação" ; Fil. 3:21, "corpo abatido". Não devemos gloriar nos muito neste corpo. O pecado reside nele, Romanos 7:18,23; Tiago 1:10, "abatimento". É uma vergonha viver uma mentira e colocar prioridades no que é temporal, por isso, é uma glória para um rico em bens materiais ser feito fraco.
Depois de estudar estas palavras hebraicas e gregas que são traduzidas em humildade e as suas variadas formas, entendemos que !humildade? trata-se de uma forma ou outra de rebaixar. Esse rebaixamento pode ser forçado (como por exemplo, ser vencido por alguém ou algo mais forte; ser pobre por natureza ou por falta de capacidade), ou pode ser rebaixamento voluntário (como por exemplo, piedade, modéstia ou assumir uma atitude de humildade). Essa condição é louvável na medida que o humilde procura o trono da graça para aprender de Cristo. A modéstia não faz da timidez uma virtude, mas reconhece os talentos que Deus tem dado e procura usá-los para a glória de Deus. Essa boa condição também procura reconhecer as qualidades que Deus tem dado aos outros. Somos avisados também que não é a humildade que nos faz ser aceitos diante de Deus, mas o fato de estarmos em Cristo. Estando em Cristo, teremos as qualidades necessárias que provêm Dele, incluindo a humildade. A humildade não é fruto de filosofias do homem, mas o fruto da obra do Espírito Santo trazendo-nos a participar em Cristo. Está em Cristo?
A Importância de Humildade
Quando somos humilde tornamo-nos como Cristo Mateus. 11:29 registrou a revelação da humildade e mansidão de Cristo nas seguintes palavras: "... sou manso e humilde de coração". Também em outras partes do Novo Testamento encontramos o registro de que Jesus era manso, submisso e humilde. Mateus. 21:5; Lucas 22:27, "Eu, porém, entre vós sou como aquele que serve."; "todavia não se faça a minha vontade mas a Tua.", Lucas 22:42; "...esvaziou-se a Si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante na forma de homem;" Filipenses 2:7. Cristo, como temos estudado, mesmo sendo o Onipotente, se cansou, João 4:6; mesmo sendo o Onisciente, não sabia o dia da volta do Seu Pai, Mateus. 24:36; mesmo sendo o Onipresente, não estava presente na morte de Lázaro, João 11:15; mesmo sendo o Divino, conheceu fome, Mateus. 4:2; sede, João 19:28. Jesus chorou, João 11:35 e, Jesus, o Todo-Poderoso Deus, experimentou a morte, João 19:30. Sabendo o que Jesus, sendo o eterno Deus se fez pecado por nós, nós também devemos suportar as fraquezas dos nosso queridos irmãos, Efésios. 4:32! Devemos imitar a humildade de Cristo em nosso ministério. O apóstolo Paulo disse em II Tim 2:24: "E ao servo do Senhor não convém contender, mas sim, ser manso para com todos, apto para ensinar, sofredor;"
Quando somos humildes tornarmo-nos como os santo homens de Deus. Em Gên. 39:19-23, José achou "graça aos olhos do carcereiro-mor" pois o Senhor "estendeu sobre ele a Sua benignidade"; Moisés, Núm. 12:3, "era o homem Moisés mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra."; Ester 4:16 humildemente disse: "... se perecer, pereci". Jó, o homem que deu o grande exemplo de paciência e sofrimento, falou: "me abomino e me arrependo no pó e na cinza.", Jó 42:6. O grande rei e profeta Davi disse: "SENHOR, Tu me sondaste, e me conheces", Sal. 139:1. Eis as estupendas palavras do profeta Isaias: "...Ai de mim! Pois estou perdido; porque eu sou um homem de lábios impuros...", Isaías 6:5. Em Jeremias 1:6 lemos: "...ainda sou menino.". Foi dito do grande homem de Deus, Daniel, que superou pela fé vários obstáculos que ele tinha "espírito excelente"; Daniel 5:12; 6:3.
Paulo, o apóstolo dos gentios humildemente disse em sua primeira carta aos Coríntios: "...quando fui ter convosco, ... não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria"; I Cor. 2:1. Em Gálatas 6:14 ele confessou: "...o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo". Ainda este mesmo Paulo falou aos Efésios o seguinte: "A mim, o mínimo de todos os santos", Efésios. 3:8. O apóstolo Pedro, dando testemunho das santa mulheres do Antigo Testamento, disse: "...um espírito manso e quieto ... assim se adornavam as santas mulheres que esperavam em Deus", I Pedro 3:4-6. Compreendendo que somos "rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta", Hebreus 12:1.
Quando sabemos da importância da humildade, livramo-nos daquelas tristezas que vêm por não conhecer as obras de Deus. Ignorância é tolice. A Bíblia diz claramente que: "...não é bom ficar a alma sem conhecimento", Provérbios. 19:2. O próprio Senhor Jesus disse: "Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus", Mateus 22:29. Tolice é resmungar por aquilo que é para nosso bem e para a glória do nosso Senhor Jesus ("Como fala qualquer doida, falas tu; receberemos o bem de Deus, e não receberemos o mal?", Jó 2:10). Em Romanos 8:28 está escrito: "...todas as coisas contribuem juntamente para o bem..." Ainda em Romanos 11:36: "...para Ele são todas as coisas, glória, pois, a Ele eternamente...". Às vezes para nossa humilhação é necessário um "espinho na carne" (II Cor. 12:7-9), ou outras quaisquer aflições. Sabendo que Deus é sábio em seus planos e que Ele controla todas as coisas, então podemos nos regozijar nas tribulações (Tiago 1:2-4) ao invés de lamentar!
Quando nos tornamos humildes livramo-nos do maldito orgulho e as desastrosas conseqüências que a falta dela traz para alma. Sabemos que as conseqüências do pecado são muitas. Essas conseqüências podem ser vergonha pública, conforme podemos ver em Lucas. 14:7-14; doenças graves, II Crônicas. 26:16-21; "grande ira", II Crônicas. 32:25,26; perda de responsabilidades, Daniel 5:20-30, ou outra espécie de contenda. Não há como ter as bênçãos de Deus pela falta de humildade, pois "da soberba só provém a contenda", Provérbios. 13:10. As graves conseqüências da carne são corrupção, Gal. 6:8, e nunca podem operar a justiça de Deus, pois em Tiago lemos: "Porque a ira do homem não opera justiça de Deus" (Tiago 1:20). Quando somos humildes, poupamo-nos de muita vergonha, II Cor. 10:5).
Quando não somos humildes gabamo-nos de supostas qualidades como Nabucodonosor, Daniel 4:30; enchemo-nos de soberba como Herodes, Atos 12:22,23; exaltamo-nos como os príncipes contra Daniel, em destruir ou tirar vidas humanas, Daniel 6:4-13, 24; caímos na tentação de nos exaltar, Mateus 23:9-12; e inchamo-nos com a ciência, I Cor. 8:1, "a ciência incha". Devemos entender que quando excitamos a nossa carne, "não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica. Porque onde há inveja e espírito falacioso aí há perturbação e toda a obra perversa." Tiago 3:13-18. Portanto há muito proveito e vantagens espirituais quando exercitamos a humildade.


Bibliografia
Bíblia Sagrada. Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, São Paulo, 1994. Concordância Fiel do Novo Testamento. Vol. I e II, Editora Fiel, São José dos Campos, 1994
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda, 
Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1a edição, sd.
GILL, John, 
Commentary on the Whole Bible. Online Bible, Ver 7.05b, OnlineBible.org 05/98
PIETZSCHKE, Fritz, 
Novo Michaelis, Dicionário Ilustrado. 23o Edição, Edições Melhoramento, São Paulo, 1978.
STRONG, JAMES LL.D., S.T.D. 
Abingon?s Strong?s Exhaustive Concordance of the Bible
. Nashville, Abingdon, 1980.

 


Pastor Calvin GardnerCorreção gramatical e adaptação: Pastor Antonio Carlos Dias 12/01
Fonte: PalavraPrudente.com.br 

domingo, 20 de julho de 2014

A Gloriosa Graça de Deus

Há aproximadamente cem anos, Julia H. Johnson compôs a letra de um hino intituladoGrace Greater Than Our Sin [“Graça Maior que o Nosso Pecado”; conhecido em português pelo título: Graça de Deus, Infinito Amor]. A quarta estrofe desse hino sintetiza com muita propriedade o conceito da graça de Deus:
Maravilhosa, 
incomparável graça,
concedida livremente a todo
o que nEle crer;
tu que anelas ver Sua face,
queres neste instante
Sua graça receber?
Nós que recebemos a graça de Deus por intermédio de Jesus Cristo, de fato, constatamos quão maravilhosa e incomparável é essa graça. Entretanto, qual é o significado da expressão Graça de Deus?

A Definição da Graça de Deus

A definição encontrada em um dicionário para o termo graça é a seguinte: “O favor imerecido que Deus concede ao homem”. Embora tal definição seja verdadeira, é incompleta. Graça é um atributo de Deus, um componente do caráter divino, demonstrada por Ele através da bondade para com o ser humano pecador que não merece o Seu favor.
Um Deus santo não tem nenhuma obrigação de conceder graça a pecadores, mas Ele assim o faz segundo o bem querer da Sua vontade. Ele demonstra graça ao estender Seu favor, Sua misericórdia e Seu amor para suprir a necessidade do ser humano. Visto que o caráter de Deus é composto de graça, movido por bondade Ele espontaneamente se dispõe a conceder Sua graça à humanidade pecadora em nosso tempo de aflição. A graça de Deus pode ser definida como “aquela qualidade intrínseca do ser ou essência de Deus, pela qual Ele, em Sua disposição e atitudes, é espontaneamente favorável” a outorgar favor imerecido, amor e misericórdia àqueles que Ele escolhe dentre a humanidade desmerecedora.1

A Declaração da Graça de Deus

Ao longo de toda a Bíblia, a graça de Deus se manifestou em três estágios. No primeiro, Deus revelou Sua bondade e graça ao demonstrar misericórdia, favor e amor para com todos os homens em geral, mas para com Israel em particular. No segundo estágio, Deus expressou ou apresentou Sua graça, de forma mais clara, através de Jesus Cristo, o qual veio ao mundo para pagar pelos pecados do homem mediante Sua morte sacrificial na cruz. No terceiro, a graça de Deus proporciona salvação e santificação a todos os que, pela fé, confiam em Jesus Cristo como Salvador e Senhor de suas vidas.
Na Septuaginta, uma antiga tradução das Escrituras do Antigo Testamento para a língua grega, o termo grego traduzido por “graça” é charis que significa “graça ou favor imerecido”. As Escrituras Hebraicas não possuem nenhum termo hebraico equivalente. Os termos originais hebraicos traduzidos na Septuaginta por charis são chanan ou chen, que se traduzem por “graça”, “favor” ou “misericórdia”.
Essas duas palavras hebraicas são usadas no Antigo Testamento para retratar o mesmo significado de charis: (1) mostrar misericórdia para com o pobre (Pv 14.31); (2) proporcionar misericórdia àqueles que invocam a Deus em tempo de angústia (Sl 4.1; 6.2; 31.9); (3) demonstrar favor a Israel no Egito (Êx 3.21; 11.3; 12.36); e (4) conceder (Deus) Sua graça a determinadas pessoas, tais como Noé (Gn 6.8), José (Gn 39.21), Moisés (Êx 33.12,17), e Gideão (Jz 6.17). Além disso, a graça de Deus será derramada sobre a nação de Israel no tempo da sua salvação (Zc 12.10).
A graça e a misericórdia também foram manifestadas a nações inteiras. O Senhor, por Sua graça, libertou o povo de Israel da escravidão no Egito.
Outros termos hebraicos, tais como,racham ou rachamim (i.e., “misericórdia”) echesed (“amor leal” ou “bondade”) muitas vezes ocorrem juntos no texto hebraico para expressar o conceito da graça de Deus (Êx 34.6; Ne 9.17; Sl 86.15; 145.8; Jl 2.13; Jn 4.2). Graça, amor e misericórdia estão explicitados na aliança de Deus com o rei Davi, a qual se estendeu a seu filho Salomão mesmo depois que este veio a pecar no decurso de sua vida (2 Sm 7.1-17).
Deus não outorgou Seu amor e graça a Israel por qualquer mérito dessa nação. Deus escolheu Israel para que fosse o povo de Sua propriedade exclusiva através de um ato de pura graça (Dt 7.6-9).
A graça e a misericórdia também foram manifestadas a nações inteiras. O Senhor, por Sua graça, libertou o povo de Israel da escravidão no Egito, supriu as necessidades da nação durante sua peregrinação no deserto e lhes concedeu a terra de Canaã. O amor do profeta Oséias por sua esposa Gômer, uma prostituta, ilustrava a graça e misericórdia de Deus para com Israel. Embora Gômer fosse uma esposa infiel, Oséias demonstrou-lhe graça, misericórdia e amor, ao resgatá-la do mercado de escravos pelo pagamento de um preço. Ela tipificava a nação de Israel redimida da escravidão do pecado.
Pela graça de Deus a ímpia cidade de Nínive foi poupada da destruição ao arrepender-se de seu pecado com a pregação de Jonas.
No Novo Testamento, o conceito de graça encontra uma expressão mais precisa, rica e completa no termo grego charis, o qual ocorre, no mínimo, por 170 vezes. A graça de Deus assume uma dimensão pessoal totalmente nova e se torna evidente ao ser humano nas palavras e obras do ministério redentor de Jesus Cristo. Que prova maior da graça de Deus poderia ser dada do que essa da salvação?
Foi o próprio Deus que, em Sua bondade e graça, tomou a iniciativa de providenciar a salvação para o homem após a queda de Adão no pecado. A graça de Deus se revela à humanidade de duas maneiras fundamentais:

A Graça Comum

A graça comum se refere ao imerecido favor, amor e cuidado providencial de Deus, estendidos a toda a raça humana em corrupção, pelos quais Deus derrama Suas bênçãos sobre todos em geral, tanto sobre os salvos quanto sobre os descrentes (Sl 145.8-9). Deus refreia Sua ira contra a humanidade pecadora, concedendo a uma nação ou a uma pessoa o tempo necessário para que se arrependa – o que vem a ser uma extensão da graça comum do Senhor.
graça comum também pode ser constatada na obra do Espírito Santo, quando este move o coração de uma pessoa ao persuadi-la(lo) e convencê-la(lo) da necessidade de buscar a salvação por intermédio de Jesus Cristo (Jo 16.8-11).

A Graça Especial

Graça = Favor imerecido que Deus concede ao homem.
A segunda maneira de Deus revelar Seu favor é através da graça especial,comumente denominada de graça eficaz, efetiva ou graça salvadora. A graça de Deus é eficaz na medida em que produz salvação na vida dos indivíduos eleitos que depositam sua fé na morte de Cristo e no sangue que Ele derramou na cruz para remissão de seus pecados. A graça eficaz é conhecida por experiência no momento em que Deus, pela instrumentalidade do Espírito Santo, opera de forma irresistível na mente e no coração de uma pessoa, de modo que o indivíduo escolha livremente crer em Jesus Cristo como seu Salvador.
Os crentes em Cristo são chamados, não segundo suas obras de esforço próprio, mas conforme a “determinação e graça” de Deus (2 Tm 1.9).
O apóstolo Paulo é um exemplo clássico da chamada eficaz de Deus. Ele foi chamado, não por sua vontade, mas “pela vontade de Deus” (1 Co 1.1). Na realidade, ele tentava destruir a Igreja até o momento em que se converteu a Cristo, conversão essa que ocorreu pela graça de Deus (At 9).

A Demonstração da Graça de Deus

A graça de Deus se evidencia de diversas maneiras na vida de um crente em Cristo.

Graça Salvadora

A palavra salvação é um termo abrangente. Refere-se ao ato redentor de Deus pelo qual Ele, no presente momento, redime o indivíduo da penalidade e do poder do pecado, e, no futuro, libertará o crente em Cristo da presença do pecado na ocasião da glorificação dos salvos. A salvação é um dom gratuito de Deus, concedido a uma pessoa em virtude da graça, por meio da fé, independente de qualquer obra ou mérito da parte da pessoa que o recebe. No momento da salvação, a graça imerecida e a fé do crente são dons que procedem diretamente do Senhor àqueles que põem sua fé em Cristo (Ef 2.8-9).
A graça da salvação, oferecida na atual dispensação, inclui cada aspecto da obra redentora de Deus em favor dos crentes em Jesus e abrange a redenção, a propiciação, a justificação, o perdão, a santificação, a reconciliação e a glorificação para aquele que, pela fé, recebe a Cristo.

Graça Santificadora

Deus, por intermédio do Espírito Santo, providenciou dons espirituais sobrenaturais com o objetivo de equipar e capacitar cada crente em Cristo para o seu ministério [i.e., serviço] na igreja local.
Naquele momento em que a pessoa, pela fé, recebe a Cristo, ele (ou ela) é santificado pela graça de Deus. A palavrasantificação significa “tornar santo” ou “separar para Deus” com propósito ou uso sagrado. A Bíblia menciona pessoas, lugares, dias e objetos inanimados consagrados (i.e., separados) a Deus. No que se refere a um indivíduo, a santificação pode ser definida como a obra da livre graça de Deus através do Espírito Santo, na qual Ele separa o crente para ser amoldado ou conforme à imagem de Cristo.
As Escrituras se referem a três estágios de santificação pela graça de Deus. O primeiro deles é o da santificação posicional que diz respeito à posição santa do crente perante Deus, fundamentada na redenção que Cristo efetuou a seu favor.
O segundo estágio é o da santificação progressiva, na qual o crente em Cristo se encontra no processo de ser santificado através da Palavra de Deus (Jo 17.17). Os crentes são exortados a crescer “na graça” (2 Pe 3.18); na busca desse crescimento, tornam-se recipientes do favor imerecido que procede do Senhor. O crescimento na graça não é obtido por meios naturais, mas se dá através do estudo da Palavra de Deus (2 Pe 1.2-3,5-6,8). À medida que um crente em Jesus cresce na graça, o fruto do Espírito se torna manifesto através da vida dele ou dela (Gl 5.22-23), levando a pessoa a uma conformidade com a imagem e semelhança de Cristo (Rm 8.29).
O terceiro estágio é o da santificação completa ou perfeita, que os crentes conhecerão por experiência quando receberem seus corpos glorificados e se completar a sua redenção (Rm 8.30; Ef 5.27). Esse acontecimento se concretizará na ocasião do Arrebatamento da Igreja (1 Co 15.51-52; 1 Ts 4.16-17).

Graça Servidora

A palavra dom (do termo grego charisma: “dádiva ou dom da graça”) se refere a um favor que alguém recebe gratuitamente, sem merecê-lo. Deus, por intermédio do Espírito Santo, providenciou dons espirituais sobrenaturais com o objetivo de equipar e capacitar cada crente em Cristo para o seu ministério [i.e., serviço] na igreja local. Não existe apenas um dom, mas, sim, uma diversidade de dons que o Espírito Santo concede aos crentes (Rm 12.6-8; 1 Co 12.8-11; Ef 4.7,11-12; 1 Pe 4.11).
O sofrimento faz parte da condição humana, em virtude do pecado, do envelhecimento do corpo, da desobediência ao Senhor, ou da punição de Deus.
Os crentes dispõem de “diferentes dons segundo a graça que [por Deus] nos foi dada” (Rm 12.6). Alguns crentes possuem uma abundância de dons, enquanto outros possuem apenas um ou dois. Esses dons, ou graças, não são dons, talentos ou habilidades naturais; pelo contrário, são dons proporcionados por Deus, os quais, através do crente, efetuam a edificação do Corpo de Cristo, rendendo, assim, a glória que pertence a Deus.
No uso de seu dom, um crente deve se dirigir às outras pessoas com uma atitude de graça. O apóstolo Paulo declarou: “A vossa conversa seja sempre com graça” (Cl 4.6; conforme a Tradução Brasileira). No que dizia respeito ao serviço para o Senhor, Paulo estava equipado, não com sua própria força e poder, mas com a graça de Deus que lhe fora outorgada. Ele disse: “...trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo” (1 Co. 15.10).

Graça Sofredora

O sofrimento faz parte da condição humana, em virtude do pecado, do envelhecimento do corpo, da desobediência ao Senhor, ou da punição de Deus. Paulo tinha um “espinho na carne” (i.e., uma debilidade física) que ele, por três vezes, suplicara a Deus para que fosse removido. Cada uma de suas súplicas recebeu esta mesma resposta: “A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Co 12.9). Em outras palavras, a graça de Deus era suficiente para fortalecer Paulo em sua dificuldade física, de modo que ele a pudesse suportar. O mesmo acontece com os crentes nos dias atuais. Deus proporciona a graça suficiente para nos fortalecer em meio a qualquer provação, tentação ou período de sofrimento.
Paulo resumiu isso com muita propriedade, quando escreveu: “Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens” (Tt 2.11). Isso diz tudo. Junto com a compositora daquele hino, cantamos: “Maravilhosa, infinita, incomparável...” é a surpreendente graça de Deus.

Notas:

1. J. Dwight Pentecost, Things Which Become Sound Doctrine, Westwood, NJ: Fleming H. Revell, 1965, p. 19.

domingo, 13 de julho de 2014

Os Atributos de Deus

“Assim diz o SENHOR: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte, na sua força, nem o rico, nas suas riquezas; mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o SENHOR e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o SENHOR” (Jr.9:23,24).

Introdução: A importância do conhecimento de DeusDeus pode ser conhecido verdadeiramente (Jo.17.3), ainda que não possa ser conhecido plenamente (Sl.139.6; Rm.11.33-34).

Conhecer a Deus é a tarefa primordial e mais importante no que se refere às coisas espirituais. Sem um verdadeiro conhecimento de Deus é impossível ser salvo ou servi-lo e adorá-lo verdadeiramente (Jo.4:22).
Para conhecermos a Deus é necessário que Ele se revele a nós (Mt.11:27; Rm.1:19), pois não podemos conhecê-lo com nossos próprios esforços (I Co.1:21).

Deus se revela na natureza e principalmente em Sua Palavra.

O que são os atributos de DeusOs atributos divinos são as características de Deus, a soma das quais definem quem Ele é.

Eles refletem diversos aspectos da mesma essência divina.

Os atributos de Deus

Trindade: Deus existe eternamente como três pessoas (Pai, Filho e Espírito Santo), cada pessoa é plenamente Deus, e existe só um Deus. Todos os atributos divinos aplicam-se a cada pessoa da Divindade (Mt.3:16,17; Mt.28:19; I Jo.5:7).

Independência: Deus é um ser não causado e ninguém além d’Ele próprio sustenta Seu ser. Ele não precisa de nós nem do restante da criação para nada, pois existe por si mesmo e não depende de qualquer coisa externa a si próprio para existir (Jo.5:26; At.17:28; Ap.4:11);

Eternidade: Deus não tem princípio nem fim nem sucessão de momentos no Seu próprio ser, e percebe todo o tempo com igual realismo. Ele criou o próprio tempo e, portanto, é independente dele (Ex.3:14; Sl.90:2; II Pe.3:8);

Imutabilidade: Deus é imutável no Seu ser, nas Suas perfeições, nos Seus propósitos e nas Suas promessas. Deus não pode mudar porque é eterno e perfeito (Sl.102:25-27; Ml.3:6; Tg.1:17; Sl.33:11; Nm.23:19);

Unidade: Deus não está dividido em partes, mas percebemos atributos diversos enfatizados em momentos diferentes. Não existe um atributo mais importante do que o outro (I Jo.1:5; 4:16);

Espiritualidade: Deus é espírito e, portanto, não tem corpo. Ele existe como ser que não é feito de matéria e que não tem partes, formas ou dimensões (Jo.4:24; I Tm.1:17; Ex. 20:4-6; Dt.4:15-16). As passagens que atribuem a Deus partes corporais (II Cr.16:9; Sl.91:1-4) devem ser entendidas em sentido figurado, pois são antropomórficas;

Onipresença: Deus está presente em todo lugar, estando envolvido na criação e na vida dos indivíduos (Sl.139.7-10);

Onisciência: Deus possui todo o conhecimento, o que significa que Ele conhece inclusive o futuro e os nossos pensamentos (Jó 37.16; Sl.139.1-4; Is.46.10; Rm.11.33; Hb.4.13);

Onipotência: Deus pode fazer tudo aquilo que deseja (Gn.17.1; Jó 42.2; Sl.115.3; Is.43.11-13; Mc.10.27). Ele não pode pecar ou agir contra Sua própria natureza (Tg.1.13);

Amor: Deus é amor, o que significa que Ele se doa eternamente aos outros (I Jo.4:8; Jo.17:24). Deus ama a todos, mas não da mesma forma (Mt.5:45; Rm.8:35-39; Rm.9:13);

Justiça: Deus sempre age segundo o que é justo, e Ele mesmo é o parâmetro da justiça (Dt.34:4; Gn.18:25; Is.30:18; Jr.9:24; At.17:31);

Ira: Deus odeia intensamente todo o pecado e aqueles que o praticam (Rm.1:18; 9:22-23; Jo.3:36). O cristão não deve temer a ira de Deus, visto que foi salvo dela pela justiça de Cristo (Rm.5:9);

Vontade: Deus aprova e decide executar todo ato necessário para a existência e para a atividade de si mesmo e de toda a criação. A vontade de Deus envolve as escolhas divinas do que fazer e não fazer (Mt.10:29; Ef.1:11; Ap.4:11; At.4:27-28; Tg.4:13-15). É dividida em vontade secreta e vontade revelada (Dt.29:29). A vontade revelada refere-se a tudo aquilo registrado na Bíblia, e a vontade secreta refere-se aos decretos pelos quais Deus rege o mundo e determina tudo o que irá acontecer;Santidade: Deus é santo (I Sm.2.2; Sl.99; Is.40.25; Ap.15.4) em dois aspectos: transcendência e pureza moral.

A transcendência mostra como Deus está separado e é independente do espaço e do tempo, não sendo limitado por eles (Is.57.15).

A pureza moral mostra como Deus está separado de tudo o que é pecaminoso (Lv.20.26; I Pe.1.15,16).





Bibliografia:CHEUNG, Vincent. Teologia Sistemática.Reformation Ministries International, cap.3.GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática.Editora Vida Nova, caps.11, 12, 13

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Sensíveis a nossa miséria


Tem misericórdia de nós, ó Senhor, tem piedade de nós, pois estamosextremamente cheios de desprezo.

- Salmos 123:3 -


“Cheios de desprezo” pode parecer duro para alguns. Mas esta é a maneira que a misericórdia de Deus prepara o homem, os dá uma clara percepção de sua miséria e indignidade perante Ele, e depois disso aparece em Sua misericórdia e amor para com eles. Sem a marca dessa percepção de indignidade e desprezo, o homem não está sendo conduzido pela misericórdia soberana. A misericórdia diante da percepção plena de nossa indignidade e que Deus mostra a partir de então quando o traz para casa, aos pés da cruz, para o Senhor Jesus Cristo, é a maior e mais maravilhosa exposição de misericórdia e amor de que um ser humano pode estar sujeito.


Há outras maneiras e formas em que Deus manifesta a Sua grande misericórdia e bondade para com os homens em seus muitos favores temporais. As misericórdias que Deus concedeu ao seu povo outrora: José avançando e crescendo no Egito,  a libertação dos filhos de Israel do Egito, a condução através do Mar Vermelho fazendo-as caminhar em terra seca, Seu braço forte os levando a Canaã, expulsando as nações de diante deles, ao longo de todo tempo os resgatando das mãos de seus inimigos... foram muitas as misericórdias. Mas elas são completamente diferentes do salvar o seu povo da culpa e do domínio do pecado. Deus tem que levá-lo a ver com clareza seu estado: “pois estamosextremamente cheios de desprezo.”


É com esse profundo sentimento de indignidade e desprezo que Deus prepara os homens para a mais espantosa de todas as misericórdias, tornando-os sensíveis de modo profundo de sua culpa e miséria, de modo que só a esses Ele faz conhecer de fato este grande amor em Jesus Cristo.


Quando o desígnio de Deus é mostrar a um pecador Sua misericórdia, Ele primeiro os leva a refletir sobre si mesmo ( e não o que eles com um coração irregenerado desejam) – os leva a ver uma necessidade e um estado terrível que nunca tinham visto antes em si mesmos – consideram de maneira sensata a partir daí, em que condições eles estão em seus corações diante de um Deus terrivelmente santo... Esta é a marca do coração quando Deus decide lhes manifestar grandes e notáveis misericórdias, quando Ele mostra seu favor soberano.

Esse sentimento profundo de indignidade e auto-desprezo por tudo que se viveu para a desonra de Deus, é a confirmação de que o método divino de operar começou e irá prosseguir na alma do homem. Essa é a evidência quando Deus está prestes a revelar a Sua misericórdia e amor para um eleito em Jesus Cristo.

Jonathan Edwards - “God Makes Men Sensible of Their Misery before He Reveals His Mercy and Love,”

terça-feira, 8 de julho de 2014

Os evangélicos modernos abandonaram a Bíblia Sagrada e foram lançados em trevas



Quando vos disserem: Consultai os necromantes e os adivinhos, que chilreiam e murmuram, acaso, não consultará o povo ao seu Deus? A favor dos vivos se consultarão os mortos? À lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais verão a alva. Passarão pela terra duramente oprimidos e famintos; e será que, quando tiverem fome, enfurecendo-se, amaldiçoarão ao seu rei e ao seu Deus, olhando para cima. Olharão para a terra, e eis aí angústia, escuridão e sombras de ansiedade, e serão lançados para densas trevas.” (Is 8:19-22).

Uma das características mais importantes do movimento evangélico desde seus primórdios é a crença defendida pela Reforma Protestante a respeito da autoridade e suficiência da Bíblia Sagrada. Exatamente neste ponto tão fundamental os evangélicos modernos tem falhado vergonhosamente levando o movimento a uma grande crise de identidade ao ponto de ninguém mais saber o que é um evangélico. Dá-se o nome de “evangélico” a grupos e pessoas que na prática não vivem baseados nas Escrituras. Isso causa graves conseqüências tanto as pessoas que se dizem evangélicas como a sociedade em geral que não recebe boas influências do movimento. É sobre este assunto que pretendo tratar neste breve texto. Se você se diz evangélico peço que leia com atenção refletindo nas seguintes questões: Eu sou um genuíno evangélico? Provo isso tendo a Bíblia como base de minha fé e prática? Quais as conseqüências que minha “fé evangélica” tem causado a mim e a as pessoas com quem me relaciono?


O texto bíblico acima nos mostra a orientação de Deus a seu povo para que O consulte e não aos necromantes e adivinhos. E onde encontrariam a Palavra de Deus? Resposta: Em sua Lei. Se o povo não fizesse isso, mas se ao contrário consultasse os necromantes, o resultado seria que jamais iriam encontrar a luz. Em vez disso sofreriam terrivelmente e cairiam em densas trevas. Dessa forma podemos destacar dois princípios que brotam naturalmente deste texto bíblico:

1 – Aqueles que buscam a orientação de Deus em sua Sagrada Escritura terão verdadeira luz espiritual.

2 – Aqueles que abandonam a Escritura e buscam outra orientação espiritual, jamais verão a luz. Em vez disso serão lançados em trevas.

Desejo mostrar-lhe que os evangélicos de nosso tempo têm abandonado a Bíblia Sagrada como base de suas crenças e práticas e conseqüentemente têm caído em densas trevas. Posteriormente tratarei da única solução possível. Portanto, dividirei este assunto em três partes:

1 – Os evangélicos modernos têm abandonado a Bíblia e abraçado outras “luzes”.

2 – Os evangélicos modernos têm sido empurrados as trevas.

3 – O que pode ser feito diante deste problema?


1 – Os evangélicos modernos têm abandonado a Bíblia e abraçado outras “luzes”.

Posso provar esta afirmação? De fato isso é bem fácil. Darei sete evidências. Vejamos:

A – As “novas revelações” têm substituído a Bíblia Sagrada na crença e prática dos evangélicos atuais.

As maiorias dos evangélicos modernos têm crido que Deus fala hoje como falava em tempos bíblicos, ou seja, que o Espírito Santo fala diretamente a eles de forma audível, ou em visões, sonhos, ou ao coração. Crendo assim é natural que abandonem o estudo sério da Bíblia e se apeguem as “novas revelações”, pois estas são mais recentes. Dessa forma a Bíblia é abandonada e a orientação de Deus em Is 8:20 não é seguida. Tais evangélicos deixam a Lei e o Testemunho de Deus e procuram outras “luzes”.

Mas existem “novas revelações”? Afirmo que não, pois a Revelação de Deus já está completa, é a nossa Bíblia Sagrada. Dessa forma não existe mais a necessidade de acréscimos, de “novas revelações”. A Bíblia é suficiente. Veja o que diz o Apocalipse:

Eu, a todo aquele que ouve as palavras da profecia deste livro, testifico: Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará os flagelos escritos neste livro;”.( Ap 22:18).

Podemos crer que este texto não se refere apenas ao Apocalipse, mas a toda a Bíblia. Assim, todo a as “novas revelações” atuais são falsas, pois não passam de acréscimos. No entanto os evangélicos modernos preferem as ditas “revelações” e não a Bíblia Sagrada. Qualquer um pode constatar isso facilmente.

B – Os “lideres ungidos” têm substituído a Bíblia na crença e na prática dos evangélicos modernos.

Multiplicam-se no meio evangélico homens e mulheres que se dizem “chamados por Deus” para anunciarem alguma mensagem especial, ou operarem milagres, afirmando serem possuidores de um canal direto com o Altíssimo. Na prática tais homens se equiparam aos escritores da Bíblia. Isso se torna evidente ao observarmos o uso cada vez mais freqüente do título “Apóstolo”, como também do uso do título “profeta”. Antigamente os líderes alegravam-se em serem chamados de pastores, mas agora querem ser “apóstolos”. Dessa forma eles se igualam no imaginário de seus seguidores aos antigos e verdadeiros apóstolos como Pedro, João, ou Paulo. Logicamente que isso causa um abandono da Bíblia, pois as palavras destes “apóstolos” modernos são mais atraentes que o Livro Sagrado, visto que estão ao vivo diante de seus seguidores, e com seu poder de persuasão ou “milagres” dominam e escravizam suas consciências. Assim a Bíblia é abandona por estes ditos evangélicos.

Mas existem tais “líderes ungidos”, ou seja, tais “apóstolos”, ou “profetas”? Afirmo que não, pois estes ofícios eram do tempo da Revelação da Bíblia Sagrada. Ora, tendo a Bíblia sido completada tais ofícios passaram. Veja o que diz Paulo:

Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito.” (Ef 2;19-22).

Paulo diz que os apóstolos e profetas são o “fundamento” do povo de Deus, e Cristo e a”pedra principal” deste fundamento. Na construção de uma casa o fundamento vem antes das paredes e não depois. A Igreja de Cristo está sendo construída sobre o fundamento já estabelecido, ou seja, a mensagem dada pelo Espírito santo aos apóstolos e profetas dos tempos bíblicos, sendo Cristo a principal Pedra. Hoje não temos mais “apóstolos” e “profetas”, pois o fundamento já está lançado. Qualquer um que neste tempo presente se intitula “apóstolos ou “profeta” está mentindo, pois tenta lançar um novo fundamento, e se afasta de Cristo, a Pedra principal do verdadeiro fundamento já lançado. Além disso aos “apóstolos” modernos eu perguntaria: Vocês são testemunhas oculares da ressurreição de Cristo? Este é um requisito bíblico para ser apostolo, vejam:

Naqueles dias, levantou-se Pedro no meio dos irmãos (ora, compunha-se a assembléia de umas cento e vinte pessoas) e disse: Irmãos, convinha que se cumprisse a Escritura que o Espírito Santo proferiu anteriormente por boca de Davi, acerca de Judas, que foi o guia daqueles que prenderam Jesus, porque ele era contado entre nós e teve parte neste ministério. (Ora, este homem adquiriu um campo com o preço da iniqüidade; e, precipitando-se, rompeu-se pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram; e isto chegou ao conhecimento de todos os habitantes de Jerusalém, de maneira que em sua própria língua esse campo era chamado Aceldama, isto é, Campo de Sangue.) Porque está escrito no Livro dos Salmos: Fique deserta a sua morada; e não haja quem nela habite; e: Tome outro o seu encargo. É necessário, pois, que, dos homens que nos acompanharam todo o tempo que o Senhor Jesus andou entre nós, começando no batismo de João, até ao dia em que dentre nós foi levado às alturas,um destes se torne testemunha conosco da sua ressurreição. Então, propuseram dois: José, chamado Barsabás, cognominado Justo, e Matias. E, orando, disseram: Tu, Senhor, que conheces o coração de todos, revela-nos qual destes dois tens escolhido para preencher a vaga neste ministério e apostolado, do qual Judas se transviou, indo para o seu próprio lugar. E os lançaram em sortes, vindo a sorte recair sobre Matias, sendo-lhe, então, votado lugar com os onze apóstolos.” (At 1:15-26).

À luz destes fatos afirmo sobre os tais “apóstolos” modernos o que Paulo certa vez falo sobre outros ditos “apóstolos”:

Porque os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, transformando-se em apóstolos de Cristo. E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus próprios ministros se transformem em ministros de justiça; e o fim deles será conforme as suas obras.”. (II Co 11:13-15).

No entanto tais “apóstolos” e “profetas” falsos têm afastado os evangélicos atuais da Bíblia Sagrada.

C – O pragmatismo tem substituído a Bíblia na crença e na prática dos evangélicos modernos.

Reproduzirei neste ponto parte do meu texto “Cuidado com o pragmatismo”. O que vem a ser pragmatismo? É a opinião que afirma que a verdade está do lado do que é prático, do que é útil, ou seja, o que vale a pena é o que funciona. Se uma coisa funciona então está correta. Se algo dá certo, então a conclusão é que este deve ser o caminho a seguir. Mas será que isto existe no meio “evangélico”? Afirmo que sim e é algo muito fácil de provar. Ora, podemos fazer algumas perguntas: O que determina normalmente o trabalho evangelístico das igrejas? O que motiva e orienta o planejamento dos cultos? O que impulsiona os pregadores na escolha dos temas de suas mensagens e do conteúdo das mesmas? O que determina as doutrinas ensinadas nas igrejas? O que determina, enfim, todas as estratégias para atrair e manter as pessoas nas congregações? Se formos bastante honestos, creio que na maioria dos casos a resposta a estas perguntas será: O que funciona, o que dá certo, o que produz resultados. Ora, isto é pragmatismo. Tal idéia também está na vida cotidiana dos evangélicos modernos. Para perguntas como estas: “Como devo ganhar dinheiro?”, “Como devo trabalhar?”, “Qual emprego ou profissão devo escolher?” as respostas são normalmente pragmáticas e não bíblicas. Dessa forma a Bíblia é substituída pelo pragmatismo, no evangelismo, no culto, na doutrina, e na vida diária dos evangélicos.

Fica bem nítido que o pragmatismo no evangelismo e culto afasta as igrejas da Bíblia, e tira Deus do centro, pois coloca o gosto do homem acima das Escrituras. Nesse caso, Deus e sua Palavra ficam em segundo plano e os desejos humanos em primeiro. É triste notar que os métodos evangelísticos e os cultos não têm sido bíblicos. São semelhantes a shows de televisão. Ve-se teatro, musicais, coreografias, piadas e todo o tipo de entretenimento. Procura-se alegrar as pessoas, fazer que se divirtam. Outras vezes promete-se milagres em cada culto. Tudo isso é feito com o intuito pragmático de encher o locar de reuniões, mas ninguém pergunte se é bíblico. Isso acontece porque a muito a Bíblia foi abandonada e o pragmatismo tomou seu lugar no coração dos evangélicos.

Mas em especial a pregação é afetada por este pragmatismo. Neste caso a pergunta não é “Qual a mensagem que a Bíblia nos orienta a pregarmos aos pecadores?”, mas, “Qual a mensagem que mais agrada aos pecadores chama mais a atenção?”. Observamos que os temas bíblicos como: Deus, o pecado, a salvação em Cristo, o novo nascimento, o arrependimento e a fé, a Justificação, a Ira de Deus, o Céu e o inferno; não são pregados com tanta intensidade como já foram em outras épocas da História da Igreja. Levados pelo pragmatismo muitos argumentam que estes temas são ofensivos e afastariam as pessoas dos cultos. Devido a este pensamento tais pregadores preferem pregar temas como: cura divina, prosperidade material, soluções de problemas familiares e emocionais. Segundo estes pregadores, estes são temas que provocam o interesse das pessoas e as mantém freqüentando os cultos. E de fato muitas vezes eles têm grande sucesso, com seus locais de reuniões sempre cheios. Todavia aqui também fica claro que a Bíblia não é a prioridade para este pregador pragmático, mas sim o que agrada aos ouvintes.

Mas será que os apóstolos eram pragmáticos como os evangélicos de hoje? Vejamos:

Em Listra, costumava estar assentado certo homem aleijado, paralítico desde o seu nascimento, o qual jamais pudera andar. Esse homem ouviu falar Paulo, que, fixando nele os olhos e vendo que possuía fé para ser curado, disse-lhe em alta voz: Apruma-te direito sobre os pés! Ele saltou e andava. Quando as multidões viram o que Paulo fizera, gritaram em língua licaônica, dizendo: Os deuses, em forma de homens, baixaram até nós. A Barnabé chamavam Júpiter, e a Paulo, Mercúrio, porque era este o principal portador da palavra. O sacerdote de Júpiter, cujo templo estava em frente da cidade, trazendo para junto das portas touros e grinaldas, queria sacrificar juntamente com as multidões. Porém, ouvindo isto, os apóstolos Barnabé e Paulo, rasgando as suas vestes, saltaram para o meio da multidão, clamando: Senhores, por que fazeis isto? Nós também somos homens como vós, sujeitos aos mesmos sentimentos, e vos anunciamos o evangelho para que destas coisas vãs vos convertais ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que há neles; o qual, nas gerações passadas, permitiu que todos os povos andassem nos seus próprios caminhos; contudo, não se deixou ficar sem testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos do céu chuvas e estações frutíferas, enchendo o vosso coração de fartura e de alegria. Dizendo isto, foi ainda com dificuldade que impediram as multidões de lhes oferecerem sacrifício”. (At 14:8-18).

Neste texto Paulo é usado por Deus na cura de um coxo de nascença. A multidão vê o fato e entende que ele e seu companheiro Barnabé eram deuses. Ora, Paulo tinha diante de si uma multidão que estava em suas mãos. Se ele aceitasse o que dizia, continuaria controlando a todas aquelas pessoas. O fato é que muitos pragmáticos modernos aceitariam a insinuação dessa multidão e tentariam agradá-la. Não é verdade? Diriam: “vamos dar o que eles querem e assim eles ficarão conosco. Se eles dizem que somos deuses, que assim seja. Depois explicaremos as outras coisas”. Paulo fez isso? Não, não e não! Paulo não seguiu a cultura e a religiosidade falsa daquelas pessoas com a desculpa de manter a audiência. Ele não tentou agradá-las ensinando o que elas queriam ouvir. Ele era um pregador da Verdade de Deus segundo as Escrituras, ou seja, o Evangelho. O Evangelho é uma mensagem que traz os homens e mulheres de volta para Deus e os livra de falsos deuses. Porém aquelas pessoas queriam adorá-los como deuses. A isso Paulo diz: “não”, “somos homens como vocês”, “voltem-se para o Deus Vivo, o Criador”. Paulo chamou aquelas pessoas para Deus. Isto é o Evangelho. É uma volta para Deus em Cristo. É deixar falsos deuses. Paulo não era um pragmático. Paulo não se aproveitou do engano, da ignorância, da tolice da multidão. Não! Em vez disso ele procurou instruí-los, procurou mostrar a eles a Verdade das Escrituras. Eles precisavam voltar-se para Deus. No verso 15 Paulo afirma que as crenças daquelas pessoas eram vãs. Eram crenças inúteis sem nenhum sentido e propósito. Todas aquelas crenças as estavam mantendo longe do Verdadeiro Deus. Toda aquela crença era loucura. Adoravam o que não era deus, enquanto o Deus verdadeiro não era adorado. E o fim de tudo aquilo era a perdição eterna. Não! Paulo não poderia deixar aquelas pessoas no engano, e com isso usurpar a glória que só pertence a Deus, e levá-las como conseqüência a perdição. Paulo sabia que só Deus deve ser glorificado e também queria a salvação daquelas pessoas. Então ele as contraria a diz: “Voltem-se para Deus!”. Nisso tudo Paulo segue as Escrituras e não o que “funciona”. No entanto os evangélicos modernos têm seguido o pragmatismo e não a Verdade Bíblica.

D – O Subjetivismo tem substituído a Bíblia na crença e na prática dos evangélicos modernos.

Subjetivismo refere-se ao que nós gostamos. É um fato que o os gostos dos evangélicos modernos têm determinado o que eles crêem e o que praticam e a Bíblia tem sido menosprezada para que tais gostos sejam satisfeitos. Posso dar um exemplo bem evidente deste fato. Na chamada “musica gospel” é o gosto do grande público evangélico que determina as letras. Canta-se sobre “vitória”, “cura”, “prosperidade”. No entanto tais temas são desvinculados do genuíno ensino bíblico e o próprio conteúdo das Escrituras não é cantado. Permita-me que especifique melhor o que quero dizer. A Bíblia claramente ordena que cantemos os salmos. Veja:

Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração.” (Cl 3:16).

Por que, então, a “música gospel” não canta os 150 salmos da Bíblia, mas prefere temas sem real apoio da Escritura Sagrada? É porque a música gospel é baseada no gosto dos evangélicos, ou seja, no subjetivismo, e não nas Escrituras. Mas este é só um exemplo. Na verdade o subjetivismo está atrelado ao pragmatismo, assunto que já abordei no ponto anterior, pois o que vale é satisfazer os gostos do grande público evangélico e não a Verdade bíblica. Como no pragmatismo, o subjetivismo também é levado a vida cotidiana dos evangélicos substituindo a Bíblia nas práticas e decisões diárias. Tudo isso mostra que a Bíblia tem sido abandonada e o que vale é o que cada um gosta de crer ou fazer. Mas os nossos gostos provêm de nosso coração e a Bíblia alerta sobre o perigo do engano que está no mesmo. Veja:

Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?”. (Jr 17:9).

O coração é enganoso porque lá está o pecado. Veja:

Há no coração do ímpio a voz da transgressão; não há temor de Deus diante de seus olhos. Porque a transgressão o lisonjeia a seus olhos e lhe diz que a sua iniqüidade não há de ser descoberta, nem detestada.”. (Sl 36:1,2).

Por isso não devemos ser orientados por nossos gostos independentes da Escritura, mas ao contrário, devemos nos encher dela (Cl 3:16). No entanto o subjetivismo tem substituído a Bíblia no meio evangélico moderno.

E – A cultura tem substituído a Bíblia na crença e na prática dos evangélicos modernos.

Cultura refere-se aos valores e costumes de uma sociedade. É bem evidente que a cultura tem substituído a Bíblia na crença e prática dos evangélicos modernos. Posso facilmente exemplificar com relação ao feminismo. A Bíblia afirma que as mulheres devem ser submissas a seus maridos. Veja:

As mulheres sejam submissas ao seu próprio marido, como ao Senhor; porque o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo o salvador do corpo.”. (Ef 5:22, 23).

No entanto, qualquer um que afirmar esta verdade bíblica no meio evangélico encontrará forte posição. Por quê? Porque a cultura feminista fala mais alto que a Bíblia. Assim vemos que a Bíblia foi substituída pela cultura. Este, porém, é só um exemplo. O fato é que a cultura, muito mais que a Bíblia, tem determinado os valores, as crenças, e todo o modo de vestir, falar, andar, trabalhar, descansar, namorar, casar, cultuar, enfim, todos os costumes. Parece que para os evangélicos modernos quanto mais parecidos forem com a sociedade em geral melhor será. Mas veja o que a Bíblia diz deste tempo presente:

Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”. (Rm 12:1,2).

Assim não devemos nos conformar, mas renovar a mente. Evidentemente isso só é possível quando temos a Escritura na mente. Mas os evangélicos modernos preferem se conformar aos costumes ou crenças da maioria sem avaliar se possuem alguma base nas Escrituras.

F – A falsa ciência tem substituído a Bíblia na crença e na prática dos evangélicos modernos.

Chamo de “falsa ciência” qualquer conceito dito científico que contrarie um ensino das Escrituras. Um exemplo disso é a “teoria da evolução”. Observamos que os evangélicos modernos muitas vezes seguem mais a tais falsas ciências que a Bíblia Sagrada. Por exemplo, muitas vezes os evangélicos ouvem teorias psicológicas sobre criação de filhos que não levam em conta a natureza pecaminosa das crianças conforme ensinada na Bíblia. Também é nítido que muitos evangélicos não têm seguido a seguinte recomendação bíblica:

Estes, pois, são os mandamentos, os estatutos e os juízos que mandou o SENHOR, teu Deus, se te ensinassem, para que os cumprisses na terra a que passas para a possuir; para que temas ao SENHOR, teu Deus, e guardes todos os seus estatutos e mandamentos que eu te ordeno, tu, e teu filho, e o filho de teu filho, todos os dias da tua vida; e que teus dias sejam prolongados. Ouve, pois, ó Israel, e atenta em os cumprires, para que bem te suceda, e muito te multipliques na terra que mana leite e mel, como te disse o SENHOR, Deus de teus pais. Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR. Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força. Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te.” (Dt 6:1-7).

O fato é que a maioria dos pais evangélicos não conhecem profundamente os mandamentos bíblicos. Como, então, ensinaram a seus filhos? Mas muitas vezes os mesmo estão atentos a teorias psicológicas sobre criação de filhos não dando o devido valor a Bíblia. Assim mostram que têm substituído as Escrituras por uma falsa ciência.

Lembremos, porém, que a Verdade, a sabedoria,e o conhecimento genuíno vem de Deus em sua Palavra (Pv 7:1-5), e a verdadeira ciência sempre concordará com a Escritura. Mas os evangélicos modernos se dispõe mais a ouvir a “ciência” em vez da Bíblia.

G – A experiência tem substituído a Bíblia na crença e na prática dos evangélicos modernos.

Os evangélicos têm colocado a experiências pessoais ou de outros como a base de suas crenças e praticas. A respeito disso me refiro a fatos ocorridos a alguns crentes, em geral tidos como miraculosos, que são interpretados como uma Revelação de Deus. O que tem acontecido muitas vezes é que mesmo que um ensino não possa ser baseado na Bíblia, muita gente não se importa com isso desde que seja algo que tenha experimentado. Assim para muitas pessoas o que vale como guia da verdade são suas experiências e não a Bíblia. Elas dizem: “eu experimentei, então creio”, e repito, dizem isso mesmo que a Bíblia diga o contrário. Para eles o que vale é a experiência. Muitos destes ao serem pressionados a provar suas experiências biblicamente, usam a Escritura a seu bel-prazer, ou seja, em vez de deixarem a Bíblia falar, impõe a ela as suas próprias idéias, torcem as Escrituras, irreverentemente fazem a Bíblia dizer o que não diz, forçam textos bíblicos interpretando-os mau. Esse é um erro blasfemo que muitos pregadores e membros de igrejas têm sido culpados de praticar. Tudo isso só mostra um desprezo a Bíblia e uma exaltação das experiências. Portanto, concluo que tais experiências e suas falsas interpretações têm afastados muitos evangélicos da Bíblia.

Devemos lembrar o que nos ensina Dt 13:1-5. Veja:

Quando profeta ou sonhador se levantar no meio de ti e te anunciar um sinal ou prodígio, e suceder o tal sinal ou prodígio de que te houver falado, e disser: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los, não ouvirás as palavras desse profeta ou sonhador; porquanto o SENHOR, vosso Deus, vos prova, para saber se amais o SENHOR, vosso Deus, de todo o vosso coração e de toda a vossa alma. Andareis após o SENHOR, vosso Deus, e a ele temereis; guardareis os seus mandamentos, ouvireis a sua voz, a ele servireis e a ele vos achegareis. Esse profeta ou sonhador será morto, pois pregou rebeldia contra o SENHOR, vosso Deus, que vos tirou da terra do Egito e vos resgatou da casa da servidão, para vos apartar do caminho que vos ordenou o SENHOR, vosso Deus, para andardes nele. Assim, eliminarás o mal do meio de ti.” (Dt 13:1-5).

O texto deixa claro que o Senhor pode provar as pessoas permitindo o aparecimento de falsos profetas e “milagres”. Olhemos mais de perto o que nos diz o texto:

A – O falso profeta diz que ocorrerá alguma coisa extraordinária.

B – Tal coisa de fato acontece.

C – O conteúdo da mensagem do falso profeta é que o povo adore a deuses falsos e não ao Senhor.

D – O texto deixa claro que tudo isso é um teste que vem de Deus. Este teste mostra quem de fato ama a Deus.

E – Quem ama ao Senhor não se deixará iludir pelo sinal ou prodígio, não será levado por isso a adorar um deus falso. Quem ama ao Senhor ouvirá a Palavra do Senhor, a sua voz, e não a palavra do falso profeta, mesmo diante do mais extraordinário sinal que tal falso profeta possa operar. Quem ama ao Senhor estará firmado na Palavra de Deus na Escritura e não em experiências extraordinárias.

Fica claro que sinais, milagres e maravilhas não são prova da Verdade de Deus, não são prova de que isso vem de Deus, que é algo que Deus se agrada. Não, não e não! Experiências, por mais que sejam extraordinárias e milagrosas não provam que um ensino é verdadeiro. Vejam que a mensagem do profeta foi um convite à idolatria. O milagre aconteceu, mas a mensagem era contrária a Deus. Observem também, que neste texto a única garantia que temos da Verdade que vem de Deus é a sua Palavra. Diz: “e os seus mandamentos guardareis e sua voz ouvireis. Em outras palavras: Não olhem para os sinais, milagres e experiências, mas sim, ouçam a Palavra, ouçam as Escrituras, ouçam a Bíblia. E quem não se deixará iludir por experiências e ficará firme na Palavra? A resposta clara é: Quem ama ao Senhor. Esse tal não seguirá o falso profeta em seu caminho de idolatria. Infelizmente os evangélicos modernos têm seguido mais as experiências que a Bíblia. A Escritura tem sido abandonado e o que têm valido são as experiências “milagrosas”.

Continua...

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domingo, 6 de julho de 2014

O que estamos fazendo?

"Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus". Romanos 3:23

O pecado deveria nos incomodar, nos entristecer e nos fazer sentir vergonha.
Pecamos contra um Deus santo e puro.

Pecamos, pecamos e pecamos sem medida, sem freio.

É verdade, que nunca chegaremos a perfeição e somos realmente pecadores, infelizmente esta é a nossoacondição desde Adão e Eva, mas, porque somos tão imorais? Porque o que nos envergonhava quando nos convertemos hoje já não incomoda? Precisamos vigiar!


E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus. Romanos 12:2

Como filhos obedientes, não vos conformando com as concupiscências que antes havia em vossa ignorância; 1 Pedro 1:14"

Não devemos servir a Deus e obedecê-lo por medo do inferno, mas para reconhecer sua grandeza e misericordia sobre nós.

Jesus pagou o preço, o que cabe a cada um de nós é reconhecer o valor do Seu sacrificio e nos empenhar em conhecer e divulgar este amor.

Peça a ajuda a Ele, mas se arrependa e comece uma nova vida ao lado de Seu Sa;vador: JESUS!

Deus te abençoe!

Fique com a paz e a graça do Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo!